Estratégia e Análise
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Da contra-informação ao pensamento único neoliberal: conceitos de crítica à indústria da mídia

O trabalho (1) tem como objetivo apontar conceitos operacionais para a crítica da indústria midiática, fazendo uma aproximação entre duas áreas de análise politicamente opostas, embora com epistemes semelhantes. Trata-se do diálogo entre o conceito de fabricação do consenso tolerável pelas regras hegemônicas, tendo como base as idéias pensáveis de Noam Chomsky, e a análise estratégica em sentido pleno. Para trabalhar estratégia, parte-se dos conceitos de um operador militar clássico, o general Golbery do Couto e Silva, dentro de seu modelo de análise com níveis de incidência e subordinação do método ao objetivo finalista, onde as indústrias culturais enquadram-se no nível psicossocial de atuação. Tal paradigma terá presença ao longo do artigo. Destacam-se alguns conceitos básicos para discutir a crítica à mídia hegemônica, partindo da caracterização do nível e seus macroambientes de operação.

crítica da mídia – fabricação do consenso – análise estratégica – níveis de análise – incidência – inteligência – contra-informação
26/01/2008 11:44
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Controle E Disputa Pela Democracia Na Comunicação Social

Este artigo analisa o estado atual da mídia brasileira em relação à influência das empresas que constituem os meios de Comunicação no Brasil e a participação dos movimentos pela democratização do setor, buscando contribuir para o debate teórico e de perspectivas para uma melhor atuação por parte dos ativistas de comunicação comunitária, assim como do conjunto do movimento popular. Parte de uma pesquisa bibliográfica e documental, além da análise de dados recentes sobre o setor, que busca evidenciar a importância da constituição de políticas públicas democráticas para o favorecimento do empoderamento popular em nosso país.

Políticas de Comunicação; Democratização da Comunicação; Mídia Brasileira; Empoderamento Popular; Radiodifusão Comunitária.
16/01/2008 13:17
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Ricardo Palma

Ricardo Palma Enfrentou muitas lutas, não apenas por sua própria sobrevivência, como pela preservação da cultura de sua pátria. Com suas lutas acabou definiu seu estilo, a prosa e o testemunho, relatos verídicos mesclando co um pouco de fantasia, elemento sempre presente na memória daquele povo. Ele acreditava que a oralidade de seu povo era a principal intérprete de sua história, e ele estava certo. Era um grande tradicionalista. Um trecho de sua obra:

 

“(...) Concluía el año de 1550, y era alcalde de la villa (Villa Imperial de Potosí) el licenciado don Diego de Esquivel, hombre atrabiliario y codicioso, de quien cuenta la fama que era capaz de poner en subasta la justicia, a trueque de barras de plata.

Su señoría era también guloso de la fruta del paraíso, y en la imperial villa se murmuraba mucho acerca de sus prapisondas mujeriegas. Como no se había puesto nunca en el trance de quel el cura de la parroquia le leyese la famosa epístola de San Pablo, don Diego de Esquivel hacía gala de pertenecer al gremio de los solterones, que tengo para mi constituyen, si no una plaga social, una amenaza contra la propiedad del prójimo. Hay quien afirma que los comunistas y los solterones son bípedos que se asimilan.”

“Las Orejas del Alcalde – Crónica de la época del segundo virrey del Perú”, publicada pela primeira vez em 1873, no El Coreo del Perú.

Ricardo Palma, biografia, Peru
05/05/2008 11:53
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Victoriano Lorenzo

O líder indígena, involucrado na Guerra Civil entre os partidos Liberal e Conservador, é mais um caso clássico de vontade popular manipulada por interesses oligárquicos. É a prova viva do exemplo de que massas em disponibilidade, identidade popular e ancstral, mesclada com a defesa da posse e do uso da terra natal, formam uma combustão popular quase incontrolável.

 

Victoriano é um personagem histórico, material, sua carne queimada no fuzilamento de um traidor da oligarquia, portanto, fiel ao povo, é digno de livro de Gabriel García Márquez. Seu Panamá e sua província de Chiriquí, o orgulho cholo, é tão presente no istmo da porta do mundo como em uma zamba cantando “cholita santiagueña, cholita salteña”.

 

A sabedoria política dos cholos surge da necessidade de protagonismo popular e programa político compatível com as identidades e culturas ancestrais e mestiças; com a carga de informações que exigem a formação de conceitos diretos, formando o arcabouço teórico-metodológico geradores de ideologia de câmbio a partir do distributivismo com os dois pés fincados no campo nacional-popular.

 

Victoriano Lorenzo é parte da história nossa, desconhecida de nós mesmos; é o outro lado da política do Porrete Grande – Palo Largo – Big Stick; é a versão centro e latino-americana do lado B do protetorado do Império a partir de Miami e da famigerada Escola Panamá (extinta). O orgulho chiriqueño passa pela carne dos cholos de Victoriano.

 

Palavras-chave: Panamá - guerra civil colombiana (Liberal-Conservador) - cholos - chiriquí - criação do istmo

Panamá - guerra civil colombiana (Liberal-Conservador) - cholos - chiriquí - criação do istmo
17/03/2008 09:46
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Com este texto procuramos aportar uma subseção da página. Diz respeito aos NOSSOS clássicos de política, aquelas palavras recheadas de conteúdo e que foram elaboradas ao calor da hora, no momento mesmo de luta direta e formação das nacionalidades e da idéia republicana na América Latina.

Elevamos à altura justa e merecida de clássicos da política ao pensamento vivo dos operadores da política comprometida de certa forma e adequado ao seu tempo, com os mesmos princípios desta página.

Para não nos confundirmos com o papel principal da política, que é a operação sobre o mundo real, esta página vai expor textos originais do pensamento político e estratégico latino-americano até o ano de 1945.




Palma soube fazer sua obra sobreviver ao cenário incerto de seu país, exatamente por ter-lhe dado como guia e base a linguagem popular.
Ricardo Palma

Ricardo Palma Enfrentou muitas lutas, não apenas por sua própria sobrevivência, como pela preservação da cultura de sua pátria. Com suas lutas acabou definiu seu estilo, a prosa e o testemunho, relatos verídicos mesclando co um pouco de fantasia, elemento sempre presente na memória daquele povo. Ele acreditava que a oralidade de seu povo era a principal intérprete de sua história, e ele estava certo. Era um grande tradicionalista. Um trecho de sua obra:

 

“(...) Concluía el año de 1550, y era alcalde de la villa (Villa Imperial de Potosí) el licenciado don Diego de Esquivel, hombre atrabiliario y codicioso, de quien cuenta la fama que era capaz de poner en subasta la justicia, a trueque de barras de plata.

Su señoría era también guloso de la fruta del paraíso, y en la imperial villa se murmuraba mucho acerca de sus prapisondas mujeriegas. Como no se había puesto nunca en el trance de quel el cura de la parroquia le leyese la famosa epístola de San Pablo, don Diego de Esquivel hacía gala de pertenecer al gremio de los solterones, que tengo para mi constituyen, si no una plaga social, una amenaza contra la propiedad del prójimo. Hay quien afirma que los comunistas y los solterones son bípedos que se asimilan.”

“Las Orejas del Alcalde – Crónica de la época del segundo virrey del Perú”, publicada pela primeira vez em 1873, no El Coreo del Perú.


por: Pesquisa: Daniela Soares, Revisão Bruno Lima Rocha
Data da publicação: 05/05/2008 11:53
Palavra-chave: Ricardo Palma, biografia, Peru
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Victoriano Lorenzo pertencia à classe do campesinato istmenho relacionado intimamente com os povos indígenas da etnia buglé, da qual provinha, estabelecida principalmente em Veraguas e Coclé.
Victoriano Lorenzo

O líder indígena, involucrado na Guerra Civil entre os partidos Liberal e Conservador, é mais um caso clássico de vontade popular manipulada por interesses oligárquicos. É a prova viva do exemplo de que massas em disponibilidade, identidade popular e ancstral, mesclada com a defesa da posse e do uso da terra natal, formam uma combustão popular quase incontrolável.

 

Victoriano é um personagem histórico, material, sua carne queimada no fuzilamento de um traidor da oligarquia, portanto, fiel ao povo, é digno de livro de Gabriel García Márquez. Seu Panamá e sua província de Chiriquí, o orgulho cholo, é tão presente no istmo da porta do mundo como em uma zamba cantando “cholita santiagueña, cholita salteña”.

 

A sabedoria política dos cholos surge da necessidade de protagonismo popular e programa político compatível com as identidades e culturas ancestrais e mestiças; com a carga de informações que exigem a formação de conceitos diretos, formando o arcabouço teórico-metodológico geradores de ideologia de câmbio a partir do distributivismo com os dois pés fincados no campo nacional-popular.

 

Victoriano Lorenzo é parte da história nossa, desconhecida de nós mesmos; é o outro lado da política do Porrete Grande – Palo Largo – Big Stick; é a versão centro e latino-americana do lado B do protetorado do Império a partir de Miami e da famigerada Escola Panamá (extinta). O orgulho chiriqueño passa pela carne dos cholos de Victoriano.

 

Palavras-chave: Panamá - guerra civil colombiana (Liberal-Conservador) - cholos - chiriquí - criação do istmo


por: Alexis Rodríguez
Data da publicação: 17/03/2008 09:46
Palavra-chave: Panamá - guerra civil colombiana (Liberal-Conservador) - cholos - chiriquí - criação do istmo
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Os atuais municípios de Porto Calvo, Maragogi (foto) e Jacuípe carregam em si as marcas olvidadas da gênese constitutiva das modernas rebeliões populares de Alagoas. A beleza deslumbrante viu na retaguarda de suas matas a epopéia da outra fundação da província


A Rebelião Cabana alagoana-pernambucana (1832-1836), estendida até 1850

O episódio cabano das Alagoas, na verdade no norte de Alagoas e sul de Pernambuco, inaugura uma nova fase nos Clássicos. Além dos personagens e primeiros escritos políticos, vamos buscar na gênese das lutas populares brasileiras as raízes nunca abordadas de forma integrada e coletiva. A Cabanada alagoana é mais um exemplo de luta coletiva, com ares de epopéia, constitutiva da formação alagoana, promotora de unidade de classes oprimidas e forjadora de um significado distinto para o território daquela então província. Na seqüência consta a pesquisa feita pela colaboradora do portal, a acadêmica de história Daniela Soares, onde encontrou um bom artigo a respeito desta luta quase desconhecida para o conjunto dos brasileiros. Se fica a crítica para o trabalho exposto, é seu viés economista em excesso. Mas, a pesquisa em si já é mérito. Em cada rincão do país existem lutas e episódios políticos e sociais que, se apresentados em contesto distinto, formam um novo discurso generalizante. Esta é uma das missões da página, rendendo desde já o reconhecimento para o historiador alagoano Dirceu Lindoso. Foi pelas palavras dele, com o livro A Utopia Armada, onde a luta protagonzada pelos negros papa-méis, herdeiros diretos do Quilombo de Palmares, ofereceram a este analista possibilidade de se dar conta do óbvio. A luta desses cabanos é continuidade do ambiente político da insurreição de 1817, fato que leva à emancipação política de Alagoas, desvencilhando-se de Pernambuco. Construção que não pode ser vista de forma picotada. História mal contada é trajetória incompreendida.

 


por: Vicente Paula Ferreira e cia
Data da publicação: 03/12/2007 13:13
Palavra-chave: Cabanada – rebelião popular da regência – alagoas/pernambuco – papa-méis – rebeliões regionais brasileiras - nordeste
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Confrontando soldados portugueses, tropas leais do Rio de Janeiro e mercenários navais ingleses, a massa cabana defendera a independência do Grão-Pará e o controle da Amazônia por seus moradores integrados ao meio natural.

 

 

 

 


Eduardo Nogueira Angelim (Aracati, 6 de julho de 1814 - 20 de julho de 1882) -mártir Cabano

A Cabanagem foi a revolução popular da Amazônia. Pioneira na sublevação de indígenas, na fusão cultural típica do que hoje é conhecido como a regionalidade paraense, demarcou um Brasi amazônico com identidade e anseios próprios. Infelizmente, como na maior parte das rebeliões e revoluções do período do 1º reinado e regência, a Cabanagem tinha uma direção heterogênea e vacilante. Tanto é, que como um padrão de comportamento político, todas as elites políticas rebeldes vacilaram perante as negociações imperiais. Mesmo com as contradições, a revolta do povo das cabanas na beira dos rios igarapés e igapós marcou um princípio de poder popular constituído, onde as massas indígenas, negras, caboclas e cafusas experimentaram um exercício de poder direto. Eduardo Nogueira Angelim, fez de sua própria trajetória, a marca da Cabanagem em solo amazônico. É mais um herói semi-anônimo, “regional” e pouco estudado na História oficial brasileira.

 


por: fontes abertas da web
Data da publicação: 20/12/2006 11:20
Palavra-chave: Cabanagem – revoluções brasileiras – Angelim – massas cabanas - Amazônia
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Julián Apaza, mais conhecido como Túpac Catari. Líder aymara, deu seguimento a rebelião de Tupac Amaru, Enriquillo, Capolicán, dentre outros próceres de América.


TUPAC CATARI

A rebelião comandada por Tupac Catari foi a versão tupacamarista no território hoje conhecida como Bolívia. Impressiona o vigor, a organização e a motivação ideológica para a época. É de se notar também o vigor que lideranças nativas, quando educadas nos dois ou três mundos do altiplano, español, cholo e indígena, conseguem realizar e aglutinar forças populares. Episódio de nossa história que marcara todo um caminho. Lição para latino-américa


por: * Libro Rebeliones indígenas y negras en América Latina, de Kintto Lucas, 1992.
Data da publicação: 13/12/2006 10:27
Palavra-chave: Bolívia - Alto Perú, aymaras y quechuas - rebelião indígena e mineira
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Jose Gabriel Condorcanqui, el Tupac Amaru, líder da rebelião indígena, Inti reconhecido em via e caudal de esperanzas e vontades da Serra e do Altiplano. Deu origem ao título de el tupamaro, depois atribuído a José Gervasio Artigas na pampa gaucha.   


TUPAC AMARU

Outra vez a história de América ensina o básico. Ao conhecer três mundos simultâneos, Tupac Amaru tem a capacidade de galvanizar a ira do povo ancestral, dos crudos andinos. A mesma história de um assimilado que trocara de lado novamente, trazendo o projeto político coletivo acima dos projetos pessoais. Exemplo para toda América Latina.

 


por: A última revolta incaica
Data da publicação: 13/12/2006 10:26
Palavra-chave: Peru – zona andina – quéchuas e aymarás – rebelião indígena, camponesa e popular
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Manuel Rodríguez, homem de letras e armas; defensor incondicional da libertação republicana dos povos de América.


Manuel Rodríguez Erdoíza – 1ª parte de sua biografia

Manuel Rodríguez foi um dos homens que marcaram a história do Chile e do Cone Sul em seu nascimento. Mais conhecido pela inspiração que emprestara o nome para a organização político-militar FPMR, muito atuante na resistência da ditadura de Pinochet, Manuel Rodríguez deixou seu legado na formação clássica de homem de letras e armas. Muito atuante na guerra de libertação chilena, foi um daqueles homens de idéias e ações que conseguiu ir além do patriciado criollo, fazendo política na redescoberta de seu próprio povo. O título do seu jornal de barricada, O Monitor Araucano, já carrega a marca e o arraigo popular necessário.


por: Pesquisa de Camila Reinheimer
Data da publicação: 08/11/2006 16:37
Palavra-chave: Chile - Monitor Araucano - conspirações - patriciado
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Lista de Textos Clássicos:

Ricardo Palma
por Pesquisa: Daniela Soares, Revisão Bruno Lima Rocha
05/05/2008 11:53

Victoriano Lorenzo
por Alexis Rodríguez
17/03/2008 09:46

A Rebelião Cabana alagoana-pernambucana (1832-1836), estendida até 1850
por Vicente Paula Ferreira e cia
03/12/2007 13:13

Eduardo Nogueira Angelim (Aracati, 6 de julho de 1814 - 20 de julho de 1882) -mártir Cabano
por fontes abertas da web
20/12/2006 11:20

TUPAC CATARI
por * Libro Rebeliones indígenas y negras en América Latina, de Kintto Lucas, 1992.
13/12/2006 10:27

TUPAC AMARU
por A última revolta incaica
13/12/2006 10:26

Manuel Rodríguez Erdoíza – 1ª parte de sua biografia
por Pesquisa de Camila Reinheimer
08/11/2006 16:37

Juan Antonio Lavalleja
por escueladigital.com.uy/biografias
21/10/2006 18:44

Fulgencio Yegros del Paraguay
por Original por Fulgencio Yegros Semidei e Fulgencio Esteban Yegros Smith
04/09/2006 21:45

"JOSÉ INÁCIO DE ABREU E LIMA - EL GENERAL DE MASAS" -
por compilação do ministério de comunicação do governo da Venezuela
20/08/2006 17:01

Manifesto de Frei Caneca (1824)
por Frei Caneca
05/08/2006 11:44

Bernardo O’Higgins Riquelme
por Site oficial da Marinha do Chile
29/07/2006 00:41

Una curta biografía de Juana Azurduy
por Elizabeth Fernández e Irene Ocampo
15/07/2006 14:15

Coletânea de discursos originais de Benito Juárez
por Benito Juárez
07/07/2006 13:41

Pequeña biografía de Martín Miguel de Güemes (1785 - 1821)
por Felipe Pigna
07/07/2006 13:19

Brevíssima relación de la destruyción de las Indias. Colegida por el Obispo don Bartolomé de las Casas o Casaus de la orden de Santo Domingo, 1552
por Fray Bartolomé de las Casas
26/06/2006 13:34

Fragmentos originais de José Artigas, em castelhano
por José Artigas, compilação Bruno Lima Rocha
22/06/2006 11:43

Cartas originais de José de San Martín, en castellano
por José de San Martín - compilação de Bruno Lima Rocha
22/06/2006 11:41

Manifiesto de Montecristi – em castelhano
por José Martí
22/06/2006 11:40

Antonio José de Sucre (pequena biografia)
por Simón Bolívar
22/06/2006 11:38






CCs, municipários e o choque de lealdades (coluna da Voto, agosto de 2008)

Bruno Lima Rocha

Os municípios brasileiros vivem seu momento político de maior tensão. E, no olho do furacão, estão os sindicatos de municipários. Ofertas de composição eleitoral, participação em campanhas e promessas de trabalho no futuro próximo pairam sobre a base sindicalizada. São formas de desmobilização desta categoria, tentando aliciá-la para algum projeto de poder vindo das eleições e não da correlação de força do sindicato na sociedade local. Uma delas é a figura do cargo em comissão, ou cargo de confiança, também conhecido como CC.

Uma das demandas dos servidores públicos municipais é o plano de cargos e salários. O desejo de uma carreira progressiva é algo necessário para motivar todo trabalhador. Quando este se organiza, a idéia toma corpo de plataforma coletiva. A quebra de lealdades se dá na perspectiva de que existe um caminho mais fácil e de solução individual.

Qualquer conquista direta, como uma reposição salarial de 15%, é sempre uma via crucis. Implica em risco, perder ponto, ser repreendido, transferido do local de trabalho, fazer greve, organizar protestos, se arriscar a prisão ou violência estatal e paira a possibilidade de não se arrancar nada. Por outro lado, a figura do CC está ali, de corpo presente, ganhando essa diferença a mais e sem os custos de ação coletiva da base sindicalizada. Reforçando o comportamento individualista, o cargo esse é de “confiança” de quem o indicou e não do serviço público local. Imaginem a dúvida na mente de um sindicalizado: “eu me dedico, me organizo, e o fulano aí do lado, se relaciona bem, e ocupa posição superior a minha!”

Mesmo em cidades populosas, a tendência das pessoas da administração pública é se conhecer. Para subir por dentro de forma individual, é preciso saber a quem conhecer e com quem se indispor. As redes de relações são fundamentais para todos os tipos de atividades. Como já afirmei em edições passadas, é nas eleições municipais quando as práticas políticas se aproximam do cidadão comum. É quando jogam com peso em dobro as relações pessoais, os graus de parentesco, amizades e antipatias pouco ou nada explicáveis e favores devidos ou em falta.

Torna-se visível a mobilização nesse período em contraste com outros meses. E o motor da efervescência eleitoral são aqueles cidadãos que alimentam a sociabilidade permanente. Na interna do aparelho de Estado local, quem mais agita é alvo preferencial de tentativa de aliciamento. Quem conhece uma direção sindical de municipários sabe o perfil. Gente simples, muitas secretárias de escola, merendeiras, pessoal do setor de serviços e obras, e quando a categoria tem unidade, existe representação única incluindo os servidores da saúde e educação. Mesmo assim, uma diretoria acaba sendo levada por dois ou três abnegados. Basta que um deles acredite ou pactue com a promessa de CC ou FG para quebrar a espinha dorsal da entidade. Se sair para vereador então, o impacto é maior.

O aliciamento é um remédio infalível contra a organização coletiva. Cansei de ver municipários com boas direções sindicais, mas cuja maioria de diretores era do mesmo partido do prefeito. Resultado corriqueiro, o prefeito se reelege, mas a diretoria perde a eleição sindical. Se um ex-diretor, logo após a derrota, aceita uma função gratificada (FG) na prefeitura, anos de credibilidade construída já é posta em dúvida. Por outro lado, quem se mantém na independência de classe, tem maiores chances de se manter a frente de sua categoria. São escolhas a ser feitas.

Este artigo
foi originalmente publicado na Revista Voto, Ano 4, No. 46, Agosto de 2008, na página 70.



25/08/2008 17:05
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A campanha eleitoral em municípios metropolitanos
Bruno Lima Rocha

4ª, 20 de agosto de 2008, Vila Setembrina dos Farrapos traídos em Ponche Verde; Continente das lágrimas do Rio dos Pássaros; Liga Federal de los Pueblos Libres atraicionados

Começa a campanha eleitoral gratuita no rádio e televisão e talvez a corrida esquente. Nas capitais e em cidades pólo do interior ao menos os eleitores ficarão sabendo o nome dos candidatos majoritários. Já nas centenas de cidades metropolitanas brasileiras, o problema é de fundo e parece não ter solução. Ainda que sejam grandes colegiados, estes lugares não contam com a campanha eleitoral da mídia eletrônica. Em uma sociedade midiatizada como a nossa, isso é problema na certa.

No quesito comportamento eleitoral, os pleitos municipais podem ser considerados o “fim da várzea”. Se aplicados, os clássicos estudos de cultura política apontariam a prevalência da mentalidade paroquiana. Ou seja, o conjunto de valores, normas e regras (formais e informais) privilegiam o curto prazo, as relações pessoais, os interesses imediatos e a ausência de visão cívica de longo prazo, tanto de eleitores como de possíveis eleitos. Considerando isto, como alterar a realidade sem a campanha eleitoral gratuita?

Por piores que sejam os programas, toda e qualquer forma pública é melhor do que a difusão privada. É certo que a desinformação estrutural que sofre o brasileiro médio faz com que candidatos repitam frases óbvias pouco variando o repertório. Também é correto afirmar que na maioria das vezes a estética supera o conteúdo programático. Mesmo assim, uma campanha que universaliza o acesso dos candidatos a eleitores é a menos injusta.

Eis o problema sem fim. Como tornar público o debate político se nos municípios mais populosos, grudados nas capitais, com problemas estruturais e de auto-estima de seus moradores, não existe campanha eleitoral gratuita no rádio e TV? Agora já não há o que fazer a não ser aprender com os erros. Considero corretas as limitações impostas pelo TSE para evitar o abuso econômico. A mesma lei deveria exigir que todos os meios de comunicação eletrônica dessem difusão para o debate público nos municípios. Enquanto isso não ocorrer, ficaremos à mercê das relações de clientela. Na ausência de informação resta apenas mais do mesmo.

Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat



21/08/2008 13:48
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O informe fajuto do BIRD
João Pedro Casarotto

Em recente entrevista, a Vice-Presidente para a América Latina do BIRD e do Grupo Banco Mundial declarou que não utiliza os dados do relatório “Doing Business” (Fazendo Negócios), que o BIRD publica anualmente, na hora de analisar os projetos dos países que solicitam empréstimos: “Não, não usamos. Nós levamos em conta outros dados”, respondeu, rindo, Pamela Cox.

Sobre a utilidade deste informe, a poderosa executiva disse que ele é falho, mas útil, pois tem contribuído para pressionar os governos a levarem adiante as reformas propugnadas pelo banco: “Na América Latina ele tem servido para os governos pressionarem os Congressos a aprovarem reformas, segundo me disse certa vez um alto funcionário de um grande país da região. "A gente vai lá com o ranking e diz: vejam como estamos mal, comparados com a China", disse-me ele”.

No último ranking do “Doing Business”, publicado para orientar investidores estrangeiros na escolha dos melhores países para investir, o Brasil figura na 122ª posição entre os 178 países analisados e, mesmo assim, vem recebendo uma enxurrada de dólares. Perguntada sobre este aparente paradoxo a executiva respondeu: “O informe pode sinalizar algo em termos de mudanças em regulamentações. Mas os grandes investidores têm os seus próprios meios de aferição e avaliação”.

Esta entrevista foi concedida em decorrência da apresentação de estudo realizado por alta funcionária do BIRD que declarou que “o banco não tem uma forma comparativa de celebrar as melhorias em importantes resultados do desenvolvimento” e que a pesquisa no Brasil não é ampla e abrangente, pois o banco depende de informantes voluntários (que se dispõe a preencher os formulários somente para angariar prestígio pessoal) e que, no caso específico do Brasil, são apenas dois e ambos de São Paulo.

Ou seja, o festejado informe do BIRD é fajuto como uma nota de três reais e quem acreditou que o banco ensinava o caminho das pedras para ganhar dinheiro descobriu que ele só serve de oráculo para os trouxas.

Enquanto isto, aqui pelos pagos, as vivandeiras gaúchas estão exultantes, pois, enfim, o contrato será assinado e, talvez, restem algumas migalhas com as quais tentarão salvar as suas decadentes pretensas carreiras de analistas políticos.

É sempre bom lembrar que este contrato só será assinado devido às diversas acrobacias realizadas pelo governo gaúcho, entre as quais, a obtenção da declaração de sigilo pelo STF das fls. 108 a 194, da AC/2026(sigiloso), e o lacre de documentos no Senado Federal (Res. 21/2008).

Ao que tudo indica, nós também teremos empresas de consultorias acompanhando a execução das metas anuais que deverão ser assumidas pelos secretários de estado e servidores até o nível de superintendência, como vem ocorrendo no Estado de Minas Gerais, que, aliás, já contraiu com o BIRD empréstimos, sem contrapartidas, no valor de US$1,17 bi.

Enfim, nos resta ficar aguardando para saber se este time de consultores, que já se instalou no seio da administração pública gaúcha e onde permanecerá por trinta anos, gerará informes fajutos como o “Doing Business” e, enquanto esperamos que também este “Bebê de Rosemary” mostre sua real identidade, ganha um prato de tutu à mineira quem conseguir explicar o motivo do encantamento do tucano que enxerga o falcão (a ave de rapina mais veloz do planeta), mas jura que está vendo o passarinho verde.

João Pedro Casarotto é fiscal de tributos aposentado, dirigente do Sintaf-RS e ex-presidente da Afisvec.

Esta nota nos foi enviada por Casarotto e também remetida ao excelente blog de notícias RS Urgente, sendo lá antes postada.



19/08/2008 10:00
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A crise sem fim no governo Yeda
Bruno Lima Rocha

4ª 13 de agosto de 2008, Bauru, noroeste de São Paulo

Após a conclusão pífia da CPI do Detran-RS, a governadora Yeda Crusius teve algumas semanas de descanso. A calmaria terminou quando os procuradores estaduais entraram em cena. Os acontecimentos em série vistos de forma integral dão a idéia do problema. Se os eventos que narro abaixo não caracterizarem uma crise, então é preciso rediscutir o conceito de crise.

Podemos citar, apenas de passagem e fora de ordem cronológica precisa aos seguintes fatos políticos: a problemática declaração de origem do dinheiro e a base documental da compra da casa da governadora; a crise da Procergs (processamento de dados) derrubando seu presidente por suspeita de envolvimento com empresa terceirizada, que por sinal era de sua propriedade quando da assinatura do contrato; a recente notícia crime feita pelos procuradores estaduais contra o deputado federal José Otávio Germano (PP) e o ex-presidente do TCE João Luiz Vargas (PDT) e encaminhada para o Procurador Geral da República; o pedido de anulação do MPRS contra a licitação para contratar empresas de publicidade pelo governo no valor de R$ 92.948.970,17.

Para quem imagina que já é o suficiente, restam duas investigações em andamento. Uma é do MPRS e analisa a relação de contratos e valores pagos pela Federação Nacional de Seguradoras Privadas (Fenaseg) para o Detran-RS. Outra é a continuidade da própria Operação Rodin. Seu efeito direto resultou em mais barulho, fato midiático contra Yeda e ameaças de delação.

No dia 30 de julho o lobista tucano Lair Ferst tentava retirar na boca do caixa de uma agência do HSBC em Porto Alegre a quantia de R$ 200 mil em dinheiro vivo. O empresário que é réu federal estava sob vigilância da PF, que avisou o MPF e impediu, através da Justiça, a transação financeira. Lair foi encaminhado à sede da Polícia Federal e na semana seguinte concede uma entrevista bombástica para a Folha de São Paulo.

Resultado. Deu a entender que pode abrir o jogo caso consiga a delação premiada. Este recado nada discreto é sinal de que a crise gaúcha está longe de terminar.

Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat



15/08/2008 01:07
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Confúcio e Deng Xiao Ping sorrindo no inferno
08 de agosto de 2008 – Ponta Grossa – Campos Gerais – Paraná

Quem teve a oportunidade de assistir a Abertura dos Jogos Olímpicos de Beijing pôde ver uma bela operação de corações e mentes operada pelo departamento de propaganda de uma versão pós-moderna do confucionismo. A China, autoreferenciada como Império do Meio, ou do Centro, considerando a si mesma como central para seu universo, abre-se para o mundo na forma de comércio, abundância de mão de obra barata e oferece a receita dos sonhos das transnacionais. As Olimpíadas pequinesas são o coroamento da super potência que apaga a sua própria história.

Tão cruel como o tráfico de ópio praticado pelos ingleses na conquista de Hong Kong é omitir que os súditos da rainha Vitória praticaram tal ação política-comercial. Tão absurdo como a manipulação de Mao Zedong das forças sociais liberadas para a auto organização a partir de 1966 é ignorar que houve um episódio chamado Revolução Cultural, que Mao a encabeçou, que o próprio Mao a fundamentou, que o timoneiro a abandonou e uma geração inteira de socialistas chineses foi largada à falta de sorte em campos de reabilitação outros lugares ainda piores. Mao afirmava ser esta a seqüência da batalha entre Lao Tzu e Confúcio. Só que o primeiro é discípulo do segundo e a herança de um não resultou em ação organizada enquanto o segundo afirmou uma burocracia de Estado, que muda de governo, mas não abandona jamais o Estado. O trem de prata maoísta passou, a China ouviu a Kissinger, entrou para a Organização Mundial do Comércio, na ONU e em dezenas de organismos bi e multilaterais. Isso foi a partir de 1971.

No final dos anos ’70 a China tem a virada dentro de sua própria elite dirigente. Um neoliberal de linha chilena, Deng Xiao Ping, comanda e afirma a sua liderança, não sem antes acenar com alguma abertura política. O resultado de centenas de milhares de dazibaos (jornais murais colados de forma livre e sem censura) foi uma idéia vaga de liberdade de expressão. Quem acha que exagero leia o livro hoje histórico e em formato de relíquia narrativa, “Henfil na China”. A acumulação primitiva dos anos ’50 não levou às liberdades políticas tendo por base uma sociedade distributivista. Tian Amen, a Praça da “Paz” Celestial, provou os limites de uma economia globalizando-se e um regime político de partido único.

Vamos compreender o que ocorre. O Partido Comunista da China é tão “comunista” como o PPS brasileiro é “socialista” ou o MIR boliviano é “revolucionário”. O PCC poderia chamar-se de Partido Confucionista Chinês e estaria conceitualmente perfeito. Alguns princípios de Confúcio são: obediência; aconselhar o príncipe; servir ao Estado; formar uma burocracia; a idéia de liberdade inexiste. Perfeito, é o mundo dos sonhos das transnacionais! Um país potência, com mão de obra sobrante, população de predominância rural e com zonas de desenvolvimento intenso, relações de trabalho quase escrava, alta tecnologia, agressividade no comércio exterior, interdependência com os Estados Unidos, exportando população com capacidade de investimento mundo afora, inundando os países com produtos baratos pela superprodução e mais valia absoluta sobre a mão de obra que trabalha. Tem mais, não há liberdade política, mas as transnacionais podem investir à vontade na China, conseguem pessoal capacitado, não sindicalizado, operam muitas vezes nas Zonas de Processamento de Exportação, até a internet é censurada, atua como potência e pratica imperialismo entre os vizinhos, o modus vivendi é censura e repressão. O Estado é tão uníssono que sequer agüenta a mídia corporativa mentirosa e capitalista que foi cobrir os Jogos Olímpicos. Imaginem um jornalismo investigativo e comprometido com os direitos fundamentais?!

Os mesmos que odeiam esse tipo de mídia lá a detestam no Continente. Jamais escutei de um grande empresário brasileiro ou latino-americano qualquer tipo de crítica em relação à China. Jamais escutarei algo assim a não ser por algum tipo de constrangimento. O país de Deng Xiao Ping é um paraíso para a era de ouro do capital financeiro e digital. Reprime os trabalhadores e libera o capital. Morde muito é verdade, mas as sobras de um gigante são igualmente gigantescas.

Alguns fatores, no meu modo de ver, determinam a terra dos sonhos das transnacionais em solo chinês dominado por homens da etnia dos HANs. Vamos a eles:

- Na China não existe aposentadoria e nem previdência pública. Cabe às famílias cuidarem dos seus entes idosos, não importa o quanto ele ou ela tenha contribuído para a riqueza da sociedade. Assim, os recursos do Estado podem ser gastos com as empresas de ponta que lá se instalam e mega obras de infra-estrutura.

- Falando em desenvolvimentismo industrial a todo custo, vê-se que o cuidado com os próprios recursos naturais não está em pauta entre os empresários com carnê do PCC chinês. Inspiram economistas do governo Lula como Dilma Roussef, atropelando populações originárias e ancestrais. A cegueira da acumulação capitalista impede ver que as riquezas naturais não renováveis são o maior patrimônio da segunda metade deste século XXI que recém inicia.

- O mesmo se dá na chamada “qualidade de vida” nos mega conglomerados urbanos. É sabido que a bolha imobiliária é a ante-sala da crise de lastro. Todos sabem que o crescimento vertical de uma cidade nunca é acompanhado do necessário crescimento submerso da mesma urbe. Ou seja, uma selva de pedra de arranha céus necessita de saneamento básico, água potável e transporte público. Com a liberação de carros e a implantação de novas indústrias muito poluentes nos arredores dos grandes centros, o ar da China é uma mescla terrível de poeira, névoa, neblina e gases tóxicos. Chuva ácida era o terror da adolescência que nos anos ‘80 vivia amedrontada com uma guerra nuclear. Hoje a guerra é contra a saúde dos povos.

- Um país que acena ao mundo como potência econômica não tolera a oposição política nem a diversidade midiática. Todos os grandes provedores de internet se renderam às exigências do governo de Beijing. Nada melhor para os magnatas da mídia e as empresas de telecomunicações hoje emitindo conteúdo e fornecendo bens simbólicos para o planeta. A carga de valores individualistas e estética única mundo afora pode, pensamento crítico na China dá em morte de quem o pratica.

- O mesmo Estado que mudara seu alfabeto, a mesma sociedade que enervada com sua elite dirigente proclamara a Nova Cultura e a proletarização absoluta, agora se dá ao luxo de omitir ao mundo a sua própria história, história que qualquer curioso da história chinesa sabe de cor. A cerimônia de abertura foi o placo globalizado de uma versão oriental de 1984 orwelliano. Os censores do Partido de Confúcio taxaram de Era da Vergonha o período caótico que fora do Império Ming até a liberalização econômica definitiva após o Massacre de Tian Amen. Para eles não houve Longa Marcha, nem Guomintang, nem Kowloon Street, nem Tríade, nem Ópio, nem ocupação japonesa, tampouco heroísmo dos Boxers, menos ainda o federalismo de Nanking, as conspirações do Partido Hung, guerras anti-britânicas onde os camponeses de Cantão enfrentavam as metralhadoras de peito aberto, nem cheiro das aldeias coletivas onde tudo era coletivizado ...e, a lista de omissões da história vivida na carne e pele de 25% da humanidade ocuparia várias enciclopédias. A Terra viu o que é apagar a memória coletiva na era das telecomunicações e do capitalismo digital. Prenúncios do que já está preponderando entre farra de consumo, frustração e censura.

- Trocar a História pela mercadoria individualiza as perspectivas de vida e fornece a solução de controle sobre uma população nacionalista e com desejos inconfessáveis de expansão. A historicidade de lugares como Shangai sofre ataques de todo tipo de especulação imobiliária urbana, sendo que os maiores corretores imobiliários também são afiliados do Partido de Confúcio! Exagero? Não, as fontes são abertas e basta verificar.

Podia seguir a lista de fatores, mas encerro por aqui. Reconheço que a cerimônia me surpreendeu pela mentira e omissão sistemática. Afirmo que aquele país e sua elite dirigente nada têm de igualitários ou coisa que o valha. Seu modus vivendi, além do modus operandi, é simplesmente o paraíso das transnacionais, portanto, o inferno em vida para os povos, incluindo mais de 70% de todas as 56 etnias que vivem sob a bandeira do Estado HAN. Abraçados como grandes amigos, Friedrich Hayek e Deng Xiao Ping rendem suas homenagens a Confúcio enquanto ardem em algum lugar obscuro, purgando suas almas dos males causados por suas idéias e ações sobre a vida de mais da metade dos seres humanos. A China é a mão esquerda dos EUA, até vir a se tornar as duas mãos de si mesma. Então veremos o epílogo da Globalização que a quase tudo desregula.



10/08/2008 20:03
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