Estratégia e Análise
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Da contra-informação ao pensamento único neoliberal: conceitos de crítica à indústria da mídia

O trabalho (1) tem como objetivo apontar conceitos operacionais para a crítica da indústria midiática, fazendo uma aproximação entre duas áreas de análise politicamente opostas, embora com epistemes semelhantes. Trata-se do diálogo entre o conceito de fabricação do consenso tolerável pelas regras hegemônicas, tendo como base as idéias pensáveis de Noam Chomsky, e a análise estratégica em sentido pleno. Para trabalhar estratégia, parte-se dos conceitos de um operador militar clássico, o general Golbery do Couto e Silva, dentro de seu modelo de análise com níveis de incidência e subordinação do método ao objetivo finalista, onde as indústrias culturais enquadram-se no nível psicossocial de atuação. Tal paradigma terá presença ao longo do artigo. Destacam-se alguns conceitos básicos para discutir a crítica à mídia hegemônica, partindo da caracterização do nível e seus macroambientes de operação.

crítica da mídia – fabricação do consenso – análise estratégica – níveis de análise – incidência – inteligência – contra-informação
26/01/2008 11:44
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Controle E Disputa Pela Democracia Na Comunicação Social

Este artigo analisa o estado atual da mídia brasileira em relação à influência das empresas que constituem os meios de Comunicação no Brasil e a participação dos movimentos pela democratização do setor, buscando contribuir para o debate teórico e de perspectivas para uma melhor atuação por parte dos ativistas de comunicação comunitária, assim como do conjunto do movimento popular. Parte de uma pesquisa bibliográfica e documental, além da análise de dados recentes sobre o setor, que busca evidenciar a importância da constituição de políticas públicas democráticas para o favorecimento do empoderamento popular em nosso país.

Políticas de Comunicação; Democratização da Comunicação; Mídia Brasileira; Empoderamento Popular; Radiodifusão Comunitária.
16/01/2008 13:17
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Ricardo Palma

Ricardo Palma Enfrentou muitas lutas, não apenas por sua própria sobrevivência, como pela preservação da cultura de sua pátria. Com suas lutas acabou definiu seu estilo, a prosa e o testemunho, relatos verídicos mesclando co um pouco de fantasia, elemento sempre presente na memória daquele povo. Ele acreditava que a oralidade de seu povo era a principal intérprete de sua história, e ele estava certo. Era um grande tradicionalista. Um trecho de sua obra:

 

“(...) Concluía el año de 1550, y era alcalde de la villa (Villa Imperial de Potosí) el licenciado don Diego de Esquivel, hombre atrabiliario y codicioso, de quien cuenta la fama que era capaz de poner en subasta la justicia, a trueque de barras de plata.

Su señoría era también guloso de la fruta del paraíso, y en la imperial villa se murmuraba mucho acerca de sus prapisondas mujeriegas. Como no se había puesto nunca en el trance de quel el cura de la parroquia le leyese la famosa epístola de San Pablo, don Diego de Esquivel hacía gala de pertenecer al gremio de los solterones, que tengo para mi constituyen, si no una plaga social, una amenaza contra la propiedad del prójimo. Hay quien afirma que los comunistas y los solterones son bípedos que se asimilan.”

“Las Orejas del Alcalde – Crónica de la época del segundo virrey del Perú”, publicada pela primeira vez em 1873, no El Coreo del Perú.

Ricardo Palma, biografia, Peru
05/05/2008 11:53
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Victoriano Lorenzo

O líder indígena, involucrado na Guerra Civil entre os partidos Liberal e Conservador, é mais um caso clássico de vontade popular manipulada por interesses oligárquicos. É a prova viva do exemplo de que massas em disponibilidade, identidade popular e ancstral, mesclada com a defesa da posse e do uso da terra natal, formam uma combustão popular quase incontrolável.

 

Victoriano é um personagem histórico, material, sua carne queimada no fuzilamento de um traidor da oligarquia, portanto, fiel ao povo, é digno de livro de Gabriel García Márquez. Seu Panamá e sua província de Chiriquí, o orgulho cholo, é tão presente no istmo da porta do mundo como em uma zamba cantando “cholita santiagueña, cholita salteña”.

 

A sabedoria política dos cholos surge da necessidade de protagonismo popular e programa político compatível com as identidades e culturas ancestrais e mestiças; com a carga de informações que exigem a formação de conceitos diretos, formando o arcabouço teórico-metodológico geradores de ideologia de câmbio a partir do distributivismo com os dois pés fincados no campo nacional-popular.

 

Victoriano Lorenzo é parte da história nossa, desconhecida de nós mesmos; é o outro lado da política do Porrete Grande – Palo Largo – Big Stick; é a versão centro e latino-americana do lado B do protetorado do Império a partir de Miami e da famigerada Escola Panamá (extinta). O orgulho chiriqueño passa pela carne dos cholos de Victoriano.

 

Palavras-chave: Panamá - guerra civil colombiana (Liberal-Conservador) - cholos - chiriquí - criação do istmo

Panamá - guerra civil colombiana (Liberal-Conservador) - cholos - chiriquí - criação do istmo
17/03/2008 09:46
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A mosca azul ao alcance de quase todos se materializa no poder simbólico de um escritório, com poltronas, cadeiras e mesas. Algum orçamento e uma ou duas indicações completam o pacote da anti-política.
CCs, municipários e o choque de lealdades (coluna da Voto, agosto de 2008)

Bruno Lima Rocha

Os municípios brasileiros vivem seu momento político de maior tensão. E, no olho do furacão, estão os sindicatos de municipários. Ofertas de composição eleitoral, participação em campanhas e promessas de trabalho no futuro próximo pairam sobre a base sindicalizada. São formas de desmobilização desta categoria, tentando aliciá-la para algum projeto de poder vindo das eleições e não da correlação de força do sindicato na sociedade local. Uma delas é a figura do cargo em comissão, ou cargo de confiança, também conhecido como CC.

Uma das demandas dos servidores públicos municipais é o plano de cargos e salários. O desejo de uma carreira progressiva é algo necessário para motivar todo trabalhador. Quando este se organiza, a idéia toma corpo de plataforma coletiva. A quebra de lealdades se dá na perspectiva de que existe um caminho mais fácil e de solução individual.

Qualquer conquista direta, como uma reposição salarial de 15%, é sempre uma via crucis. Implica em risco, perder ponto, ser repreendido, transferido do local de trabalho, fazer greve, organizar protestos, se arriscar a prisão ou violência estatal e paira a possibilidade de não se arrancar nada. Por outro lado, a figura do CC está ali, de corpo presente, ganhando essa diferença a mais e sem os custos de ação coletiva da base sindicalizada. Reforçando o comportamento individualista, o cargo esse é de “confiança” de quem o indicou e não do serviço público local. Imaginem a dúvida na mente de um sindicalizado: “eu me dedico, me organizo, e o fulano aí do lado, se relaciona bem, e ocupa posição superior a minha!”

Mesmo em cidades populosas, a tendência das pessoas da administração pública é se conhecer. Para subir por dentro de forma individual, é preciso saber a quem conhecer e com quem se indispor. As redes de relações são fundamentais para todos os tipos de atividades. Como já afirmei em edições passadas, é nas eleições municipais quando as práticas políticas se aproximam do cidadão comum. É quando jogam com peso em dobro as relações pessoais, os graus de parentesco, amizades e antipatias pouco ou nada explicáveis e favores devidos ou em falta.

Torna-se visível a mobilização nesse período em contraste com outros meses. E o motor da efervescência eleitoral são aqueles cidadãos que alimentam a sociabilidade permanente. Na interna do aparelho de Estado local, quem mais agita é alvo preferencial de tentativa de aliciamento. Quem conhece uma direção sindical de municipários sabe o perfil. Gente simples, muitas secretárias de escola, merendeiras, pessoal do setor de serviços e obras, e quando a categoria tem unidade, existe representação única incluindo os servidores da saúde e educação. Mesmo assim, uma diretoria acaba sendo levada por dois ou três abnegados. Basta que um deles acredite ou pactue com a promessa de CC ou FG para quebrar a espinha dorsal da entidade. Se sair para vereador então, o impacto é maior.

O aliciamento é um remédio infalível contra a organização coletiva. Cansei de ver municipários com boas direções sindicais, mas cuja maioria de diretores era do mesmo partido do prefeito. Resultado corriqueiro, o prefeito se reelege, mas a diretoria perde a eleição sindical. Se um ex-diretor, logo após a derrota, aceita uma função gratificada (FG) na prefeitura, anos de credibilidade construída já é posta em dúvida. Por outro lado, quem se mantém na independência de classe, tem maiores chances de se manter a frente de sua categoria. São escolhas a ser feitas.

Este artigo
foi originalmente publicado na Revista Voto, Ano 4, No. 46, Agosto de 2008, na página 70.

Data da publicação: 25/08/2008 17:05





Municípios enormes como Canoas, por estar grudado na capital vê a sua mui nobre, leal e valorosa elite política local subsumida diante da cidade centro de poder estadual. As escolhas já são ruins para vereador e prefeito, e pioram ainda mais quando não há informação disponível a respeito dos candidatos.
A campanha eleitoral em municípios metropolitanos

Bruno Lima Rocha

4ª, 20 de agosto de 2008, Vila Setembrina dos Farrapos traídos em Ponche Verde; Continente das lágrimas do Rio dos Pássaros; Liga Federal de los Pueblos Libres atraicionados

Começa a campanha eleitoral gratuita no rádio e televisão e talvez a corrida esquente. Nas capitais e em cidades pólo do interior ao menos os eleitores ficarão sabendo o nome dos candidatos majoritários. Já nas centenas de cidades metropolitanas brasileiras, o problema é de fundo e parece não ter solução. Ainda que sejam grandes colegiados, estes lugares não contam com a campanha eleitoral da mídia eletrônica. Em uma sociedade midiatizada como a nossa, isso é problema na certa.

No quesito comportamento eleitoral, os pleitos municipais podem ser considerados o “fim da várzea”. Se aplicados, os clássicos estudos de cultura política apontariam a prevalência da mentalidade paroquiana. Ou seja, o conjunto de valores, normas e regras (formais e informais) privilegiam o curto prazo, as relações pessoais, os interesses imediatos e a ausência de visão cívica de longo prazo, tanto de eleitores como de possíveis eleitos. Considerando isto, como alterar a realidade sem a campanha eleitoral gratuita?

Por piores que sejam os programas, toda e qualquer forma pública é melhor do que a difusão privada. É certo que a desinformação estrutural que sofre o brasileiro médio faz com que candidatos repitam frases óbvias pouco variando o repertório. Também é correto afirmar que na maioria das vezes a estética supera o conteúdo programático. Mesmo assim, uma campanha que universaliza o acesso dos candidatos a eleitores é a menos injusta.

Eis o problema sem fim. Como tornar público o debate político se nos municípios mais populosos, grudados nas capitais, com problemas estruturais e de auto-estima de seus moradores, não existe campanha eleitoral gratuita no rádio e TV? Agora já não há o que fazer a não ser aprender com os erros. Considero corretas as limitações impostas pelo TSE para evitar o abuso econômico. A mesma lei deveria exigir que todos os meios de comunicação eletrônica dessem difusão para o debate público nos municípios. Enquanto isso não ocorrer, ficaremos à mercê das relações de clientela. Na ausência de informação resta apenas mais do mesmo.

Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat

Data da publicação: 21/08/2008 13:48





Dois informantes voluntários preenchem formulários de onde o Banco Mundial e seu subsidiário, o BIRD, extraem números e estimativas do desempenho da economia brasileira. Pamela Cox afirmara isso rindo, com o mesmo sorriso de Pinochet quando desembarcara caminhando no Aeroporto de Santiago de Chile.
O informe fajuto do BIRD

João Pedro Casarotto

Em recente entrevista, a Vice-Presidente para a América Latina do BIRD e do Grupo Banco Mundial declarou que não utiliza os dados do relatório “Doing Business” (Fazendo Negócios), que o BIRD publica anualmente, na hora de analisar os projetos dos países que solicitam empréstimos: “Não, não usamos. Nós levamos em conta outros dados”, respondeu, rindo, Pamela Cox.

Sobre a utilidade deste informe, a poderosa executiva disse que ele é falho, mas útil, pois tem contribuído para pressionar os governos a levarem adiante as reformas propugnadas pelo banco: “Na América Latina ele tem servido para os governos pressionarem os Congressos a aprovarem reformas, segundo me disse certa vez um alto funcionário de um grande país da região. "A gente vai lá com o ranking e diz: vejam como estamos mal, comparados com a China", disse-me ele”.

No último ranking do “Doing Business”, publicado para orientar investidores estrangeiros na escolha dos melhores países para investir, o Brasil figura na 122ª posição entre os 178 países analisados e, mesmo assim, vem recebendo uma enxurrada de dólares. Perguntada sobre este aparente paradoxo a executiva respondeu: “O informe pode sinalizar algo em termos de mudanças em regulamentações. Mas os grandes investidores têm os seus próprios meios de aferição e avaliação”.

Esta entrevista foi concedida em decorrência da apresentação de estudo realizado por alta funcionária do BIRD que declarou que “o banco não tem uma forma comparativa de celebrar as melhorias em importantes resultados do desenvolvimento” e que a pesquisa no Brasil não é ampla e abrangente, pois o banco depende de informantes voluntários (que se dispõe a preencher os formulários somente para angariar prestígio pessoal) e que, no caso específico do Brasil, são apenas dois e ambos de São Paulo.

Ou seja, o festejado informe do BIRD é fajuto como uma nota de três reais e quem acreditou que o banco ensinava o caminho das pedras para ganhar dinheiro descobriu que ele só serve de oráculo para os trouxas.

Enquanto isto, aqui pelos pagos, as vivandeiras gaúchas estão exultantes, pois, enfim, o contrato será assinado e, talvez, restem algumas migalhas com as quais tentarão salvar as suas decadentes pretensas carreiras de analistas políticos.

É sempre bom lembrar que este contrato só será assinado devido às diversas acrobacias realizadas pelo governo gaúcho, entre as quais, a obtenção da declaração de sigilo pelo STF das fls. 108 a 194, da AC/2026(sigiloso), e o lacre de documentos no Senado Federal (Res. 21/2008).

Ao que tudo indica, nós também teremos empresas de consultorias acompanhando a execução das metas anuais que deverão ser assumidas pelos secretários de estado e servidores até o nível de superintendência, como vem ocorrendo no Estado de Minas Gerais, que, aliás, já contraiu com o BIRD empréstimos, sem contrapartidas, no valor de US$1,17 bi.

Enfim, nos resta ficar aguardando para saber se este time de consultores, que já se instalou no seio da administração pública gaúcha e onde permanecerá por trinta anos, gerará informes fajutos como o “Doing Business” e, enquanto esperamos que também este “Bebê de Rosemary” mostre sua real identidade, ganha um prato de tutu à mineira quem conseguir explicar o motivo do encantamento do tucano que enxerga o falcão (a ave de rapina mais veloz do planeta), mas jura que está vendo o passarinho verde.

João Pedro Casarotto é fiscal de tributos aposentado, dirigente do Sintaf-RS e ex-presidente da Afisvec.

Esta nota nos foi enviada por Casarotto e também remetida ao excelente blog de notícias RS Urgente, sendo lá antes postada.

Data da publicação: 19/08/2008 10:00





João Luiz Vargas, até há pouco presidente do TCU do Rio Grande, acusado de participação direta na fraude, fez companhia a José Otávio Germano na lista dos que receberam notícia crime do MPRS.
A crise sem fim no governo Yeda

Bruno Lima Rocha

4ª 13 de agosto de 2008, Bauru, noroeste de São Paulo

Após a conclusão pífia da CPI do Detran-RS, a governadora Yeda Crusius teve algumas semanas de descanso. A calmaria terminou quando os procuradores estaduais entraram em cena. Os acontecimentos em série vistos de forma integral dão a idéia do problema. Se os eventos que narro abaixo não caracterizarem uma crise, então é preciso rediscutir o conceito de crise.

Podemos citar, apenas de passagem e fora de ordem cronológica precisa aos seguintes fatos políticos: a problemática declaração de origem do dinheiro e a base documental da compra da casa da governadora; a crise da Procergs (processamento de dados) derrubando seu presidente por suspeita de envolvimento com empresa terceirizada, que por sinal era de sua propriedade quando da assinatura do contrato; a recente notícia crime feita pelos procuradores estaduais contra o deputado federal José Otávio Germano (PP) e o ex-presidente do TCE João Luiz Vargas (PDT) e encaminhada para o Procurador Geral da República; o pedido de anulação do MPRS contra a licitação para contratar empresas de publicidade pelo governo no valor de R$ 92.948.970,17.

Para quem imagina que já é o suficiente, restam duas investigações em andamento. Uma é do MPRS e analisa a relação de contratos e valores pagos pela Federação Nacional de Seguradoras Privadas (Fenaseg) para o Detran-RS. Outra é a continuidade da própria Operação Rodin. Seu efeito direto resultou em mais barulho, fato midiático contra Yeda e ameaças de delação.

No dia 30 de julho o lobista tucano Lair Ferst tentava retirar na boca do caixa de uma agência do HSBC em Porto Alegre a quantia de R$ 200 mil em dinheiro vivo. O empresário que é réu federal estava sob vigilância da PF, que avisou o MPF e impediu, através da Justiça, a transação financeira. Lair foi encaminhado à sede da Polícia Federal e na semana seguinte concede uma entrevista bombástica para a Folha de São Paulo.

Resultado. Deu a entender que pode abrir o jogo caso consiga a delação premiada. Este recado nada discreto é sinal de que a crise gaúcha está longe de terminar.

Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat

Data da publicação: 15/08/2008 01:07





Deng Xiao Ping sorri no inferno tendo a mesma felicidade que sentira após o Massacre da Paz Celestial.
Confúcio e Deng Xiao Ping sorrindo no inferno

08 de agosto de 2008 – Ponta Grossa – Campos Gerais – Paraná

Quem teve a oportunidade de assistir a Abertura dos Jogos Olímpicos de Beijing pôde ver uma bela operação de corações e mentes operada pelo departamento de propaganda de uma versão pós-moderna do confucionismo. A China, autoreferenciada como Império do Meio, ou do Centro, considerando a si mesma como central para seu universo, abre-se para o mundo na forma de comércio, abundância de mão de obra barata e oferece a receita dos sonhos das transnacionais. As Olimpíadas pequinesas são o coroamento da super potência que apaga a sua própria história.

Tão cruel como o tráfico de ópio praticado pelos ingleses na conquista de Hong Kong é omitir que os súditos da rainha Vitória praticaram tal ação política-comercial. Tão absurdo como a manipulação de Mao Zedong das forças sociais liberadas para a auto organização a partir de 1966 é ignorar que houve um episódio chamado Revolução Cultural, que Mao a encabeçou, que o próprio Mao a fundamentou, que o timoneiro a abandonou e uma geração inteira de socialistas chineses foi largada à falta de sorte em campos de reabilitação outros lugares ainda piores. Mao afirmava ser esta a seqüência da batalha entre Lao Tzu e Confúcio. Só que o primeiro é discípulo do segundo e a herança de um não resultou em ação organizada enquanto o segundo afirmou uma burocracia de Estado, que muda de governo, mas não abandona jamais o Estado. O trem de prata maoísta passou, a China ouviu a Kissinger, entrou para a Organização Mundial do Comércio, na ONU e em dezenas de organismos bi e multilaterais. Isso foi a partir de 1971.

No final dos anos ’70 a China tem a virada dentro de sua própria elite dirigente. Um neoliberal de linha chilena, Deng Xiao Ping, comanda e afirma a sua liderança, não sem antes acenar com alguma abertura política. O resultado de centenas de milhares de dazibaos (jornais murais colados de forma livre e sem censura) foi uma idéia vaga de liberdade de expressão. Quem acha que exagero leia o livro hoje histórico e em formato de relíquia narrativa, “Henfil na China”. A acumulação primitiva dos anos ’50 não levou às liberdades políticas tendo por base uma sociedade distributivista. Tian Amen, a Praça da “Paz” Celestial, provou os limites de uma economia globalizando-se e um regime político de partido único.

Vamos compreender o que ocorre. O Partido Comunista da China é tão “comunista” como o PPS brasileiro é “socialista” ou o MIR boliviano é “revolucionário”. O PCC poderia chamar-se de Partido Confucionista Chinês e estaria conceitualmente perfeito. Alguns princípios de Confúcio são: obediência; aconselhar o príncipe; servir ao Estado; formar uma burocracia; a idéia de liberdade inexiste. Perfeito, é o mundo dos sonhos das transnacionais! Um país potência, com mão de obra sobrante, população de predominância rural e com zonas de desenvolvimento intenso, relações de trabalho quase escrava, alta tecnologia, agressividade no comércio exterior, interdependência com os Estados Unidos, exportando população com capacidade de investimento mundo afora, inundando os países com produtos baratos pela superprodução e mais valia absoluta sobre a mão de obra que trabalha. Tem mais, não há liberdade política, mas as transnacionais podem investir à vontade na China, conseguem pessoal capacitado, não sindicalizado, operam muitas vezes nas Zonas de Processamento de Exportação, até a internet é censurada, atua como potência e pratica imperialismo entre os vizinhos, o modus vivendi é censura e repressão. O Estado é tão uníssono que sequer agüenta a mídia corporativa mentirosa e capitalista que foi cobrir os Jogos Olímpicos. Imaginem um jornalismo investigativo e comprometido com os direitos fundamentais?!

Os mesmos que odeiam esse tipo de mídia lá a detestam no Continente. Jamais escutei de um grande empresário brasileiro ou latino-americano qualquer tipo de crítica em relação à China. Jamais escutarei algo assim a não ser por algum tipo de constrangimento. O país de Deng Xiao Ping é um paraíso para a era de ouro do capital financeiro e digital. Reprime os trabalhadores e libera o capital. Morde muito é verdade, mas as sobras de um gigante são igualmente gigantescas.

Alguns fatores, no meu modo de ver, determinam a terra dos sonhos das transnacionais em solo chinês dominado por homens da etnia dos HANs. Vamos a eles:

- Na China não existe aposentadoria e nem previdência pública. Cabe às famílias cuidarem dos seus entes idosos, não importa o quanto ele ou ela tenha contribuído para a riqueza da sociedade. Assim, os recursos do Estado podem ser gastos com as empresas de ponta que lá se instalam e mega obras de infra-estrutura.

- Falando em desenvolvimentismo industrial a todo custo, vê-se que o cuidado com os próprios recursos naturais não está em pauta entre os empresários com carnê do PCC chinês. Inspiram economistas do governo Lula como Dilma Roussef, atropelando populações originárias e ancestrais. A cegueira da acumulação capitalista impede ver que as riquezas naturais não renováveis são o maior patrimônio da segunda metade deste século XXI que recém inicia.

- O mesmo se dá na chamada “qualidade de vida” nos mega conglomerados urbanos. É sabido que a bolha imobiliária é a ante-sala da crise de lastro. Todos sabem que o crescimento vertical de uma cidade nunca é acompanhado do necessário crescimento submerso da mesma urbe. Ou seja, uma selva de pedra de arranha céus necessita de saneamento básico, água potável e transporte público. Com a liberação de carros e a implantação de novas indústrias muito poluentes nos arredores dos grandes centros, o ar da China é uma mescla terrível de poeira, névoa, neblina e gases tóxicos. Chuva ácida era o terror da adolescência que nos anos ‘80 vivia amedrontada com uma guerra nuclear. Hoje a guerra é contra a saúde dos povos.

- Um país que acena ao mundo como potência econômica não tolera a oposição política nem a diversidade midiática. Todos os grandes provedores de internet se renderam às exigências do governo de Beijing. Nada melhor para os magnatas da mídia e as empresas de telecomunicações hoje emitindo conteúdo e fornecendo bens simbólicos para o planeta. A carga de valores individualistas e estética única mundo afora pode, pensamento crítico na China dá em morte de quem o pratica.

- O mesmo Estado que mudara seu alfabeto, a mesma sociedade que enervada com sua elite dirigente proclamara a Nova Cultura e a proletarização absoluta, agora se dá ao luxo de omitir ao mundo a sua própria história, história que qualquer curioso da história chinesa sabe de cor. A cerimônia de abertura foi o placo globalizado de uma versão oriental de 1984 orwelliano. Os censores do Partido de Confúcio taxaram de Era da Vergonha o período caótico que fora do Império Ming até a liberalização econômica definitiva após o Massacre de Tian Amen. Para eles não houve Longa Marcha, nem Guomintang, nem Kowloon Street, nem Tríade, nem Ópio, nem ocupação japonesa, tampouco heroísmo dos Boxers, menos ainda o federalismo de Nanking, as conspirações do Partido Hung, guerras anti-britânicas onde os camponeses de Cantão enfrentavam as metralhadoras de peito aberto, nem cheiro das aldeias coletivas onde tudo era coletivizado ...e, a lista de omissões da história vivida na carne e pele de 25% da humanidade ocuparia várias enciclopédias. A Terra viu o que é apagar a memória coletiva na era das telecomunicações e do capitalismo digital. Prenúncios do que já está preponderando entre farra de consumo, frustração e censura.

- Trocar a História pela mercadoria individualiza as perspectivas de vida e fornece a solução de controle sobre uma população nacionalista e com desejos inconfessáveis de expansão. A historicidade de lugares como Shangai sofre ataques de todo tipo de especulação imobiliária urbana, sendo que os maiores corretores imobiliários também são afiliados do Partido de Confúcio! Exagero? Não, as fontes são abertas e basta verificar.

Podia seguir a lista de fatores, mas encerro por aqui. Reconheço que a cerimônia me surpreendeu pela mentira e omissão sistemática. Afirmo que aquele país e sua elite dirigente nada têm de igualitários ou coisa que o valha. Seu modus vivendi, além do modus operandi, é simplesmente o paraíso das transnacionais, portanto, o inferno em vida para os povos, incluindo mais de 70% de todas as 56 etnias que vivem sob a bandeira do Estado HAN. Abraçados como grandes amigos, Friedrich Hayek e Deng Xiao Ping rendem suas homenagens a Confúcio enquanto ardem em algum lugar obscuro, purgando suas almas dos males causados por suas idéias e ações sobre a vida de mais da metade dos seres humanos. A China é a mão esquerda dos EUA, até vir a se tornar as duas mãos de si mesma. Então veremos o epílogo da Globalização que a quase tudo desregula.

Data da publicação: 10/08/2008 20:03





O vereador pelo PMDB chaguista da zona oeste carioca, Jerônimo Guimarães, Jerominho, preso há alguns meses, ex-policial civil assim como seu irmão, o deputado estadual pelo DEM Natalino Guimarães, fazendo um intercâmbio prático entre a política fluminense e sua irmã mais velha nas AUC colombianas.
A autonomia política do crime no Rio

Bruno Lima Rocha

4ª, 06 de agosto de 2008; São Sebastião das Lágrimas do Rio de Janeiro

Ainda de passagem no Rio, me dei conta de um fato. A presença de áreas exclusivas da política, onde há controle da campanha para prefeito e vereadores, não é um fenômeno isolado. Resta fôlego para a mídia difundir e denunciar episódios. Mas pelo visto, o problema veio para ficar.

Comparo 2008 com o ano 2000, a última campanha carioca que acompanhei. Correu tudo na relativa tranquilidade negociada. Ninguém me contou, assisti com os próprios olhos. Atuava como alfabetizador voluntário em uma comunidade de favela na região central. Lembro de alguns candidatos subindo e descendo o morro à vontade, com tudo acertado antes. Em comícios e inauguração de obras locais, os "meninos do movimento" ficavam discretos, mas visíveis. Até secretário municipal apareceu por lá e foi tão bem recebido como nós educadores.

Em 2008 temos novidade na política. O acerto de votos passa a ser uma commodity.

O que as "milícias" de para-policiais fazem é controle territorial complementar ao Estado. Aprenderam com o tráfico, acostumado a defender e atacar favelas. Todo geógrafo sabe que um território inclui recursos, relevo, riquezas naturais e população. A autonomização de grupos paralelos, tanto de narcotraficantes do varejo (como o CV, TC, ADA e demais rachas), assim como dos chamados milicianos, era previsível. É comum buscarmos exemplos na Colômbia para comparar estas organizações criminosas. Nem precisava ir tão longe. No Grande Rio reside um exemplo de modus operandi adaptável para o controle político de população.

Na pesquisa para o artigo, encontrei a tese de doutorado de José Cláudio de Souza Alves, defendida na USP na pós de sociologia em fevereiro de 1998: “Dos Barões ao Extermínio: uma História de Violência na Baixada Fluminense” (leia a tese completa em Pdf). Nela, Souza Alves debate com detalhes e boa base teórica, o processo de autonomia e protagonismo político dos grupos de extermínio. Não precisa ser detetive para identificar matador-prefeito e vereador-bandido na Baixada. Nem especialista para ver que algo semelhante se daria na capital fluminense. Se todos sabiam, porque nada foi feito antes?

Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat

Data da publicação: 07/08/2008 17:19





O deputado Natalino Guimarães (DEM) é ex-policial civil e atesta a possibilidade real de colombianização da política brasileira

Os currais eleitorais no Rio de Janeiro

Bruno Lima Rocha

4ª feira, 30 de julho de 2008, São Sebastião das Lágrimas do Rio de Janeiro

Estou de passagem em minha cidade natal e me surpreendi com a campanha no Rio. Este artigo não aborda o fato da “esquerda” se encontrar fragmentada e com poucos vínculos populares. A preocupação analítica é com os currais eleitorais. Tecnicamente trata-se de regiões da cidade onde a livre escolha do direito ao voto secreto e individual é coagida por um poder que corre de forma paralela e complementar ao Estado. Em tese qualquer cidadão faria suas escolhas de acordo com incentivos, informação, convicções, empatias e outros fatores. Não é o que ocorre hoje na capital fluminense. Infelizmente, nada disso é novidade.

Sempre houveram poderes paraestatais na cidade. O mais antigo é o Jogo do Bicho. Sua convivência é relativamente pacífica sendo a co-gestão do carnaval carioca admitida pelo poder público. A partir da segunda metade dos anos ’80, o narcotráfico, organizado em redes de quadrilhas, tomou o lugar dos antigos “donos de morro”. Implantaram o controle territorial alimentado por uma economia importante para a renda do lugar. Ao contrário do Bicho, este poder exige a lealdade integral. Sai caro ser dissidente na favela. Na primeira metade dos anos ’90, contabilizei dezenas de lideranças comunitárias autênticas assassinadas todo ano. Dez anos depois e o Rio de Janeiro dá outro passo para a colombianização de sua política. O baixo escalão da segurança pública estadual, antes proibido de morar em favelas, se organiza no estilo paramilitar. Assim como as quadrilhas da Ilha Grande ganharam o apelido de “falange”, as forças parapoliciais recebem a alcunha de “milícias”.

Ambas as formações criminosas controlam de forma parecida. Agora ampliam suas redes buscando a representação política. Em tese, a comunidade “fecha com um candidato único”. Na verdade, os poderes locais apontam um candidato e nem se preocupam em comprar votos. Se o “líder” não for eleito, moradores sofrerão. A situação é séria. O momento não é de ação espetacular e mais violência policial. Ou os poderes constituídos apontam uma saída coletiva, ou o Rio será a Medellín brasileira.

Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat

Data da publicação: 07/08/2008 10:25





O Rio Santa Maria banha a entrada de Rosário do Sul e também atravessa os municípios de Cacequi, Livramento, Dom Pedrito, São Gabriel e Lavras do Sul. Antes era navegável em quase toda a sua extensão. Talvez não sobreviva ao ataque das papeleiras sobre seu leito.
A disputa pela faixa de fronteira

Bruno Lima Rocha

4ª, 23 de julho de 2008, Vila Setembrina dos guascas caídos em Porongos; Continente dos bravos de 1917; Liga Federal de La Victoria Heróica de la Batalla del M’bororé

A faixa de fronteira voltou à pauta política da província na 2ª feira 21 de julho. No plenarinho do parlamento estadual viu-se outro embate do destino do bioma Pampa e do Aqüífero Guarani. O seminário foi organizado pela Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados e trouxe posições a favor e contra a redução da faixa de 150 km da linha de fronteira. Nesta área, sob vigilância permanente das Forças Armadas (FFAA), é proibida a compra de terras por estrangeiros não residentes (pessoas físicas) ou empresas transnacionais de todo tipo. É o inverso do que ocorre no RS, quando a empresa sueco-finlandesa Stora Enso comprou terras e não tem a autorização do INCRA e nem do Conselho de Defesa Nacional (CDN) para executar os investimentos na área.

No Senado e na Câmara, tramitam projetos de políticos gaúchos para a redução. O senador e radialista Sérgio Zambiasi (PTB) é autor de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que reduz a faixa para 50 km. A emenda já foi aprovada nas comissões e pode ir a plenário. Dois deputados federais do PDT gaúcho defendem a redução. Vieira da Cunha é relator de ao menos três projetos tramitando na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional de ao menos três projetos. Um deles, o de Pompeo de Mattos, simplesmente propõe o fim da faixa! Se aprovado, cai toda a prerrogativa de soberania e controle do país quanto aos investimentos, comunicações e mineração. Quem conhece comportamento parlamentar sabe que é uma tática corriqueira. São apresentados projetos simultâneos e com margens de negociação. Um deles acaba emplacando.

Na interna do Ministério da Defesa, existem posições dissonantes. Enquanto o ministro Jobim defende a mudança das regras de redução e investimentos segundo a região, as FFAA não abrem mão da defesa do território. O problema é sério. No vizinho Uruguai, onde não existe faixa de fronteira e o Estado incentiva os investimentos externos no setor primário, estima-se que 36% do território uruguaio estejam em mãos de estrangeiros. Será que os brasileiros concordariam com isso?

Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat

Data da publicação: 24/07/2008 16:39





O advogado de defesa de Daniel Dantas e do Banco Opportunity, Nélio Machado, fez um verdadeiro comício em defesa da liberdade extrema e do descontrole geral sobre os capitais ciruculantes. Segundo ele, o delegado Protógenes Queiroz desconhece as estratégias empresariais e o linguajar utilizado.
Daniel Dantas, o espetáculo da desinformação e a cegueira institucional

Bruno Lima Rocha

Vila Setembrina dos Farrapos, 6ª 18 de julho de 2008

A prisão de Daniel Dantas, a primeira ocorrida no dia 8 de julho implicou uma crise visível no Poder realmente existente no Brasil. Nunca é demais ressaltar que Dantas é o dono do Banco Opportunity (de investimentos) e operador do caixa das privatizações volumosas iniciada no governo Fernando Henrique Cardoso e atualmente é pivô no imbróglio da fusão da Oi com a Brasil Telecom. Nesta grande operadora surgida com a fratira do Sistema Telebrás (estatal), é onde ele tinha sociedade e rivalidade de controle com o CitiGroup e a Telecom Itália, cuja diretoria por sinal responde processo pesado na Itália. Por outro lado, apresenta ao público receptor uma complexidade organizacional que escapa da compreensão da maioria daqueles que se atrevem a tentar entender e se posicionar quanto aos acontecimentos. A crise é intra elites, e respeita o modelo da baixaria ampla, total e irrestrita dos saques sistemáticos que acompanharam as “privatizações modernizantes” na América Latina, seguindo o padrão de Salinas de Gortari (México); Alberto Fujimori (Peru); e do imbatível Carlos Saul Menem (Argentina).

A dificuldade de informação é porque dificilmente se explicam fatores óbvios. Um deles é a cegueira institucional. Se um consumidor qualquer gasta um pouco mais no cartão de crédito, a operadora nos telefona e questiona, desconfiando que o cartão possa ter sido clonado ou roubado. O mesmo ocorre com cheques que movimentam um valor médio acima da quantia que este correntista costuma movimentar. Não há explicação plausível além da sujeira e do privilégio. No caso do cidadão como indivíduo consumidor no capitalismo, há vigilância. Em se tratando de grandes operadores de fundos de moeda digital, aí o Estado e o sistema bancário fica cego!?

Um fundo de investimento que trabalha no off shore é uma montanha volumosa de dinheiro, que tem correspondência na riqueza material produzida em sociedade, circula através de infovias digitais e fica depositado nos chamados “paraísos fiscais”. Os paraísos são “paradisíacos” porque cobram pouca ou nenhuma taxa para os valores que entram e saem de um país ou colônia, como é o caso das Ilhas Cayman, Bahamas e o vizinho Uruguai. Aí temos algumas possibilidades quanto à origem e trajeto dos fundos operados por tubarões do sistema financeiro como Dantas e Naji Nahas, maior doleiro operando no Brasil e que também foi em cana e logo saiu com as bênçãos da Suprema Corte.

1) O dinheiro tem origem lícita e foi movimentado vindo de contas lícitas compatíveis com os rendimentos médios de cada investidor. Mesmo com origem lícita, estes valores não pagam o devido valor de imposto, até porque saem do país sem ser taxados. A lei brasileira não permite que residentes no país apliquem em fundos off shore, não importando a origem da fonte.

2) O dinheiro tem origem ilícita e provém de desvios de fundos públicos ou então de dinheiro não passíveis de serem declarados. Neste caso, o dinheiro opera como fator de corrupção dos recursos do Estado e toma a infovia do mega operador off shore para se “legalizar” perante o sistema financeiro globalizado que também não paga imposto e não declara a titularidade dos correntistas e aplicadores.

3) Os chamados doleiros entram na lavagem, remessa e envio. O dólar, como moeda aceita em todo o planeta, torna-se um investimento seguro, tal como já o foi o padrão ouro ou a troca de diamantes em regiões de fronteira. Remessas ilegais e dolarizadas podem se dar através de contas de tipo CC5, onde se deposita em reais e o equivalente até US$ 10.000 não precisa ser identificada fora a titularidade da conta. Outra troca possível é a compensação em dólar de valores em reais, em espécie ou via transferência eletrônica. Caso muito comum em zonas de fronteira, uma “empresa” legal ou paralegal aplica em reais e a quantia equivalente em dólares fica garantida em uma conta bancária – com depósito em dólares, por exemplo, em alguma casa bancária de Punta del Este ou Montevidéu; ou na tríplice fronteira Foz do Iguaçu – Iguazu – Ciudad del Este.

4) Nos casos de entrada de fundos off shore no país, como as regras do Banco Central favorecem os investidores estrangeiros, quando um fundo de capitais brasileiros que saíram sem pagar o devido imposto (evasão de divisas e sonegação fiscal), entra de volta no país como fonte de investimento, mesmo sendo proibida para residentes no Brasil (gestão fraudulenta). Nenhum brasileiro residente (ou naturalizado residente) pode investir no país como “estrangeiro”. Portanto os off shore com titularidade de nacionais não podem compor consórcios nem participar do mercado de ações ou da ciranda financeira nacional. Como entram na figura de “fundos estrangeiros”, nada lhes acontece.

5) Nas grandes operações de compra, fusões e aquisições do patrimônio público ou ataques às empresas médias visando a concentração econômica, entra o Estado que “empresta” dinheiro a fundo perdido. Na maior parte das vezes, como na fusão da Brasil Telecom com a Oi, na verdade a compra pelo consórcio Telemar dos espólios da Brasil Telecom, a origem das verbas vem quase sempre do caixa federal. A gestão fraudulenta pode ser através de “empréstimos” do Banco do Brasil; do BNDES ou da composição nos consórcios dos fundos de previdência de servidores. Estes fundos operam em torno de R$ 700 bilhões ano (cerca de R$ 350 bilhões de dólares) e são usados de forma discricionária, através de “gestores” de confiança dos consórcios interessados e com enlaces nos governos de turno.

6) Ainda mais grave é o fato de que órgãos supostamente controladores do capitalismo brasileiro nunca tenham visto nada. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) teria de fiscalizar movimentação em bolsa; o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), órgão do Ministério da Fazenda deveria fiscalizar e operar como unidade de inteligência financeira vigilante sobre a lavagem de dinheiro; o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), órgão do Ministério da Justiça deveria justamente fiscalizar as fusões e tentar brecar a concentração econômica. O caso mais absurdo é o da fusão da Brahma com a Antarctica, que gerou a Ambev e depois os operadores do Banco Garantia, controladores da então maior cervejaria do Brasil, a vendeu para o controle dos belgas da Interbrew, gerando a Imbev e desnacionalizando a cadeia da cerveja; o próprio Banco Central que disse apenas “fiscalizar” as pessoas jurídicas e não os operadores individuais, correntistas e aplicadores. Ou seja, é uma seqüência de cegueira sistêmica, fato esse que não é passível de crença por nenhum brasileiro.

Já dizia o informante do Caso Watergate. Siga o dinheiro e terás as autorias. Se quem exerce a função de seguir o dinheiro e não o segue, então ninguém segue e nada acontece. Quando se promove uma investigação de vulto e monta, como as operações Chacal (outubro de 2004) e Satiagraha (julho de 2008) – de desmonte, por parte da Polícia Federal, de uma força de espionagem industrial operando sobre governos eleitos e autoridades dos poderes constituídos - os benefícios da lei que asseguram o Direito (justo e legítimo) da ampla defesa, o constrangimento sobre os operadores da lei são mais fortes do que a pressão legal sobre os corsários da ciranda digital. Como corsários, a forma de coação e de “concorrência” empresarial implica em ações de tipo tráfico de influência; chantagem; corrupção ativa; coação; espionagem industrial e infiltração no aparelho de Estado. Sobre este tema, que é o irmão gêmeo das aventuras de capitalismo financeiro, abordo em nota seguinte.

Enquanto a Polícia Federal explicita suas divergências e rachas internos, a mídia nacional esfria o tema Daniel Dantas, o leitor mediano pouco ou nada compreendeu porque dele ter sido preso. E, em plena calçada, o advogado de defesa do Opportunity, Nélio Machado, faz comício na frente do PF Hilton, a sede da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, defendendo as estratégias empresariais como fundamentais para o desenvolvimento do país. O país de quem?

Este artigo foi originalmente publicado no portal do jornalista Claudemir Pereira.

Data da publicação: 19/07/2008 10:19





O delegado federal Protógenes Queiroz segue a sina de Serpico na terra do engarrafamento. O artigo foi escrito antes do pedido voluntário de afastamento compulsório.
A Operação Satiagraha e a crise institucional

Bruno Lima Rocha

4ª, 16 de julho de 2008, Vila Setembrina dos Farrapos trocados pelo preço do charque; Continente da Província do Eucalipto; Liga Federal de los Pueblos Libres y no de los soyeros

A Operação Satiagraha, encabeçada pelo delegado federal Protógenes Queiroz, aponta uma crise institucional incipiente. Tudo porque as estruturas de poder brasileira não convivem tranquilamente com a possibilidade de punir a sua própria elite.

Através de breve leitura do noticiário podemos ver o tamanho do problema. Basta observar: a equipe da operação atuou bem apesar de parte da direção da Polícia Federal estar em contra; esta equipe requisitou a ajuda de agentes da ABIN por fora dos mecanismos formais; o presidente do STF, Gilmar Mendes, é contestado por seus pares sendo que até uma chance de impedimento paira sobre sua cabeça; o chefe de Gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, fala com naturalidade com um ex-parlamentar a respeito de possível operação de vigilância sobre um alvo de investigação federal; vários congressistas se manifestaram de forma indignada contra o uso de algemas e a pirotecnia pela PF, mas nada pronunciaram quanto ao volume de divisas que evadiram do país. Poderia listar outras dezenas de choques e contradições dentro dos poderes da república, mas os casos acima ilustram o suficiente.

Ao contrário de outros analistas, vejo estes momentos como benéficos. É uma pena que o país não aproveita as situações limite para fazer uma lavagem intestinal. Em outros países latino-americanos, como na vizinha Argentina, a exposição pública das investigações possibilitou o choque necessário para a contestação de um modelo econômico que aposta no descontrole quase total dos grandes operadores político-financeiros. Qualquer agente econômico fora de vigilância fará de tudo para maximizar ganhos e diminuir perdas. Muitas vezes, ultrapassam qualquer limite.

Nenhuma Satiagraha seria necessária se a Operação Chacal, cujos alvos, dentre outros, eram o Banco Opportunity e a empresa de investigação Kroll Associates, tivesse levado a um julgamento conclusivo. Infelizmente de 2004 para cá muita água rolou debaixo da ponte. Nada efetivo o bastante para diminuir o descontrole na disputa corporativa dentro de um jogo sem regras.

Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat

Data da publicação: 16/07/2008 23:57





Orson Welles profetizou na sua obra magistral Cidadão Kane o fenômeno que estava por vir na pós-modernidade da Terra de Santa Cruz. Só não previa o diretor estadunidense que seu personagem iria encarnar em centenas de coleguinhas portando a carteirinha da Fenaj. Que vergonha pro seu Hipólito.
A norma do PODER e o campo jornalístico no Brasil

Vila Setembrina dos Farrapos, escrito em 11 de julho de 2008 e revisado no domingo 13 de julho

O fato jornalístico da prisão do banqueiro Daniel Dantas, do especulador Naji Nahas e do ex-prefeito malufista de São Paulo Celso Pitta apresentam um padrão de anomalia de análise da política brasileira. Explico a crítica.

Se o caso aborda a maior disputa do capitalismo brasileiro posterior a eleição indireta de José Sarney no colégio eleitoral, em março de 1985, pois então o caso deveria ser explicado de forma sistêmica e não pontual. Outra coisa. Com o advento das assessorias de imprensa, ficaria explícita a distinção de repórter (proativa, fuçando o furo, atrás de prêmio Esso e cia.) e assessoria de comunicação (reativa, defendendo os interesses do cliente). Ficaria, certo?! Errado, o campo jornalístico, a princesa e prima dona da Mídia como um todo, tem estatuto de verdade e a verdade factual poucas vezes é estatutária. Não há discurso-síntese que reflita a análise que fazemos abaixo. Não há discurso-síntese que suporte a mera análise descritiva dos fatos, de forma cumulativa. Ou seja, A MÍDIA COMERCIAL E CORPORTAIVA BRASILEIRA SALVO RARAS EXCEÇÕES MENTE, DISTORCE, COMPLICA, NÃO EXPLICA E OMITE SISTEMATICAMENTE. Portanto, quando nem o factual sobrevive, que agoniza é o nobre de ofício de Informar e depois Opinar. Que Luigi Rossetti guarde a alma e a pena na bela confraria conjunta com João Sem Medo Saldanha e Rodolfo Walsh! Isto lá, por que cá embaixo, vale a ladainha do sertão da Canudos afogada pelos milicos apavorados do mito de Bom Conselho:

“Cruz credo, Ave Maria, quanto mais eu rezava, assombração me aparecia!”

Certa vez escrevi aqui que mataram o lide e desovaram o defunto comunicacional em algum beco de favela carioca. Aqui, mataram a verdade factual. E, assassinaram o interesse jornalístico, subordinando-o ao interesse das corporações financeiras e igualmente midiáticas. Vivemos a crise de confiabilidade e a mídia comercial vive esta crise intensamente, já façtam leitos nos CTIs privados dos comunicadores com brevê de jornalistas na República da Ganbiarra.

Voltando à Operação budista tupiniquim, Dantas é ecumênico como operador de coação política. Corrompe e é corruptor de todos os matizes políticos que já passaram pelo Planalto nos últimos 14 anos, seu sócio Naji Nahas é uma criatura fruto do brilho das madrugadas do Milagre Econômico e conseguiu até quebrar uma Bolsa de Valores. Claro que não fez e não fazem nada sozinhos. Óbvio que neste nível de volume e de interesses em jogo, entra o núcleo do poder exercido no Brasil. O PODER mesmo, além do governo de turno, muy más allá que a Suprema Corte Lulista Menemista do Brasil. E, o PODER mesmo, ou ele é destrinchado, analisado, decifrado, ou então o leitor mediano jamais compreenderá absolutamente nada.

E, se o leitor mediano não entender porque Dantas foi preso, jamais entenderá nada do que passa por trás das mesas e corredores de Rio – São Paulo – Brasília. Infelizmente, os craques do ofício da reportagem que pauleiam Dantas, Najas, Pitta e cia trabalham em veículos cujos interesses são estrategicamente opostos aos do chamado Sistema Dantas de Comunicações e de Telecomunicações. Este fato anula o belo trabalho que fazem? Não. Este fato abala em parte a credibilidade no campo jornalístico? Sim.

Difícil é assumir dando fé pública de que as formas que se processam as relações de poder no Brasil, além de confluir as estruturas ideológicas – políticas – econômicas, suas “regras”??? levam em conta os processos REAIS (e com regras de vale tudo salvaguardando algumas aparências) e subordinam os processos formais. Em termos teóricos, é isso o que ocorre. Paulo Henrique Amorim afirmou que Daniel Dantas venceu porque corrompera o sistema inteiro: Judiciário no Supremo, Executivo (no governo atual e no anterior), Legislativo (sua bancada é ecumênica), Policial (em parte da elite policial brasileira) e, infelizmente, não apenas algumas empresas de comunicação, mas uma parcela significativa dos mais conceituados profissionais da comunicação social em formato de “JORNALISMO” na democracia de mercado brasileira.

Para saldar esta dívida, a sociedade deve exercer uma profunda e direta lavagem de roupa suja, escaldar seus gatos pretos e olhar nas entranhas do PODER real. Daniel Valente Dantas (um vitorioso da jogatina financeira e a pirataria das telecomunicações) é executor destas políticas, não é o único, mas como agente econômico-político, pode abalar o país inteiro.

Este artigo foi originalmente publicado no portal de Claudemir Pereira

Data da publicação: 13/07/2008 11:20





Adílson Troca, deputado tucano da base de Rio Grande, erra nas concordâncias e tem competência no ato de abafar possíveis indiciados na fraude que atirou no limbo a falsa mística da classe política do pago
A CPI do Detran-RS acabou em nada

Bruno Lima Rocha

4ª, 09 de Julho de 2008, Vila Setembrina, no dia seguinte em que Daniel Dantas, Naji Nahas e Celso Pitta foram presos, no dia anterior em que os mesmos foram soltos

É incrível como a política no Brasil tem virada de posições. Até o dia 11 de junho a governadora Yeda Crusius estava a perigo de sofrer impedimento. Menos de um mês, regozija com o final da CPI do Detran-RS que dera em nada. O motivo foi o impasse político. Este, ou gera o não governo ou mantém as coisas como estão. Deu a segunda opção.

O remédio amargo do DEM, PSDB e PSOL aplicaram no PT e sua base aliada no Congresso, no pago foi ao contrário. Houve um relatório paralelo, lido pelos deputados estaduais petistas Elvino Bohn Gass e Stela Farias. Neste, pediam o indiciamento da governadora e também de José Otávio Germano (dep fed. PP-RS e ex-secretário de segurança) e João Luiz Vargas, ex-presidente do TCE e membro do PDT, dentre outros. O partido de Brizola, que perfilava ao lado da legenda de José Dirceu, retirara seu time do ataque. Não apenas largou o PT sozinho na CPI como atirou para todos os lados. Ao declarar o voto em separado, mas com o relator, o deputado Paulo Azeredo (PDT) afirmara que ia propor o indiciamento de todos os governadores, secretários de segurança e presidentes do Detran desde 1997. O factóide político saiu do forno no último dia dos trabalhos e não passara de recurso discursivo.

No relatório final da CPI, o placar foi de 9 x 3 para o governo Yeda, com o PT votando solitário com o DEM contra o relator Adílson Troca (PSDB). As 425 páginas apontam para nada. Nenhum foro privilegiado entrara, portanto, nenhum membro ou ex-membro do governo Yeda. Apenas um nome além daqueles que já são réus na Justiça Federal. Além da chapa-branca, uma manobra com estilo de trapalhada na processualística gerou o fato político para pôr o partido de Tarso nas cordas. O relator anexou documentos que não haviam sido protocolados na CPI e apontava as baterias para os anos de governo Olívio Dutra, e depois teve de retirá-los na conclusão. Por fim, Troca ao menos foi sincero. Declarou que todas as CPIs são “negociadas” e que não iria abafar ninguém, a não “esses dois” nomes! Precisa dizer algo mais?

Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat

Data da publicação: 10/07/2008 15:11





Banqueiro, mega investidor e operador contumaz dos jogos ocultos, Daniel Dantas é acusado até de espionagem. Tamanha versatilidade, jamais fora usada para algo além de acúmulo de poder e riquezas por meios lícitos, mais ou menos ilícitos e totalmente ilícitos.
O Pensamento e a Crítica econômica vivem e falam nesta página

Esta Nota é breve e nem será indexada na obsessiva marcha rumo ao lattes nosso de cada dia, todo dia, várias vezes ao dia. Brincadeiras pós-graduandas à parte tenho o orgulho e o prazer de chamar aqui em cima para os artigos da parte debaixo do portal.

Duas entrevistas fecundam a crítica econômica e a peleia braba contra a econometria filosófica – as premissas do modelo matemático do neoliberalismo abundante no Brasil. A última conversa por correio eletrônico foi com o economista José Carlos de Assis, abordando o absurdo das operações de Swap e Swap Reverso, operadas nas gestões de Armínio Fraga e Henrique Meirelles. Logo abaixo consta João Pedro Casarotto, contador e fiscal de tributos aposentado com ficha limpa e que é o paladino gaúcho dos gaúchos que sobram de pé e cavalgam. Casarotto aceitou a tarefa de ouvir a própria consciência e se expôs ao Rio Grande, atacando a farsa do empréstimo do Banco Mundial para o caixa do Piratini.

Como todo exercício comparativo é interessante, enquanto José Carlos de Assis, mesmo sendo um crítico da política econômica, tem espaço na mídia especializada, Casarotto aqui no pago peleou para falar o que todos sabem e ninguém diz. Sendo fiel aos fatos, Marco Aurélio Weissheimer (rsurgente) postou as notas de João Pedro, como costuma fazer. No mais, são apenas exceções daqui da Província do Eucalipto.

Mas, há momentos de alegria entre os grandes empreendedores da economia brasileira. Escrevo estas palavras cerca de 18 horas após haver lido da prisão de Daniel Dantas, Naji Nahas, Celso Pitta dentre outros. Para não parecer que estamos embarcando na onda da pauta da grande mídia, lhes convido a visitar esta mesma página, bem em seus inícios e ler esta nota e mais esta, dentre outras.

Boa leitura a todas e todos. O país que gerou Celso Furtado agradece.

Data da publicação: 09/07/2008 01:54





O promotor Gilberto Thums tomou à frente e deu a cara na mídia estadual como sendo o algoz do MST no Rio Grande
O MST e a agenda política gaúcha

Bruno Lima Rocha

4ª, 02 de julho de 2008; Vila Setembrina da capital esquecida do Rio Grande antigo; Continente dos bravos do cacique Bagé; Liga Federal Artiguista

No Rio Grande a agenda política foi da corrupção estrutural para a ameaça do MST ao Estado de Direito. Na 5ª 26 de junho, o Programa Frente a Frente (TVE-RS) expôs o pensamento de um promotor que defende a dissolução do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Gilberto Thums é o autor do voto-relatório, aprovado por unanimidade em reunião “de caráter confidencial” do Conselho Superior do Ministério Público do RS, realizada em 3 de dezembro de 2007. O relatório se apóia no “trabalho de inteligência” feito por dois promotores durante seis meses. Ali se constatava os vínculos com as FARC e o treinamento de guerrilha. Simultaneamente em 2007 a Polícia Federal investigou o movimento e concluiu o contrário.

Thums aponta em seu trabalho (16315-09-00/07-9) alguns encaminhamentos: desconstituição do MST como “movimento legítimo de reivindicação (Fls. 107); declarando-o ilegal e quebrando o vínculo com a Via Campesina e sua legitimidade em negociar com o poder público (Fls. 108-109); apontar uma equipe de promotores para promover uma Ação Civil Pública com vistas a executar as indicações acima, não havendo necessidade de investigar além do que foi apurado (Fls.110). O “segredo” acabou em 16 de junho, no auge da crise política, quando uma petição de 20 laudas contra o MST chega ao juiz da comarca de Carazinho e é despachada no mesmo dia. Anexados como provas para a denúncia, constavam o trabalho de Thums e um relatório do serviço reservado da Brigada Militar.

Esta “guerra fria” foi apontada pela editora de Opinião do Valor Econômico. Segundo Maria Inês Nassif, “O MPE aciona a Justiça usando um discurso ideológico; um juiz decide em favor da preleção dos promotores; a Brigada militar responde prontamente às ordens judiciais”. De sua parte, Gilberto Thums na entrevista televisiva elogiara a governadora Yeda Crusius, dizendo que “ela não prevarica, nunca desautoriza uma ordem da Justiça”.

No jogo real da política, a luta pelo controle da pauta define onde é o alvo da vez.

Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat

Data da publicação: 03/07/2008 11:20





Bastaria um fato contábil de duvidosa explicação – todavia não apresentado - para que esta bela casa no bairro Chácara das Pedras, zona norte de Porto Alegre, se transformasse na Casa da Dinda da Província do Eucalipto.
A crise no Rio Grande e o arsenal necessário contra Yeda

A maior possibilidade que a oposição estadual – situação no plano federal - ainda tem para derrubar a governadora Yeda Crusius é obter uma prova material que ligue sua pessoa física aos desvios e mal uso de verbas públicas. Relatório paralelo, manobras midiático-judiciais, tudo isso é secundário. A CPI finda aos poucos e com o mesmo labirinto da CPI dos cartões corporativos. Tanto lá como cá, o relatório sai oficialista e a bancada oposta grita como pode. O problema de fundo é conseguir uma prova material contra Yeda Crusius. Até agora, tudo não passa de especulação. É preciso aparecer algum dado de movimentação bancária, um depósito, um cheque, ou algo por estilo. Se este dado for um cheque em torno de R$ 2 milhões de reais assinado por alguém do quilate de Delson Martini, eis a abertura do caminho para sua queda.

O cheque famoso esse, ou o depósito bancário, não precisaria necessariamente ser para Yeda. Se for de alguma pessoa física ou jurídica de relação direta com a governadora, destinado para uma conta bancária sob controle de Eduardo Laranja da Fonseca. Como se sabe, o empresário da construção civil, dono da Self Engenharia, era proprietário da atual residência de Yeda Crusius. Em tese, a casa teria sido comprada por R$ 400 mil; outras teses levantam o valor da casa de R$ 750 mil. De qualquer modo, estes valores não passam de um terço do valor real de mercado imobiliário para o mesmo bairro e rua. No bairro Moinhos de Vento, alguns apartamentos alcançam o valor de R$ 2 milhões. Uma casa na mesma rua é avaliada por cerca de R$1,3 a R$1,5 milhão. A difusão de uma peça midiática, com a escritura – documento de fé pública – da casa de Yeda comparada com uma casa vizinha e dotada das mesmas benfeitorias seria fundamental. Porque até agora não foi feito, é mais um mistério da trama Planaltina com o Piratini. Em suma, haveria de perguntar para Tarso Genro, homem forte do RS no Planalto.

Voltando ao tema da compra da casa, o ex-proprietário Eduardo Laranja da Fonseca é dono da Self Engenharia, e assim como a maioria dos médios e grandes empresários gaúchos, faz parte do time dos devedores da Receita Estadual. Portanto, o fato contábil dele estar em dívida com o fisco estadual pode ser de mão dupla. Se a meta é atingir Yeda, acabaria alcançando Paulo Afonso Feijó também. Tampouco existe evidência de dívida de Feijó, nada tão constrangedor como o engavetamento da cobrança – portanto o calote regimental – assinado pelo poder público beneficiando ao ex-proprietário do Correio do Povo, Renato Ribeiro.

O brete para o Piratini e seu Gabinete de Crise está na difusão do calote. Se alguém da Receita vaza a lista da dívida ativa, com nome, CPF e CNPJ dos caloteiros, Federasul, Fiergs, Farsul e Fecomércio-RS veriam suas bases de empreendedores desesperados com a difusão do nome dos devedores para os cofres do RS. É impasse anunciado e portanto, duvido que o tema da dívida empresarial seja utilizado.

Como o esquema das sistemistas obriga a bancada de “esquerda” a denunciar todo o entorno de Yeda, é óbvio que a bomba atinja o colo do PDT, aliado circunstancial e provisório do PT RS, mas cuja aliança momentânea não poupa a atuação de João Luiz Vargas no Tribunal de Contas do Estado. Se o esquema da aliança de governo implica sociedade política e de negócios, a presença do ex-prefeito de São Sepé na presidência do Tribunal de Contas implica na “parceria” dele, através de seu filho, Eduardo Wegner Vargas, operando na ala de Ferst das sistemistas. Pressionar Vargas pode ser uma forma de atingir a Pensant, e a partir daí cairia a Província toda. O efeito contrário é retirada do PDT da linha de ataque na CPI. Não é coincidência que a legenda herdeira de Brizola assina junto às siglas que compõem o Gabinete de Crise de Yeda, o requerimento para abrir uma “Comissão de Representação Externa”, o embrião de uma CPI voltando os holofotes contra o MST. Isto faz a alegria da mídia comercial gaúcha e livra Yeda dos constrangimentos.

Esta nota foi reescrita especialmente para ser publicada na Agência Chasque.

Data da publicação: 30/06/2008 23:39





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Este livro disseca, com precisão cirúrgica, um tema muito pouco estudado de verdade, apesar de todo o estardalhaço impresso nos principais jornais e revistas do país. Nele, o autor prova e comprova que o que foi tratado como uma exceção não passa de uma atividade corriqueira de uma das estruturas de vigilância do governo da União. Estrutura esta (a continuidade do Sistema SNI) que, malgrado maquiagens superficiais no cenário e figurino, nunca deixou de existir.

Este livro está a disposição no site da editora Só Tese.

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