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Da contra-informação ao pensamento único neoliberal: conceitos de crítica à indústria da mídia
O trabalho (1) tem como objetivo apontar conceitos operacionais para a crítica da indústria midiática, fazendo uma aproximação entre duas áreas de análise politicamente opostas, embora com epistemes semelhantes. Trata-se do diálogo entre o conceito de fabricação do consenso tolerável pelas regras hegemônicas, tendo como base as idéias pensáveis de Noam Chomsky, e a análise estratégica em sentido pleno. Para trabalhar estratégia, parte-se dos conceitos de um operador militar clássico, o general Golbery do Couto e Silva, dentro de seu modelo de análise com níveis de incidência e subordinação do método ao objetivo finalista, onde as indústrias culturais enquadram-se no nível psicossocial de atuação. Tal paradigma terá presença ao longo do artigo. Destacam-se alguns conceitos básicos para discutir a crítica à mídia hegemônica, partindo da caracterização do nível e seus macroambientes de operação. crítica da mídia - fabricação do consenso - análise estratégica - níveis de análise - incidência - inteligência - contra-informação 26/01/2008 11:44 leia mais Controle E Disputa Pela Democracia Na Comunicação Social
Este artigo analisa o estado atual da mídia brasileira em relação à influência das empresas que constituem os meios de Comunicação no Brasil e a participação dos movimentos pela democratização do setor, buscando contribuir para o debate teórico e de perspectivas para uma melhor atuação por parte dos ativistas de comunicação comunitária, assim como do conjunto do movimento popular. Parte de uma pesquisa bibliográfica e documental, além da análise de dados recentes sobre o setor, que busca evidenciar a importância da constituição de políticas públicas democráticas para o favorecimento do empoderamento popular em nosso país. Políticas de Comunicação; Democratização da Comunicação; Mídia Brasileira; Empoderamento Popular; Radiodifusão Comunitária. 16/01/2008 13:17 leia mais


Ricardo Palma
Ricardo Palma Enfrentou muitas lutas, não apenas por sua própria sobrevivência, como pela preservação da cultura de sua pátria. Com suas lutas acabou definiu seu estilo, a prosa e o testemunho, relatos verídicos mesclando co um pouco de fantasia, elemento sempre presente na memória daquele povo. Ele acreditava que a oralidade de seu povo era a principal intérprete de sua história, e ele estava certo. Era um grande tradicionalista. Um trecho de sua obra: "(...) Concluía el año de 1550, y era alcalde de la villa (Villa Imperial de Potosí) el licenciado don Diego de Esquivel, hombre atrabiliario y codicioso, de quien cuenta la fama que era capaz de poner en subasta la justicia, a trueque de barras de plata. Su señoría era también guloso de la fruta del paraíso, y en la imperial villa se murmuraba mucho acerca de sus prapisondas mujeriegas. Como no se había puesto nunca en el trance de quel el cura de la parroquia le leyese la famosa epístola de San Pablo, don Diego de Esquivel hacía gala de pertenecer al gremio de los solterones, que tengo para mi constituyen, si no una plaga social, una amenaza contra la propiedad del prójimo. Hay quien afirma que los comunistas y los solterones son bípedos que se asimilan." "Las Orejas del Alcalde - Crónica de la época del segundo virrey del Perú", publicada pela primeira vez em 1873, no El Coreo del Perú. Ricardo Palma, biografia, Peru 05/05/2008 11:53 leia mais Victoriano Lorenzo
O líder indígena, involucrado na Guerra Civil entre os partidos Liberal e Conservador, é mais um caso clássico de vontade popular manipulada por interesses oligárquicos. É a prova viva do exemplo de que massas em disponibilidade, identidade popular e ancstral, mesclada com a defesa da posse e do uso da terra natal, formam uma combustão popular quase incontrolável. Victoriano é um personagem histórico, material, sua carne queimada no fuzilamento de um traidor da oligarquia, portanto, fiel ao povo, é digno de livro de Gabriel García Márquez. Seu Panamá e sua província de Chiriquí, o orgulho cholo, é tão presente no istmo da porta do mundo como em uma zamba cantando "cholita santiagueña, cholita salteña". A sabedoria política dos cholos surge da necessidade de protagonismo popular e programa político compatível com as identidades e culturas ancestrais e mestiças; com a carga de informações que exigem a formação de conceitos diretos, formando o arcabouço teórico-metodológico geradores de ideologia de câmbio a partir do distributivismo com os dois pés fincados no campo nacional-popular. Victoriano Lorenzo é parte da história nossa, desconhecida de nós mesmos; é o outro lado da política do Porrete Grande - Palo Largo - Big Stick; é a versão centro e latino-americana do lado B do protetorado do Império a partir de Miami e da famigerada Escola Panamá (extinta). O orgulho chiriqueño passa pela carne dos cholos de Victoriano. Palavras-chave: Panamá - guerra civil colombiana (Liberal-Conservador) - cholos - chiriquí - criação do istmo Panamá - guerra civil colombiana (Liberal-Conservador) - cholos - chiriquí - criação do istmo 17/03/2008 09:46 leia mais
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O então marechal presidente Arthur da Costa e Silva, natural de Taquari (RS) lê um pronunciamento tendo ao fundo seu czar econômico, o hoje lulista, Antônio Delfim Netto. 40 anos depois, a ARENA/UDN - braço civil da ditadura militar - continua no poder
| AI-5 quarenta anos depois (1)
Bruno Lima Rocha 4ª. 03 de dezembro de 2008; Vila Setembrina do espelho d’água da Lagoa dos Patos; Continente de São Sepé e Languiru; Liga Federal de los desaparecidos en el Delta del Tigre Neste artigo inicio uma trilogia debatendo os sentidos e efeitos do Ato Institucional de número 5 (AI-5). No próximo dia 13 de dezembro esta famigerada peça jurídica, revogada em 31 de dezembro de 1978, cumpre quatro décadas de sua assinatura. Infelizmente, hoje perdemos a dimensão de seu significado e tiramos a responsabilidade sobre seus autores. Neste texto e nas duas semanas que seguem, tenho a intenção de contribuir para inverter essa memória apagada. O AI-5 foi um ato de governo, dando juridicidade para uma escalada repressiva, apertando o torniquete dentro da ditadura. Alguns analistas o consideram o "golpe dentro do golpe". Particularmente discordo desta tese. A medida foi um recurso de recrudescimento por parte de um regime militar. O texto estipulava no papel a correlação de forças que nas ruas dos grandes centros era disputada quadra a quadra desde a retomada dos protestos populares com a setembrada de 1966. A resposta foi à altura do desafio imposto. A sociedade brasileira mudava e o comportamento dos agentes políticos também. Podemos compreender o golpe de 1º de abril de 1964 como a resultante da conspiração de direita iniciada em 1961, somada na reação às ameaças de distributivismo (materializado nas "reformas de base"); crise institucional (na quebra de hierarquia e cisão das forças armadas e polícias militares); e duplo poder (como nas greves de solidariedade convocadas pelo CGT). Já o AI-5 pode ser lido como a soma das lutas internas no interior da ditadura (com definições ideológicas como a do ministro da Justiça Luís Antônio da Gama e Silva); a expansão da presença dos operadores de inteligência sob comando dos EUA (caracterizado por Dan Mitrione dentre outros agentes); e a medida de governo que materializava o poder discricionário para afirmar o Brasil Potência. Também foi a resposta ao surgimento de uma esquerda com intenção revolucionária, não alinhada com Moscou e sob influência latino-americana. Mas, ressalto que nenhuma análise política posterior e complexa pode "justificar" os crimes de lesa humanidade cometidos. Entendo que o ato da ditadura deve ser analisado como uma ação de governo de exceção no comando de um Estado. Como toda atividade política, a mesma tem autores responsáveis e que por ela devem ser responsabilizados (leia o documento na íntegra). No momento em que o país discute a punição aos autores e mandantes dos crimes hediondos de tortura, cárcere clandestino, estupro e desaparição forçada, a compreensão do AI-5 é atual e necessária. Como já afirmei antes, o povo que não sabe de onde veio, não entende onde está e nem decide para onde vai. Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat. Data da publicação: 04/12/2008 08:55

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O general Orlando Geisel era o comandante de fato da guerra interna promovida pelo Estado brasileiro contra seu próprio povo. Não se pode comparar as atrocidades cometidas pelos operadores da ditadura com a ação dos guerrilheiros urbanos e rurais que resistiam ao regime de exceção.
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O AI-5 quarenta anos depois (3)
Bruno Lima Rocha 4ª 17 de dezembro de 2008; Vila Setembrina; Continente de São Sepé; Liga Federal Encerro aqui a trilogia a respeito do Ato Institucional No. 5, datado de 13 de dezembro de 1968. Neste texto o tema é delicado, mas precisa ser abordado. Além da camaleonização dos operadores políticos que apoiaram o regime de força e há mais de duas décadas posam como democratas, existe o problema da falsificação da história. Explico. Na Argentina, durante os anos ’80, surge a "Teoria dos dois demônios". Trata-se de uma justificativa para a não-punição dos torturadores. O argumento é falso, mas de fácil reprodução e se espalhou pelo Cone Sul. Coloca na mesma posição aos militares golpistas e os membros da resistência armada à ditadura. Ambos seriam "os demônios" contra a democracia. O nome, inspirado no romance do escritor russo Dostoiévski (1821-1881), já é uma posição política. Vejo isso como um absurdo. Primeiro, porque o golpe começou quando o vice-presidente eleito, João Goulart, não pôde assumir com plenos poderes. Em setembro de 1961, mudaram a forma de governo, instaurando o parlamentarismo sem consultar aos brasileiros. Segundo, a guerra interna tampouco justifica a barbárie. Até a guerra tem regras e são previstas na Convenção de Genebra. E, todo o método aplicado no combate a guerrilha era baseado em crime de lesa humanidade. Terceiro, argumentam que não se pode usar a violência contra um regime de exceção. Então, por esta lógica, deveríamos condenar a Resistência Francesa, que combateu tanto a ocupação nazista como o governo fantoche de Vichy. Aliás, pensando assim, até a Revolução Francesa e as independências das colônias americanas devem ser condenadas. Quarto, a afirmação que não se pode julgar o passado político e que isso gera um clima de revanchismo. Por esta mesma lógica, devemos condenar o Tribunal de Nuremberg e a punição aos genocidas. Quinto, afirmam que os ex-guerrilheiros se tornaram parte da classe política brasileira e incorrem hoje nos mesmos erros. Embora isto seja a verdade para a maioria, não é para a totalidade. E, ainda assim não justifica. Seria o mesmo que dizer que os israelenses não podem condenar o nazismo por formarem parte de um Estado opressor contra os palestinos. Passadas quatro décadas e oito em cada dez brasileiros não sabem o que é o AI-5. O Brasil insiste em apagar a memória, ocultar a verdade e impedir a Justiça. É hora de mudar este quadro. Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat Data da publicação: 18/12/2008 08:07

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Nenhum dos quatro presidentes após 1985 sequer ousaram tocar nos responsáveis pelos crimes hediondos. Por omissão se tornam co-responsáveis pelo acobertamento e a mudança de imagem de políticos e empresários que participaram da ditadura.
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AI-5 quarenta anos depois (2)
Bruno Lima Rocha 4ª, 10 de dezembro de 2008, Vila Setembrina dos Farrapos tombados em Taquari; Continente de São Sepé Tiaraju; Liga Federal de los Bravos de Corrientes y Entre Ríos Este artigo é a seqüência da trilogia a respeito dos quarenta anos do Ato Institucional de Número 5 (AI-5). Sigo no assunto, porque, além de recuperar a memória, forçadamente apagada, também é preciso compreender o porquê da dificuldade de pôr este tema na ordem do dia. Uma possibilidade para isto é a ausência das esquerdas agindo na cruzada pela punição e responsabilização dos autores e mandantes dos crimes de lesa-humanidade. Assim, sem mobilização social, se atribui tudo ao nível jurídico da causa. Gastamos mais tempo interpretando o parágrafo 2º da Lei No. 6683, de 28 de agosto de 1979 (ver na íntegra), conhecida como Lei de Anistia, do que nos mobilizando para sanear o aparelho repressivo. Isto se dá porque, ao contrário dos demais países do Cone Sul, a pauta direitos humanos não é da ordem do dia. E por desgraça, nem o governo de turno capitaliza os louros de pôr ditadores na prisão. É por isso que no Brasil vemos o Conselho Federal da OAB questionar no Supremo a validade da anistia para os torturadores, mas não temos o reflexo disso nas ruas. Esta omissão é ampla, geral e irrestrita. Equivocadamente os operadores políticos da transição rifaram o tema. Todos os governos após a vitória indireta de Tancredo Neves e José Sarney no colégio eleitoral vêm protelando a abertura dos arquivos das Forças Armadas e o esclarecimento de todas as circunstâncias das desaparições forçadas e assassinatos. Lula, FHC, Itamar, Collor e o próprio ex-senador maranhense pela ARENA evitaram mexer no passado recente. Assim, temos no Brasil a responsabilidade histórica da ditadura imputada apenas aos militares. Com esta manobra, se deu um processo de "camaleonização" de lideranças políticas, empresariais, latifundiárias, religiosas, intelectuais, tecnocráticas e midiáticas, além das transnacionais e do serviço diplomático dos EUA. Estes agentes coletivos e seus operadores são tão responsáveis pela ditadura como o mais articulado dos conspiradores. Como sustentáculos do regime de exceção, têm tanta culpa pelos horrores da ditadura como o mais ensandecido e bárbaro torturador da Rua Tutóia, da Invernada de Olaria e de outras dezenas de centros de horror estatal que havia no país. Passadas mais de quatro décadas do golpe de 1º de abril de 1964, é hora de enfrentar a verdade, abrir os arquivos e punir aos culpados. Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat Data da publicação: 11/12/2008 10:44

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Robert Bruce Zoellick, presidente atual do BIRD, é advogado formado por Harvard, serviu como consultor da empresa caloteira Enron e como executivo do falimentar Goldman Sachs. Sua alegria com o ex-dirigente metalúrgico que nunca foi de esquerda é inegável. Pobre do país que tem um arrependido no comando.
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Brasil se rende ao Banco Mundial mais uma vez
Bruno Lima Rocha 4ª 25 de novembro de 2008 - Vila Setembrina dos Farrapos Traídos em Porongos; Continente do Rio Grande de M’bororé; Liga Federal de los Valientes de Artigas A crise do sistema financeiro mundial atingiu o Brasil em cheio. Ao contrário dos opinólogos de plantão, não faço o elogio do acaso e das apostas. A crise acertou o país porque esta nação é governada por banqueiros, literalmente. O homem mais poderoso daqui é funcionário do Bank of America. Seu nome é Henrique Meirelles e tem uma sólida carreira ligada ao BankBoston. É presidente do Banco Central do Brasil (BC) e ganhou status de ministro porque estava sendo acusado por sua fortuna pessoal sem origem. Agora, apenas o Supremo Tribunal Federal (STF), nossa gloriosa Suprema Corte digna de livro de Bob Woodward e Scott Armstrong ("Por detrás da Suprema Corte", Saraiva, 1985) pode julgá-lo. Os fatos são diretos e falam por si só. O Brasil alega para a humanidade haver pagado sua dívida externa. O que devia para o Fundo Monetário Internacional (FMI) foi quitado. O grosso dos credores privados também. Mas, na frieza das LTNs (Letras do Tesouro Nacional) o que ocorreu foi uma troca da dívida externa pelo super-endividamento público como forma de acumulação do capital especulativo. A fusão e concentração bancária é fruto desse gênio do crime. Agora, com a corda no pescoço, com os cinco maiores bancos do país sendo proprietários de 86% das agências e terminais eletrônicos, resta ao governo pagar a conta do fim da liquidez. Desta forma absurda, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai injetar mais R$ 12,5 bi de reais (cerca de US$ 6 bi de Usd) para garantir o fluxo de empréstimos para o "setor produtivo". Assim, ao invés de obrigar a Banca a emprestar, rebaixar a taxa básica de juros (Selic) e impor uma porcentagem da carteira dos bancos privados a ser destinado para o financiamento do capital de giro subsidiado, o Estado vai repassar o boleto de pagamento para todos nós. A origem dos R$ 12,5 bi é igualmente sinistra. R$ 7,5 bi virão com mudanças nos compulsórios bancários. Ou seja, as reservas de depósitos obrigatórios, cada vez mais aliviadas, serão usadas para financiar o salvem-se quem puder. E, este montante sai do Estado, através do governo central, e não onera o caixa da Banca. Além disso, os restantes R$ 5 bi sairão de uma linha de crédito com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BIRD), empresa subsidiária do Grupo Banco Mundial. Ou seja, estamos nos REENDIVIDANDO para pagar a conta da farra das subprimes tupiniquins e nas apostas com o mercado futuro do dólar. Para quem imagina que acabou o pesadelo vindo do "governo de esquerda que manda por direita", a coisa é pior. O empréstimo do BIRD para a União saiu por medida provisória, ou seja, por decreto. Ao invés de decretar a taxação compulsória sobre a Banca, Lula decreta o re-endividamento do país. Tem mais. O Brasil garantiu uma linha especial junto ao Federal Reserve (Fed, Banco Central dos EUA) e ao FMI. A 11ª economia do mundo ganhou este presente como menino bem comportado. Isto foi fruto do bom comportamento em 2002 e em 2008, das operações de swap (troca de moeda) então comandadas pelo gerente de especulação de Soros e então presidente do BC Armínio Fraga e a repetição da roubalheira na forma reversa pelo sempre citado Mr. Meirelles. Hoje podemos trocar até US$ 30 bi (mais de R$69 bi de reais) e pedir um auxílio para o Fundo. Ou seja, o prêmio pelas tenebrosas transações de swap e a obediência aos "fundamentos da economia neoliberal anti-econômica" é deitar nos braços da morte outra vez. Após 13 anos de "austeridade monetarista" descobre-se o óbvio. Fruto das políticas vende-pátria, o país abriu mão de reservas estratégicas - como o minério de ferro privatizado - para tornar-se uma plataforma de exportação de bens primários. Agora os financistas reinventam a roda, financiando com crédito externo a mentalidade criminosa de quem atirou 4/5 da economia produtiva e de mercado aberto operando no Brasil à farra da jogatina de derivativos e mercado futuro. A exuberância irracional tupiniquim termina de modo melancólico tal como um cocainômano da Bolsa de Valores ou o alcoólatra do meio artísitico, viciado em bebida destilada escocesa ou russa. Perdem a família, trabalho, e bens, mas não perdem a pose e a falta de vergonha na cara! Data da publicação: 27/11/2008 10:58

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O orçamento do estado do RS é alvo de disputa entre o descumprimento de leis constitucionais e o poder discricionário de uma gestão portadora de missão privatista e vende pátria.
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Déficit zero e controle do servidor gaúcho
Bruno Lima Rocha 4ª, 26 de novembro de 2008; Vila Setembrina; Continente de São Sepé; Liga Federal Protelado por dois anos, o conflito dos servidores públicos com a governadora Yeda Crusius estourou. No momento as atenções estão sobre a greve dos professores estaduais. O motivo da paralisação, em tese, foi obtido, já que os deputados garantiram não votar o projeto do Piso Salarial Estadual até março. Agora a queda de braço é política (no sentido mais amplo da Política), e trata da punição aos grevistas. A tese do Piratini é simples. Para aplicar a política de déficit zero, precisam controlar a mão de obra. Se liberarem o corte de ponto dos educadores vinculados ao Cpers-Sindicato, todas as demais categorias se sentirão incentivadas a entrar em greve. O Executivo não tem muita escolha. Se ceder, o Decreto 45.959/2008 "não vai pegar". O choque não se resume a uma questão pontual e nem é caso isolado do Rio Grande do Sul. É da natureza das relações de trabalho a luta pelo controle da mão de obra. Todos os níveis de governo no Brasil têm sérios problemas com o funcionalismo. É uma gangorra política. Quanto mais organizados estiverem os servidores, menos o governo de turno mandará na máquina pública. Isto pode significar, dentre outras variáveis, a sindicalização extrema do aparelho estatal ou a defesa corporativa de interesses. Por outro lado, mais peso terá os cargos em comissão (CCs) e as funções gratificadas (FGs). No quesito remuneração, quanto maior for à intervenção do governante, menor será a incorporação das gratificações para o salário real. A disputa é pela alocação de recursos permanentes no orçamento. Se os prêmios não forem incorporados aos salários, aumenta o poder de barganha do Executivo. Aí surgem diferenças conceituais. Alguns defendem esta prática dizendo ser mais responsável. Eu entendo que esta política é a precarização do trabalho aplicada no serviço público. Voltando ao Rio Grande, a luta pela máquina pública implica em destinação de recursos. O modelo do déficit zero tem de ser aplicado com mão pesada e prioridade nas ações do Estado como indutor e fiador do agente econômico. O plano de investimentos para 2009 reflete essa vontade política. O Tesouro vai investir R$ 1 bi e 250 milhões livres, equivalente a 7% da receita. Desse total, a maior beneficiada é a Secretaria da Infra-Estrutura, que vai receber (em milhões) R$ 411.557.154,00 a Segurança R$ 186.753.312,00 a Educação R$ 99.996.078,00 a Saúde R$ 74.881.290,00. Os números e a atitude do governo falam por si. Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat Data da publicação: 27/11/2008 10:56

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Mariza Abreu e Yeda Rorato formam uma relação harmônica de governo. Não tem conflitos aparentes e contam com a lealdade mútua para execução de seus planos. Se dependesse delas, as escolas gaúchas preparariam mão de obra para alimentar uma enorme rede de zaibatsus gaudérias.
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O piso salarial e a greve dos professores gaúchos
Bruno Lima Rocha 4ª, 19 de novembro de 2008; Vila Setembrina dos Farrapos Traídos em Ponche Verde; Continente dos Lanceiros de Porongos; Liga Federal de Artigas y Valientes Na 6ª 14 de novembro os professores estaduais entraram em greve por tempo indeterminado. Desde que a secretária estadual de Educação Mariza Abreu assumiu, o ambiente político anda agitado. Por ser ex-diretora do Centro de Professores do Rio Grande do Sul (Cpers-Sindicato), ela sabe como bater na categoria. Algumas medidas são contestadas já a partir do primeiro mês de governo, tais como: a enturmação; o fechamento de escolas; o problema com o transporte escolar; a gratificação por "produtividade"; o corte do ponto dos grevistas e o fim da liberação dos 40 diretores de núcleos do sindicato. A resistência era esperada, porque definitivamente não dá para aplicar Paulo Freire na base do toyotismo. Mesmo com toda revolta, para aprovar a greve foi preciso um fato-gerador. Isto ocorreu quando a governadora Yeda Crusius (PSDB) entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) no Supremo Tribunal Federal, contra a Lei do Piso Nacional dos Professores. Pela lei federal R$ 950,00 é o salário inicial, adicionado benefícios e conquistas ao longo da carreira. A contra proposta do Piratini foi encaminhada à Assembléia Legislativa(AL) com pedido de urgência. Nesta, R$950,00 é o teto para os professores que trabalharem 40 horas semanais. Era o que faltava para deflagrar a greve dos educadores. Yeda, embora tenha maioria no Parlamento Gaúcho, se depara com uma Frente em Defesa da Educação e do Piso Nacional onde, em tese, 30 dos 55 deputados estaduais se posicionam ao lado do Cpers-Sindicato. Já no primeiro dia de greve (2ª, 17 de novembro), a governadora retirou o pedido de urgência. Uma análise institucionalista atribuiria esta decisão ao fato de seu Conselho Político haver pedido "compreensão e flexibilidade". Pelo viés da análise estratégica o que houve foi uma manobra tática do governo, fruto da correlação de força favorável ao movimento dos professores. Mas, repito, foi uma vitória momentânea. Isto porque, enquanto o projeto estiver tramitando, basta um acordo de lideranças para o tema entrar na pauta do dia e ir a voto em plenário. Como a greve foi declarada faltando 38 dias para o término do ano letivo, a situação é um cabo de guerra para ver quem cede primeiro. O Piratini também aposta na repressão através do Decreto 45.959/2008, podendo haver corte do ponto e demissão dos professores contratados. Para o Cpers o principal objetivo é a retirada do projeto da AL, abrindo assim a possibilidade de instaurar o Piso Nacional no Rio Grande do Sul. Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat Data da publicação: 20/11/2008 12:53

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Lázaro de Mello Brandão e Amador Aguiar, a criatura e seu criador, o atual presidente do ex-Banco Brasileiro de Descontos e o banqueiro que fundou o império que hoje ocupa a terceira posição como instituição bancária das Américas. Um governo de banqueiros jamais obrigará seus pares a simplesmente cumprir a sua função no capitalismo.
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A Banca chantageia a soberania popular e manda seu governo torrar as divisas líquidas
Bruno Lima Rocha 3ª, 18 de novembro de 2008; Vila Setembrina; Continente de Sepé e Languiru; Liga Federal de los Decididos de Córdoba La Primera A bomba está armada e preparada para ser detonada. O cenário grotesco não é o de um ataque integrista transmitido pela rede de televisão de Ted Turner (CNN) ou de Rupert Murdoch (News Corp, com a Fox News à frente). Não estamos vendo a uma sandice televisiva onde os opinólogos do sistema justificam o roubo sistemático na base da jogatina como os "humores do mercado". O atentado é outro, trata-se de crime contra a economia popular, um ataque direto à soberania dos cidadãos sobre os destinos dos recursos da 11ª economia do mundo. É o saque das reservas do Brasil, o país que poderia ser líder da América Latina, isto caso não se comportasse como Sub-Império e semi-capacho do Tio Sam e suas traquinagens. Estou falando da bomba bancária e das reservas líquidas, em dólares, acumuladas no Brasil durante os últimos governos da Banca, levados na ponta da planilha por funcionários de confiança do sistema financeiro mundial. Tanto na época do governo do ex-funcionário do Banco Mundial, o professor da PUC-RJ, Pedro Malan; como nos últimos quase seis anos do mandato do membro da Escola de Administração Pública de Harvard, Henrique Meirelles, também ex-presidente mundial do BankBoston, que este país é domado na ponta do relho por um reduzido número de financistas. Desde o início "da crise capitalista", que o (des)governo brasileiro delega para as autoridades financeiras a missão de "garantir a liquidez dos mercados". Ou seja, a solução dada pelo Estado para os contra efeitos diretos do acionar da Gangue de Wall Street, com 9 anos de roubo sistemático, fraude de balanços, jogatina explícita com o dinheiro alheio e desregulação quase total do sistema de compensação de valores, é retirar dinheiro das reservas nacionais e torrar na garantia de consumo. Quem deveria garantir este fluxo de crédito barato é justamente o setor bancário. Esta é a fatia da (anti) economia que vêm quebrando todos os recordes de lucro líquido desde o dia 1º de janeiro de 1995, quando assume Fernando Henrique passando por todo o governo do Lech Walesa dos trópicos, o Sr. Luiz Inácio da Silva. Todos os meses, os bancos operando no Brasil têm de fazer um depósito compulsório no Banco Central (BACEN). Com esse recurso, em tese, o Bacen pode e deve garantir as compensações e "irrigar" o sistema financeiro e bancário. Para aumentar a liquidez de forma direta - ou seja, garantir o fluxo de crédito, que sai do agiota com CNPJ (os bancos) para o consumidor ou as empresas - o BACEN vem diminuindo o depósito compulsório da Banca operando no Brasil. Ainda assim, o limite de crédito seca e os bancos cada vez mais emprestam menos. Para que emprestar (?!), diria um financista, se já temos a população super-endividada e com a corda no pescoço do outro lado do balcão, a Banca fatura ainda mais. Segundo o diário "oficial" de economia do pago de São Pedro (Jornal do Comércio, 3ª, 18/11/2008, pp. 8-11) o país já torrou R$ 150 bi para "aumentar a liquidez". Enquanto isso a Banca quebra recordes e se posiciona como líder regional. Das 20 maiores instituições financeiras de capital aberto da América Latina e dos EUA, cinco bancos "nacionais" figuram. Bradesco, Banco do Brasil, Itaú, Unibanco e Santander - em ordem decrescente de faturamento, isto relativo ao terceiro trimestre de 2008. A conta é simples, se a Banca fatura e a União torra nosso dinheiro para cumprir uma função que, em tese, é o nicho de negócios da própria Banca, é porque estamos repassando divisas aos banqueiros. Vejam o desempenho dos três primeiros bancos brasileiro, correspondente a julho-agosto-setembro, em dólares: Bradesco (US$ 997,9 milhões; 3º do continente e 1º do Brasil); Banco do Brasil (US$ 975,3 mi); Itaú (US$ 965,2 mi). Enquanto isso, o Estado brasileiro torra US$ 46,5 bi apenas para segurar o preço do dólar baixo! Em reais essa brincadeira já deu R$106 bi, destinados ao além só "no problema de câmbio". Todos sabem quem opera o câmbio no Brasil, qualquer técnico da Fazenda e do BACEN pode levantar uma planilha de Excel e dizer nome, endereços, CNPJ, CPF, telefone e movimentação bancária dos piratas do câmbio, como o "investidor" Naji Nahas. Já foram pegos e presos neste país executivos do Crédit Suisse, operando como "private banking", tragando divisas e evadindo riquezas, e para isso precisam de um circuito de câmbio ilegal para funcionar. Mesmo depois de ir em cana, a nobre instituição suíça continuou com suas operações aqui na terra de ninguém. Portanto, aqui se sabe de tudo. O lapso não de informação, mas de conceito. O problema é de fundo estrutural e admiti-lo é admitir a moral vigente e de funcionamento do capitalismo em sua versão corporativa e financeira. Não me refiro ao capitalismo concorrencial, o que quase inexiste, mas sim a concertação de classe que ocupa postos-chave no controle do fluxo de riquezas do sistema. A moral da mente criminosa não tem nenhuma relação com o pobre diabo do empresário de si mesmo, como a legião de técnicos de informática que vendem serviço de autônomo e são obrigados a funcionar como micro empresa unipessoal para ser contratados (terceirizados) e não ter direito a nada. A condição é a seguinte: - mataram a moral protestante, e já faz muito, e a inclinação pelo lucro não é pelo benefício do trabalho (mesmo que roubando as horas e forças de trabalho com mais-valia), mas sim pela engenharia institucional que permite a acumulação indevida e a riqueza na base da jogatina. Ao invés de bancas de jogo do bicho, são bancos mesmo, e com ligações orgânicas dentro e fora do Estado e dos meios de comunicação de massa e segmentados. Afinal, porque acumulamos divisas e reservas "estratégicas" e jogamos tudo na salvação da liquidez bancária? Isso ocorre porque o Estado não regula o ambiente da economia, o Estado é o operador do capital financeiro, tanto nas suas políticas como na ocupação das funções-chave para esta garantia de privilégios absurdos. Os bancos estão regidos, em tese, por um código de normas legais, sendo SUBORDINADOS às normativas do Banco Central e do Ministério da Fazenda. Mas, como não há governo que regule os banqueiros, porque quando se governa com os bancos, são os BANCOS QUE GOVERNAM. Assim, essa vergonha nacional não obriga os financistas a emprestarem, o Governo eleito (pelo voto popular) delega para uma equipe de "especialistas" do Conselho de Política Monetária (Copom) a taxação dos juros reais, indexados na maldita Selic. Nada e nem ninguém obriga aos bancos a cumprirem "sua função" no sistema capitalista, que é de emprestar dinheiro. Ao contrário, liberam o depósito compulsório da Banca e o que eles fazem? Seguram ainda mais o crédito, cortando o acesso ao capital de giro a juros baixos, isto porque vão partir para uma nova etapa de acumulação. O que irá acontecer no Brasil dos Banqueiros? Antecipo e arrisco a pelo menos três movimentos: 1) Até 14 de novembro de 2008, o governo ainda mantinha uma reserva, feita a partir dos depósitos compulsórios, de R$ 215,9 bi no BACEN. As reservas internacionais são da ordem de US$ 200 bi. Assim, com a "folga" construída na base de uma política de exportações demencial (vendemos soja e compramos tecnologia!) a Banca seguirá chantageando o Estado que lhe serve e dela é parte constitutiva e esgotando as "sobras líquidas" edificadas sobre os "fundamentos da Economia" de Mr. Meirelles, o interventor do Brasil. 2) O processo de fusões, ou seja, de concentração de controle de capital financeiro já começou. A compra do Unibanco pelo Itaú, contou com anuência do governo, que se recusa a governar, e não dispõe dos mecanismos legais (mas surreais) de exercício da delegação de poder conseguida não numa transação bancária, mas através do voto popular. Os seguintes órgãos e outros mais que não citei, simplesmente não funcionam e quando são funcionais, não chegam a punir: - Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE, do Ministério da Justiça); - Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF, do Ministério da Fazenda); - a Secretaria de Direito Econômico / Departamento de Proteção e Defesa Econômica / Coordenação-Geral de Controle de Mercado (também do Ministério da Justiça); dentre outros, tudo isso é acaba sendo para inglês ver. Na compra executada por Roberto Egydio Setúbal (Itaú) com a anuência de Pedro Moreira Salles (Unibanco) e Pedro Malan (sim, ele mesmo), o presidente foi informado de algo que ele e seus subordinados deveriam REGULAR! A farra começou e o Estado vai entrar pesado, para segurar a quebradeira de bancos menores e para acabar de matar o federalismo de faz-de-conta tupiniquim. Isto porque quando não restarem bancos estaduais e tudo se resumir, na área estatal, ao Banco do Brasil, a União consolidará o projeto de poder de país unitário. 3) Banca "vai partir prá dentro". Com todos pendurados no super-endividamento e com o crédito difícil, a inadimplência de pessoas físicas e jurídicas tende a aumentar. Resultado, a incorporação de patrimônio pela Banca, executando dívidas e tomando na ponta da caneta o fruto do trabalho e esforço de milhões de brasileiros. Tudo isso ocorre porque o governo eleito pelo voto popular, governa no exercício da usurpação do direito da soberania dos eleitores. A população se vê emparedada com a carência cognitiva e incapacidade de responder a este tipo de ataque. O que está ocorrendo no Brasil além de acumulação capitalista, é roubo mesmo. A Banca está roubando a riqueza acumulada na base da exportação de produtos agrícolas e devastação de nossos bens naturais não renováveis. Além da espoliação dos últimos 13 anos seguidos, agora a mesma Banca - somada aos operadores de câmbio (isto quando as quadrilhas não são a mesma coisa) - chantageia o Estado e o força a torrar o que segurou. O dinheiro que era para o Sistema Único de Saúde (SUS) e para a Previdência Social virou reserva "estratégica" para jogar o jogo da liquidez. Assim, se "governa" para os banqueiros e não se EXECUTA as funções de ESTADO, conforme reza a tal da Constituição que ninguém cumpre, porque o Direito é uma coisa, a Lei é outra e a operação das Leis é outra também. Se há alguma novidade não é da falácia de crise cíclica do capitalismo, mas na explicitação das posições de ESTADO. O problema é que a compreensão deste mecanismo é tão simples, que ninguém acredita. Não fosse a colonização da POLÍTICA pela linguagem e pelo jargão financista-neoliberal e estaríamos com todas as condições ideológicas para fazer uma PUEBLADA tentando retomar na raça o que é nosso por direito. Se esta é a dificuldade, portanto este é o desafio a ser cumprido. Data da publicação: 18/11/2008 11:27

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O dublê de delegado e deputado federal pelo PMDB do Rio, Marcelo Itagiba. Respondendo ao governo do tucano histórico Sérgio Cabral Filho, representa uma das várias PFs que são usadas para a luta dos gladiadores dos piratas das finanças bancadas pelo Estado. Quem paga o pato é o Sérpico tupiniquim, quando a vida imita a arte e não tem Lunus para estourar.
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Os dilemas da Satiagraha
Bruno Lima Rocha 4ª, 12 de novembro de 2008, Vila Setembrina dos Farrapos, Continente dos Traídos em Porongos, Liga Federal de los Decididos de Córdoba Acompanhar os desdobramentos da Operação Satiagraha resulta mais emocionante do que qualquer filme de ação. Ao contrário de um thriller de Hollywood, o que está em jogo é real. Estamos falando de recursos do Tesouro Nacional, do Plano Geral de Outorgas em Telecomunicações, da impunidade estrutural e do próprio aparelho de segurança e inteligência da União. Só por este fato singular já temos a dimensão do peso dos agentes envolvidos. Ao atingir um operador financeiro do porte de Daniel Dantas e sua instituição, o Banco Opportunity, a equipe do delegado federal Protógenes Queiroz expôs a fragilidade de nossas instituições coercitivas e do sistema de Justiça. Estamos diante de uma encruzilhada. Por um lado, a cidadania aprova a Satiagraha, aplaudindo com sentimento de justiça a ação dos agentes da lei. De outro, o senso comum indica que a Justiça é seletiva e inverte valores. Vemos os investigadores serem investigados pelo órgão ao qual servem. Isto se dá antes mesmo da PF periciar todas as provas (como os HDs apreendidos desde a Operação Chacal) e chegar a uma conclusão que municie de materialidade a decisão do judiciário. A Contra-Operação G falou a que veio e deixou seu recado. Independente do que venha a ocorrer com esta investigação, entendo que o estrago está feito. Dificilmente um brasileiro que paga seus impostos irá aceitar de bom grado uma situação absurda como essa. Se a crise política de 2005 gerou desconfiança para todo o sistema político-partidário, este caso ratifica a idéia de que a coerção do Estado não é para todos. A conclusão lógica é a noção de que "uns são mais iguais do que os outros". O problema também é de ordem institucional e política. Dentro da Polícia Federal, é certo que a hemorragia interna vai demorar ainda mais para estancar. Isto se estancar. Já a relação entre a PF e a ABIN, que já era difícil, agora será de tensão permanente. Mas a pior parte é no campo da motivação do servidor público. Deixo aqui duas questões. Depois dessa Operação, qual policial federal se sentirá incentivado a investigar um capitão de indústria, grande investidor ou político influente? A quem interessa a desmotivação dos agentes, peritos e delegados da polícia judiciária da União? Este artigo foi originalmente publicado no blog do jornalista Ricardo Noblat Data da publicação: 14/11/2008 10:48

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O cientista político Barack Obama sabe que é mais fácil manter um Império falimentar do que confrontar com o Camelot do Estado Corporativo.
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A respeito da vitória de Obama e a América Latina
Bruno Lima Rocha Refletindo de modo apressado a respeito da vitória do cientista político por Columbia e advogado por Harvard, sou obrigado a expor as obviedades que ninguém diz. Barack Obama cumpriu os rituais de entrada na elite dos EUA. O termo em inglês, ruling class, a classe que legisla, que manda, dentro e fora dos limites institucionais, me parece o mais apropriado. Para ser parte deste círculo fechado, o ritual de passagem inclui a formação acadêmica de excelência e algum contato com a Ivy League (Liga de Universidades do Nordeste dos EUA). Tanto o presidente eleito do Império como sua primeira dama, Michelle Robinson, tem o selo de qualidade de três das oito universidades (Columbia, Princeton e Harvard) que compõem o círculo mais antigo da formação de membros das elites dirigentes da pátria de Oliver North e Dick Cheney. Barack é o exemplo vivo do multiculturalismo, mas o melting pot tem de dar frutos para dentro das linhas de fronteira marcadas pelo Destino Manifesto. Porque para os demais países, após o arco-íris não tem pote de mel algum e sim um porta aviões. Se ele entrou como azarão na representação político-partidária, Obama não vai brincar de apertar o Camelot como fez o filho do irlandês que traficava bebida durante a Lei Seca. No campo simbólico, sua vitória é um marco da política mundial. Em uma sociedade racialmente dividida, um afro-descendente ganhar é a prova cabal de que a ação afirmativa abre caminho para uma nova classe de ex-discriminados. Dito e feito, mas deve ser só isso. Para os povos que se defrontam com a outra ponta do Big Stick, alguns "gestos" são essenciais. No que nos diz respeito como latino-americanos, ficam agonias como: - O bloqueio econômico a Cuba, será ou não suspenso? - A base militar imperial que também serve de prisão, em Guantánamo, o que irá fazer com a masmorra? - A 4ª frota, terá o mesmo papel de avanço sobre os recursos naturais da América Latina? - O papel do Departamento de Estado, CIA e DEA, será o de continuar conspirando para derrotar todo e qualquer governo com traços de soberania nacional e respeito da vontade popular no Continente? - Seguirão fazendo aportes de montantes absurdos para a Colômbia, dando sustentação ao governo do narcotraficante e paramilitar Álvaro Uribe Vélez? - A biopirataria na Amazônia seguirá sendo feita por "missionários" estadunidenses? - Na economia financeira e o re endividamento de nossos países, Washington vai dar suporte para a retomada do avanço do Banco Mundial sobre os caixas públicos da América Latina? A lista poderia seguir por mais vinte páginas, mas o tema de fundo passa por uma reflexão que deve ser feita pelos próprios latino-americanos. O mundo vive sob a ação do Império, mas nosso Continente sente esta presença direta, peleamos cotidianamente para deixar de ser o alvo do Big Stick. Por mais colonizada que sejam as elites dirigentes da América Latina e Caribe, o sentimento popular é anti imperialista e anti yankee. Para mudar esta situação, o novo chefe do Executivo deve tomar posturas de multilateralismo imediato. Duvido que o faça. Emparedado entre algumas aspirações reformadoras e as razões do Estado Corporativo de lá, provavelmente será o mais midiático dos presidentes estadunidenses. Mas, para os povos ao Sul do Rio Grande, deve ser apenas isso. Como afirmou o general de homens livres José Gervasio Artigas, gaucho oriental, após quinze anos na lida de vento, chumbo, lança e coxilha: - Somente podemos confiar em nós mesmos. Para acessar este artigo em inglês, favor ir para o Blog do Estratégia & Análise na Guerrilla News Network Data da publicação: 12/11/2008 19:27

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Roberto Setúbal, presidente do Itaú, é o homem forte da banca que falante na língua de Machado de Assis. Herdeiro de Mauá, ELE comunica ao presidente eleito o futuro da Banca no Brasil que o ex-sindicalista deveria governar.
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O fundo de realidade na falta de POLÍTICA para a "economia" brasileira
Bruno Lima Rocha Há um problema de fundo, que vai além da aposta na jogatina financeira com o valor da moeda brasileira em relação ao dólar. Não há crescimento sustentável que se agüente sem estar ancorado na poupança interna. Qualquer macro economista, pós-keynesiano ou economista político decente vai afirmar isso. É impossível imaginar a soberania da decisão política se esta capacidade decisória "flutua" sobre recursos que os mecanismos sociais de regulação econômica não controlam. Isso é impossível no capitalismo, que dirá em outra forma de gerir a sociedade. Portanto, quando os agentes econômicos "se expõem" ao endividamento com outro indexador que não seja a própria moeda do país, ficamos todos à deriva das infelicidades destes gestores. Não estamos falando dos tubarões do mercado financeiro, mas sim de quatro em cada cinco empresas não-financeiras e que tem ações negociadas na Ibovespa! 4 em 5, mais de 80% do capitalismo real privado no Brasil! Portanto, são empresas de capital aberto, empregando gente e são vitais em uma cadeia de valores de sustentação de cidades inteiras. De cada duas S/A operando no Brasil e jogando seus papéis no Índice da Bolsa de São Paulo (Ibovespa), uma pode estar endividada na moeda controlada por Bernanke e Paulson! Este dado, publicado no Jornal do Comércio do RS, de 3ª 28/10/2009 (pág.7), nos evoca o debate de fundo e que nenhum "especialista" de opinião econômica quer entrar. Semana passada comentei o fato político com enfoque econômico no curso "Mídia, Controle e Democracia", promovido pelo Grupo de Pesquisa Cepos/Unisinos e onde participo. Apenas citei de memória este dado. Entendo que um tema assim é um escândalo nacional. Se o público que assiste a novela do eucalipto tivesse a capacidade cognitiva e a motivação ideológica para a rebeldia, apenas esse dado valeria um Caracazo! 4/5 da economia brasileira de capital aberto está pendurada em papel podre, usou o dinheiro captado para apostar na jogatina e agora vê seu valor arriscando cair. A fraude nos balanços da Enron abriu a porteira para o inferno dos números que não comprovam o valor real. O Estado não é nem responsivo às demandas sociais e menos ainda é regulador do capitalismo exercido no Brasil. Nem as autoridades diretas e nem as delegadas pelos próprios entes faz nada perante o deita e rola dos agentes financeiros. Onde estava a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que não monitorou essa loucura? Para que existe o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) e não controla atividade alguma? Ah, não por acaso este órgão pertence ao mesmo Ministério da Fazenda! Sim, o mesmo Ministério cujo responsável, o economista Guido Mantega, disse desconhecer o "tamanho real do problema" com papéis tóxicos? Para que Estado se não regula? Depois reclamam da farra dos aventureiros das finanças e da jogatina com a moeda nacional e o patrimônio alheio! E agora o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), mais uma vez não defende nada e aconselha menos ainda. Este órgão do Ministério da Justiça é tão (in) executor de políticas e braço operador de Justiça quanto mantém o padrão de não regular nada e apenas definir leite já derramado. O mesmo que sucedeu com a AmBev (compra da Antarctica pela Brahma) termina por ocorrer na compra do Unibanco pelo Itaú. A família Moreira Salles se livra de um problema, descola o Banco do embaixador com a vinculação à falimentar seguradora AIG, planta rumores de que iria ser comprado pelo Santander, flerta com o Bradesco e se deixa incorporar pelo Itaú. O presidente da República foi informado do negócio. Ex-dirigente sindical, soube de uma fusão que encolhe o mercado interno, otimiza duas empresas em uma e certamente vai gerar demissão da categoria dos bancários. O ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo nada fez e nem deixou fazer. Aplaudiram de longe e plantaram a notificação futura do CADE a respeito do negócio já consumado. O mesmo se deu com os acionistas das duas corporações. Nada falaram e nem foram consultados. As tarifas bancárias e a taxa Selic são os fatores dos superávits recordes da Banca brasileira. A agiotagem de terno e gravata precisa do Ministério da Fazenda e do Banco Central. Com certeza o governo do Copom, com o presidente Fernando Henrique Meirelles soube antes e aplaudiu a medida. Os demais são comunicados depois. No capitalismo do Brasil não precisa de CADE, COAF, Ministérios da Fazenda e da Justiça e nem Presidência da República. A margem de manobra da Banca é tão grande como um ponto de jogo do bicho na esquina de avenida movimentada. Já tem arrego para a patrulha da área e ninguém corre de cana. No Planalto Central e na São Paulo de Piratininga, ninguém corre do Estado, porque o Estado existe para servir a acumulação de capital da banca de agiotas com terno sob medida e gravata de seda importada. Que democracia é essa?! Data da publicação: 04/11/2008 09:38

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A fábrica da Aracruz na beira do Lago Guaíba ameaça não receber os investimentos na sua expansão. O motivo foi a jogatina de seus executivos no mercado futuro, papéis podres e títulos derivativos.
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O mercado futuro e as papeleiras que se financiam gerando dívida externa
Bruno Lima Rocha 5ª, 30 de outubro de 2008; Vila Setembrina dos Farrapos; Continente de São Sepé; Liga Federal "Se escolher navegar os mares do sistema bancário, construa seu banco como construiria um barco: sólido para enfrentar com segurança, qualquer tempestade". A bela frase, que dá a idéia da importância da "segurança no investimento" e a "credibilidade de honrar depósitos e compromissos" é de Jacob Safra, judeu sefardita residente em Alepo, Egito, e que dera início ao império da família de financistas, como eles mesmos se auto denominam. Pois a segurança ao navegar parece que não foi levada em conta pelos mares dos derivativos. O Banco Safra detém 28% do capital acionário da Aracruz Celulose. Outros 28% pertencem ao grupo sueco-norueguês Lorentzen; 28% a Votorantim Celulose e Papel (VCP, subsidiária da Votorantim) e como sócio minoritário e financiador das papeleiras, entram 12,5% do capital pertencendo ao BNDES. Apostaram errado e agora, ao invés de liquidar parte do patrimônio do banco para cobrir a perda. Não começa na crise a série de atos de tipo irresponsável e criminoso envolvendo a silvicultura no RS. Antes de estourar a crise da jogatina financeira, alguns procuradores da República instalados no Rio Grande chamaram a atenção para o desrespeito ao zoneamento ambiental e a participação do Estado, através de recursos do Tesouro Nacional alocados no BNDES, na infração das leis federal e estadual. Agora, entramos em um terreno ainda mais nebuloso. Como pode uma empresa com participação acionária do dinheiro do contribuinte apostar em mercado futuro? Que papel cumpre o Estado, através de seus "técnicos de carreira" e controladores, se a hierarquia do Banco de "Desenvolvimento" não controla seus investimentos. Expor ao risco o dinheiro público é apropriação indevida. A dimensão política dessa aventura com o patrimônio coletivo é a usurpação privada dos bens e riquezas gerados pela sociedade. A Aracruz Celulose e Papel, uma joint-venture de grupos com vinculações brasileiras, mas atuando como transnacionais, anunciou perdas com "derivativos e câmbio" da ordem de R$ 2,1 bilhões apenas no terceiro trimestre de 2008. Ou seja, estava jogando no mercado futuro, deixando no risco e no cassino as linhas de crédito por esta empresa obtida. Já é um absurdo dispormos as terras mais férteis do país para o plantio de árvores exóticas cuja finalidade do produto é o papel para exportação. Isso é uma forma econômica de invasão do território do Cone Sul e do uso dos recursos não renováveis, como o Aqüífero Guarani e a Laguna dos Patos. Além do cloro em abundância no Lago Guaíba, fica a expectativa frustrada da não-expansão da fábrica de Guaíba, e a "choradeira" de sempre. Forçando o Estado a refinanciar o capital privado, já preparam o terreno midiático para condicionarem a "saúde financeira" com uma ou mais linhas de crédito abertas pela União. Preparemos todos nossos bolsos, pois mais facada virá. Os resultados da Votorantim Celulose e Papel (VCP), empresa do Grupo Votorantim apresentam "prejuízo líquido de R$ 586 milhões" no terceiro trimestre de 2008. Foi o preço do papel? Alguma praga que se abateu nos desertos verdes de eucalipto? Não, a perda foi o estouro da bolha e a jogatina com linhas de crédito. O Grupo Votorantim vai torrar R$ 2,2 bilhões para "diminuir a sua exposição cambial". Traduzindo, a VCP e sua matriz pegaram dinheiro barato lá fora, apostaram na valorização da moeda brasileira, venderam seus créditos e podem não honrar seus compromissos de dívidas. Não bastasse isso, ainda aumentam o rombo nos balanços em função do dólar valorizado acima da "aposta no swap". O mercado futuro impregnou o sistema produtivo, financeirizando os balanços e condicionando as expectativas destes agentes econômicos. Já não basta ter de financiar com dinheiro público - de forma direta e via isenção fiscal - os investimentos "produtivos" destas empresas. A "choradeira gerencial" é para que os contribuintes cubram o rombo fruto da aposta errada. Os projetos das papeleiras já são uma barbaridade do ponto de vista estratégico. Dentre vários motivos para essa firmação, elenco três deles: o modelo vai gastar em 30 anos recursos naturais não-renováveis; vai poluir as reservas de água já potáveis; e vai usar a terra fértil para uma commodity primária e que não alimenta ninguém. Isto sem falar no absurdo de desnacionalizar o solo em terras de fronteira e rasgar as normais legais através de contratos de gaveta para plantio de eucalipto e áreas de mananciais e lindeiras da Laguna dos Patos! Além das razões elencadas acima, o entreguismo narrado tem ares de tragédia produtiva. O que produz não presta para uma sociedade sana e sustentável. E, antes de produzir, apostam seus créditos e comprometem já as poucas riquezas que podem gerar. No fim do túnel, a luz da lanterna de salvação deles é o Tesouro Nacional. Quanta "coincidência"! Data da publicação: 30/10/2008 12:59

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O ex-dirigente do PRC e atual ministro da Justiça, catapulta seu intento de marcha rumo ao Piratini através da vitória ao longo da BR 116. Se fizerem uma devassa nas contas de Canoas, ninguém tem idéia de onde isso pode parar.
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Os dois vitoriosos nas eleições municipais gaúchas
Bruno Lima Rocha 4ª, 29 de outubro de 2008, Vila Setembrina dos Farrapos, Continente de São Sepé, Liga Federal As eleições municipais gaúchas apontam dois vitoriosos e um novo mapa metropolitano. Os chefes políticos ganhadores foram o ministro da Justiça Tarso Genro (PT) e o senador Pedro Simon (PMDB). O grupo de Tarso venceu em Canoas, a terceira maior cidade do estado. Para conquistar a vitória de Jairo Jorge, o PT abriu o leque das alianças. Chegou ao ponto de compor chapa tendo o PP como vice. Venceram, abriu-se a porteira e a experiência pode vir a se repetir. Já Simon saiu triunfante como estrategista político por dois motivos. Primeiro, se ratifica como a maior liderança do "seu MDB". Isso porque a outra referência para todo o estado, o deputado federal Eliseu Padilha, está de perfil baixo por ser um dos investigados na Operação Solidária. Segundo, tirou José Fogaça do PPS trazendo-o de volta para sua legenda de origem. Com isso, desestruturou a base do grupo vinculado ao ex-governador Antônio Britto, ganhou a prefeitura de Porto Alegre e abriu a cancha para o Piratini em 2010. A vitória destas lideranças veio acompanhada de duas novidades. O PMDB jamais havia ganhado a eleição para a prefeitura de Porto Alegre. Ao lado, na Região Metropolitana (eixo BR-116/Vale dos Sinos) o PT venceu nas cidades de Canoas, Sapucaia, Esteio, São Leopoldo, Novo Hamburgo e Sapiranga. Estou me referindo a um universo de 773.912 eleitores que se bem trabalhados, podem contrabalançar os votos que o partido de Maria do Rosário vem perdendo na capital. Para dar uma idéia comparativa da dimensão deste eixo metropolitano, Porto Alegre tem um colégio de 1.033.885 eleitores e Caxias do Sul, a segunda cidade, tem 295.264 votantes. Ganhar aí reforça muito a posição de Tarso Genro para concorrer ao governo do estado. Do lado do PMDB a dimensão é outra. Junto com o PP forma a espinha dorsal da política gaúcha. Respectivamente, estes partidos governam 143 e 147 municípios. A diferença está na gravitação, pois a legenda de Simon governa cidades maiores. Se conseguirem indicar um candidato competitivo, as pré-condições para a corrida estadual de 2010 estão dadas. Já no domingo se conjecturava o nome do próprio José Fogaça para o Piratini. E, por mais que o prefeito reeleito negue, nenhum analista sensato pode descartar essa possibilidade. Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat. Data da publicação: 30/10/2008 11:26

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A quase-secretária e procuradora do estado Mercedes Rodrigues, assumiu a Secretaria que não chegou a ser um Gabinete e ajudou Yeda Crusius a seguir no cargo. Agora sai sem sequer ser recebida pela governadora.
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Transparência para que?
Por Felipe Fonseca e Lisandra Arezi Revisão: Bruno Lima Rocha Mercedes Rodrigues, titular da recém-criada Secretaria da Transparência, Prevenção e Combate à Corrupção, pediu afastamento do cargo nessa segunda-feira (20/10/2008). A ex-secretária havia assumido a pasta em julho, após ter passado pela secretaria-geral do Estado. A pasta foi criada informalmente por sugestão do Gabinete de Crise do Governo do estado, em meio aos escândalos gerados pelas denúncias que envolveram o alto escalão do Governo Yeda, como as fraudes no DETRAN-RS e as gravações que derrubaram o então chefe da Casa Civil, Cézar Busatto. Naquele momento, a Secretaria surgiu como um símbolo da reação contra a corrupção no Estado. Ou seja, Yeda abafou a crise prometendo a criação de uma estrutura. A crise parou, mas a estrutura de combate à corrupção sequer ganhou chances de existir. Em entrevistas concedidas para alguns veículos estaduais, a ex-secretária alegou que havia falta de comunicação entre "atores e participantes". Este pensamento não é nenhum absurdo, visto que Mercedes não foi recebida pela governadora Yeda Crusius nem sequer para deixar sua carta de demissão, precisando entregá-la ao chefe da Casa Civil, José Alberto Wenzel. Mercedes sacramentou a sua decisão quando soube que o projeto para oficializar a criação da Secretaria, novamente não foi encaminhado pelo Executivo à Assembléia Legislativa. Após 90 dias da criação da pasta, a Secretaria não dispõe sequer de uma sala própria, e tem apenas dois servidores, quando a expectativa era de contar com cerca de 20 pessoas. Segundo Mercedes essa foi outra causa de seu pedido de afastamento. Sem estrutura de trabalho, pouco se podia fazer. Ela alegou ainda que a criação de uma pasta de transparência sempre desacomoda e gera desconforto. Esse pode ter sido um dos motivos do descaso do governo com a nova Secretaria. Ao saber do pedido de demissão a governadora classificou a saída de Mercedes como um "desajuste de concepções" anunciando o nome de Otaviano por volta das 22h30min da noite da segunda-feira (20/10/2008), em Canela, durante a abertura da Festa Nacional da Música. Ora, se há um desajuste de concepções transparece a falta de estruturação desta e de outras secretarias que com propostas mal desenvolvidas, abrem nossos olhos para escândalos que se tornam público. O que me parece é que a Secretaria foi criada estrategicamente como uma tentativa quase desesperada de manter a aparência de que o governo iria agir. Em tese, o governo Yeda iria quebrar o pacto oligárquico com os partidos do co-governo e iria punir os responsáveis por escândalos, fraudes e corrupções. O DETRAN-RS seria passado a limpo e isso seria só o começo. Os fatos provam que a Secretaria nem chegou a ser oficializada, e tampouco colocada em funcionamento com a estrutura necessária. Isto por si só mostra o desinteresse do governo em esclarecer as denúncias e julgar eventuais culpados, o que geraria uma turbulência ainda maior na já suficientemente conturbada administração de Yeda. Em sua saída, Mercedes revelou ainda a existência de investigações sobre um relatório da inspeção do Tribunal de Contas do Estado (TCE) na Companhia Riograndense de Saneamento (CORSAN). De acordo com o relatório existem itens a serem explicados em relação a licitações. Esses pontos têm sido apontados desde 2005 pelo TCE. A ex-secretária disse também que o estado está vulnerável neste momento, por, na prática, não ter sido implantado nenhum sistema de combate à corrupção. Parece que o descaso foi além da falta de comunicação. Na entrevista que confirmou o nome de Carlos Otaviano Brenner de Moraes, até então secretário do Meio-Ambiente, como substituto de Mercedes, Yeda se referiu à pasta como "Gabinete", e disse que o mesmo "se encontra em processo de receber sugestões, para que a sociedade perceba e participe desta inovação. Ele coordena as ações de transparência, que hoje é um requisito de todo o governo". O questionável é a necessidade de sugestões para uma pasta que já tem sua função definida no próprio nome. Também é de se perguntar os motivos de a governadora não ter lançado publicamente o "Portal Transparência", já montado pelos técnicos da Contadoria e Auditoria-Geral do Estado (CAGE). Até o presente momento, o "novo jeito de governar" parece ter ficado apenas no lema de campanha da atual gestão. É um gerencialismo capenga, com declarações enfáticas sendo desmentidas seguidamente. A cada dia que passa o futuro de Yeda se aproxima do capital político de Antônio Britto. E a postura do povo gaúcho será de continuar suspeitando das ações do governo. Data da publicação: 28/10/2008 09:00

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Mr. Alan Greenspan deve explicar como vamos pagar a conta da sua estúpida exuberância irracional dos títulos derivativos negociados instantaneamente em todo o planeta.
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Compreender o incompreensível - ou a delinqüência em forma de "intelectualidade neoliberal e financeira"
Bruno Lima Rocha 6ª, 24 de outubro de 2008 Vila Setembrina dos Farrapos, Continente de São Sepé, Liga Federal dos Povos Livres No último artigo, repeti a afirmação do absurdo. As premissas ideológicas do sub-prime, derivativos, bolhas especulativas e imobiliárias são as mesmas do neoliberalismo. Isso implica, não em chavões, mas em loucura e crime em linguagem para-científica. Vejam a ladainha de Milton Friedman (1912-2006), que aliás eu já pus aqui, mas repito de novo, dado o absurdo e as terríveis conseqüências. Em 1953, na sua obra The Methodology of Positive Economics (A Metodologia de Economias Positivas) dentro de uma coletânea de "ensaios" (Essays of Positive Economics, Chicago Univ. Press), o mentor intelectual dos Chicago Boys e da experiência do Fascismo de Mercado no Chile de Pinochet, afirma (p.14): "...hipóteses realmente importantes e significativas possuem pressupostos que são representações descritivas tremendamente imprecisas da realidade..." Anos depois, em seu livro de memórias (póstumas), Alan Greenspan, o homem que autorizou a desregulação dos Bancos de Investimento dos EUA e deixou estourar a bolha das empresas ponto.com, afirmou algo semelhante. Em "A era da turbulência, aventuras em um novo mundo" (Campus, 2007), o ex-membro do Gabinete de Crise de Gerald Ford e todo poderoso do Fed de Reagan, Bush pai e Bill Clinton (de 1987 a 2006), afirma (p.325-326): "O capitalismo de mercado é uma grande abstração que nem sempre é compatível com a visão ’espontânea’ de como funciona a economia. Presumo que os mercados sejam aceitos em face de sua longa história de criação de riqueza (grifo meu). Contudo, muita gente não raro se queixa, inclusive para mim: ’Não sei como os mercados funcionam, parece que sempre estão à beira do caos’.[...] quando as economias de mercado se desviam durante algum tempo de uma trajetória aparentemente estável, reações competitivas entram em ação para restabelecer o equilíbrio (grifo meu)." Para não seguir adiante na ladainha, as origens deste pensamento de tipo fantasioso, mas operacionalmente nefasto, pode ser encontrado em uma obra profética. Em "Capitalism and Freedom" (Capitalismo e Liberdade, no original de 1962, Chicago University Press), o irmão gêmeo intelectual de Friedrich Hayek (1899-1992) apresenta seu receituário básico: "1) os governos deveriam abolir todas as regras e regulamentações que se interpunham no caminho da acumulação de lucros. 2) deveriam vender todos os ativos que possuíam e que podiam ser administrados pelas corporações, com fins lucrativos. 3) precisavam cortar dramaticamente os fundos destinados aos programas sociais." O resultado das premissas e aplicações de Friedman no Chile e as conseqüências das medidas tomadas - e as não tomadas - por Alan Greenspan nos EUA e, por tabela direta, no mundo inteiro, estão à vista de todos. A tal da turbulência dos mercados nada mais é do que o fruto de 8 anos de farra dos derivativos, onde um valor representava 64,3 vezes este mesmo valor! Um conjunto de hipotecas formava uma carteira de títulos. A partir daí, se formavam outras carteiras, com coleções de títulos derivativos desta mesma coletânea de hipotecas com calote anunciado. O todo do rombo é o mesmo valor do todo negociado - e sem lastro. Muito dinheiro se incorporou aos fundos de investimento, fortunas em bônus de "desempenho" entraram para bolsos de altos executivos e contas offshores em paraísos fiscais e financeiros. Enfim, a conta a pagar pela humanidade é de US$ 668 trilhões. Para termos um marco de comparação, os dez maiores PIBs do mundo em 2008 (dados de 2007), segundo o FMI, são da ordem de: Estados Unidos US$ 14,20 trilhão Japão US$ 4,87 trilhão China US$ 3,94 trilhão Alemanha US$ 3,65 trilhão França US$ 2,84 trilhão Reino Unido US$ trilhão Itália US$ 2,83 trilhão Rússia US$ 2,33 trilhão Espanha US$ 1,70 trilhão Brasil US$ 1,62 trilhão Com este demonstrativo, podemos expor o tamanho do rombo e a conta a ser paga pelo absurdo da coisa. Quantas empresas jogaram no cassino digital? Quantas transnacionais estão penduradas por seus balanços fraudados? Porque agora os resultados de 2008 estão aparecendo muito piores do que em 2007, mesmo tendo a crise do sub-prime (o não pagamento das hipotecas em função do aumento dos juros básicos dos EUA e a da inflação estadunidense vinda dos gastos com as guerras do Iraque e do Afeganistão) estourado no primeiro semestre do ano passado? Será porque os Estados, através dos Bancos Centrais, estão comprando ações das empresas quase-insolventes, e assim salvando a liquidez destas pessoas jurídicas administradas como macro-organizações criminosas? Sim, acreditem que sim. As pistas seguem os rastros das patas dos mesmos tubarões das finanças e que foram em cana nos EUA. Voltando aos papas intelectuais e operadores financeiros do rombo, cabe uma cruel ironia para concluir este breve artigo. Greenspan está arrependido. É como Antonio Delfim Netto; depois de servir como ministro da Fazenda dos generais Costa e Silva e Médici; ser ministro da Agricultura e do Planejamento do general Figueiredo, Delfim se disse de "centro", posicionou-se ao lado de Lula (o sindicalista que segundo ele mesmo, tal como Lech Walesa, ’nunca foi de esquerda!’ e não foi mesmo) e apagou seu passado de Fascismo Econômico. Voltando ao ex-chariman do Fed, em depoimento no Congresso dos EUA, sob juramento, Greenspan afirmou sem meias palavras: "This modern risk-management paradigm held sway for decades. The whole intellectual edifice, however, collapsed in the summer of last year." / O moderno paradigma de gerenciamento de risco assegurou os balanços durante décadas. Entretanto, todo o edifício intelectual entrou em colapso no verão do ano passado (2007)" Precisa dizer mais? Ficam perguntas "singelas", temas "simples", do tipo: - Como pagar uma conta que é maior do que o conjunto da riqueza em moeda digital junta?! - Como pagar estas contas de exuberância irracional sem uma racionalidade que a regule? - Como o mundo confiará na auto-regulação outra vez? A resposta não está nos balanços fraudados, mas na correlação de forças que o mundo do trabalho e dos povos em luta tem de reconstruir. O caminho da soberania popular passa por lutar pelo controle das cadeias produtivas e o fim da interdependência tecnológica e financeira. Seguiremos no tema, sem trégua e nem fraudes. Data da publicação: 24/10/2008 10:57

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O dispositivo de da 2ª linha do BPChoque da Polícia Militar paulista atacou e sofreu o revide dos seus colegas da Polícia Civil em greve há mais de 30 dias. O modelo entra em colapso com o fenômeno da sindicalização policial.
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A greve da Polícia Civil e a situação limite
Bruno Lima Rocha São Leopoldo, Vale dos Sinos, 22 de outubro de 2008 Na tarde de quinta, 16 de outubro, o Brasil assistiu ao conflito entre as polícias paulistas. As categorias da Polícia Civil do Estado de São Paulo, em greve há mais de um mês, saíram em passeata exigindo a abertura de negociação. O governador José Serra (PSDB/SP) optou por não reconhecer os interlocutores indicados pelos grevistas. Os doze representantes dos policiais civis foram impedidos de ultrapassar a primeira barreira formada pela PM. Nas regras da política, essa é uma linguagem de conflito. Quando um dos lados, no caso Serra, não reconhece a interlocução indicada e há ânimo de luta na base social mobilizada, se abrem duas variáveis. Uma, a comissão de negociação desiste, "apazigua" a idéia de indignação e o protesto se tranca. A segunda, a base avança com ou sem a sua direção e se manifesta de forma direta. Os dispositivos da Polícia Militar ficaram emparedados. Se deixassem os colegas da Civil passar, isto caracterizaria insubordinação. Ao tentar impedi-los, tinham em conta que estavam diante de um adversário à altura. Dada a capacidade técnica das duas corporações, apesar de toda violência absurda, até que as baixas foram poucas. Outros fatores tornam a situação ainda mais grave. Primeiro, a batalha campal se deu no perímetro de segurança em torno ao Palácio dos Bandeirantes. Serra deveria buscar negociar dentro da Secretaria de Segurança ou em algum local neutro. Além de não conversar com o comando de greve, deixou exposto o símbolo do poder político paulista. Segundo, a ação repressiva da PM exaltou as rivalidades entre duas corporações policiais. Os custos desta relação institucional seriam insuperáveis se alguém saísse morto da passeata. Faltou pouco para isso acontecer. No Brasil, a Polícia Militar e a Polícia Judiciária (Civil), não se complementam e muitas vezes rivalizam entre si. Já afirmei este conceito antes. Vivemos uma verdadeira Babel policial. Um modelo de racionalidade gerencial implica em polícia unificada, carreira e academia inicial únicas, nível superior para todas as funções investigativas e dedicação integral para o trabalho policial. Enquanto isso não acontecer, o país passará por outras situações limite. Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat. Data da publicação: 23/10/2008 10:30

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Hannes Hólmsteinn Gissurarson, neoinstitucionalista professor de ciência política da Universidade da Islândia, um dos homens fortes do Banco Central do país de 320 mil habitantes. A ilha era tida como o paraíso da Escolha Racional na Terra, até o calote e a quebradeira promovida pelos neoliberais.
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A desregulação é o argumento irracional da macro-criminalidade financeira
Bruno Lima Rocha O presidente da União Européia e mandatário francês Nicolas Sarkozy se dirigiu à Camp David, no fim de semana de 18 e 19 de outubro. Acompanhava o aristocrata da terra de Jean-Marie Le Pen o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso. A Europa outra vez mais se encaminha de pires na mão pedindo razoabilidade à demência Neo Com encabeçada pelo filho do ex-presidente, sucessor de Reagan e que nos anos 1970 fora diretor-geral da CIA. A meta dos dirigentes europeus é abrir a cancha e fazer uma multilateralidade "responsável", incluindo aos países do G-5: Brasil, México, China, Índia e África do Sul. Os Estados dos BRICs, somados com a nação tolteca do presidente Felipe Calderón - o amigo de Bush Jr que tal como o texano ganhou fraudando - se somariam, segundo a proposta da Comunidade Européia, ao G-8, composto por: EUA, Canadá, Alemanha, Itália, França, Reino Unido, Japão e Rússia. A meta seria buscar uma forma de prevenção da jogatina financeira. Um marco de concertação tipo Bretton Woods, acórdão rasgado pelo inspirador da atual administração rumo a perder a vaga e a eleição. E, 1971, o presidente derrotado por Kennedy e pela operação mal feita de seus auxiliares, Richard Nixon mandara Bretton Woods para o esgoto cloacal e o mundo se ajoelhara diante do dólar. Até o final de novembro, o planeta verá uma cúpula pública na tentativa de acomodar o temor de recessão e possível depressão européia, aos tubarões e corsários de Wall Street que já condicionaram as posições do democrata Barack Obama e do republicano John Keating 5 MacCain. No momento em que o inimigo de classe dos líderes mundiais, o outro lado, o condicionamento social pela força dos sindicatos, inexiste ou está sub-representado, o capitalismo como ele é se vê diante do abismo permanente. Percebam o paradoxo. Quando havia bi-polaridade ou três posições, na China rompida com a União Soviética, a força do movimento popular-sindical e dos partidos de esquerda do Ocidente forçaram a Concertação de Classe Dominante a regular a ganância dos animais econômicos inspirados pelo absurdo. Entendam. O mercado auto regulado é um mito construído. A cada liberação de fluxo de bens simbólicos, capital financeiro e bens de consumo, aumenta a presença do co-governo das transnacionais e o Estado fica mais a serviço destes macro-operadores. A fixação de juros variáveis é outra demência. A irracionalidade não é uma frase de efeito criada pelo ex-presidente do Federal Reserve (Fed, Banco Central dos EUA) Alan Greenspan. A "exuberância irracional" é o pressuposto da coisa toda: "...hipóteses realmente importantes e significativas possuem ’pressupostos’ que são representações descritivas tremendamente imprecisas da realidade e, de modo geral, quanto mais significativa for a teoria, mais irrealistas serão os pressupostos(nesse sentido). Para ser importante [...] uma hipótese deve ser descritivamente falsa em seus pressupostos". O autor desta pérola do pensamento neoliberal é ninguém menos que o economista pai da Escola de Chicago, o sr. Milton Friedman, padrinho intelectual dos Chicago Boys que devastaram as estruturas sociais-produtivas conquistadas a duras penas pelos trabalhadores latino-americanos. O que Friedman fala é balizador para a justificativa e inspiração ideológica dos economistas e operadores em defesa da barbárie tecno-financeira. O delírio em forma de mentira sistemática é a posição da elite política dos EUA e dos corsários do sistema bancário e financeiro do mundo. Não regular o capital que flutua tem como conseqüência a medida de 1999, implementada por Bill Clinton referendando a posição de seus assessores econômicos. Quem liberou os juros para a autoregulação dos Bancos de Investimento foi a dupla Clinton-Greenspan. A farra dos malandros das hipotecas podres durou 8 anos. O companheiro João Pedro Casarotto, contador e fiscal de tributos aposentado e dirigente reeleito do Sindicato de Fiscais de Tributos do Rio Grande do Sul (sintaf-rs) apresentou numa aula em curso que dou na Unisinos, sua pesquisa do trambique do sub-prime. A mola mestra da bolha foi a "alavancagem" dos títulos derivativos. O tamanho da coisa é absurdo. Comparemos. Nas regras do Banco Central do Brasil, comandado pelo presidente do BankBoston Henrique Meirelles, o máximo de alavancagem que um banco comercial pode ter é de 4.7 vezes o seu patrimônio líquido. Nas regras dos EUA, os mesmos bancos comerciais podem ter na praça e em títulos e créditos, até 11.8 vezes o seu próprio patrimônio líquido. Na liberação dos juros e dos critérios "auto regulados pelo mercado financeiro", liberação esta feita em 1999, as financiadoras de hipotecas que faliram, as gigantes Fannie Mãe e Freddie Mac tinham 64.3 vezes o seu patrimônio líquido em carteiras de títulos podres! Em toda profissão e ofício é impossível admitir mais que 10% de erro médio. Imaginemos um condutor de trem que faz 40 viagens metropolitanas por mês. Se ele errar 10%, teremos no mínimo 4 acidentes ferroviários mensais. Vamos supor que o erro ocorra na aviação comercial. Que 10% dos vôos originários de um aeroporto com grande fluxo resultassem em acidente. Simplesmente todas as companhias aéreas daquele país iriam à falência. Retomo o argumento central: - Como podem os maiores operadores financeiros do mundo, incluindo bancos de investimento, financiadoras de hipotecas, gigantes do mundo dos seguros, uma boa parte dos bancos comerciais e as maiores corretoras de valores do planeta "errarem" mais que 10% de seus investimentos ao longo de oito anos consecutivos? Simplesmente não pode ser levado em conta o argumento. Esta bolha foi fabricada pela ação de especuladores e na certeza de que o Estado teria de intervir porque não existe capitalismo sem liquidez do sistema bancário. Casarotto nos apresenta a denominação dos títulos da "sub-prime": bônus hipotecário lixo; títulos hipotecários sub-prime; resíduos tóxicos (toxic waste); empréstimos Ninja - sem renda, emprego ou posses (No Income, No Job or Asset). O "estouro" da bolha foi simplesmente devido ao aumento da taxa básica de juros - não a de "livre fluxo" - mas a determinada pelo Fed. Ou seja, não tem livre flutuação nenhuma, tudo não passava de uma aposta. O Banco Central yankee aumentou de 1% para 5,25% - pouco comparada com a taxa real de 13,66% ao ano fixada pelo governo do Copom no Brasil dos banqueiros - e com isso surge a inadimplência do Prime (dos hipotecados que podiam pagar). A inflação da potência militar comandada por Dick Cheney, porta-voz de empresas como a Halliburton e a Blackwater tem como origem o gasto público descomunal para financiar o esforço de guerra e honrar os contratos do Estado com as corporações privadas. Quando a inadimplência começa a atingir os devedores do sub-prime - tomadores estes que estavam desde o começo na base de uma pirâmide insana - os elos da corrente financeira começam a quebrar. O volume do dano pode ser apurado pelo capital injetado através dos Estados - fruto da riqueza gerada pelos contribuintes - para sanear e dar liquidez (pôr dinheiro que possam honrar as transações feitas ou pré-acordadas) no caixa da jogatina. O sinal de alerta foi dado não pela ESTATIZAÇÃO da Fannie Mãe ou da Freddie Mac, mas sim quando as seguradoras declararam que não poderiam cobrir os danos. A maior seguradora dos EUA, a AIG, foi simplesmente ESTATIZADA à moda do "keynesianismo financeiro". A lista de "auxílio" é igualmente absurda e nela está toda a Banca implicada na jogatina. Só dos EUA, além das fraudadoras de hipoteca já citadas, estavam por quebrar Goldman Sachs; Lehman Brothers; Wells Fargo; Citigroup; Bank of America/Merrill Lynch/Bank Boston; Morgan Stanley; Bank of New York Mellon e o State Street. A American International Group (AIG) é a ponta do problema do ramo das seguradoras. Para termos idéia do tamanho da estafa e do absurdo da premissa universal de "racionalidade dos indivíduos que visam maximizar ganhos e minimizar perdas" vejamos os valores postos para cobrir os rombos. É por isso que o Congresso liberou US$ 700 bilhões de dólares, somados aos US$ 150 bilhões já gastos antes A Comunidade Européia já torrou mais de 1,08 trilhão de euros, o que equivale a US$ 1,47 trilhão: Alemanha (500 bilhões de euros); França (360 bilhões); Espanha (100 bilhões de euros); Áustria (100 bilhões de euros) e Portugal (20 bilhões). A Inglaterra seguiu o procedimento da Irlanda e entrou com 50 bilhões de libras, destinados a cobrir o buraco do Royal Bank of Scotland (RBS), Halifaz Bank of Soctland (HBOS) e Lloyds TSB. O esquema de "liquidez imediata e ligeira" promovido pelo Banco da Inglaterra inclui outros 200 bilhões de libras. A herança maldita do pensamento de Thatcher deixou as hienas da City londrina mais famintas do que nunca. Agora que a falsa terceira posição que pague a conta. Até a Suíça entrou com dinheiro, auxiliando os dois maiores bancos de lá, o UBS e o Credit Suisse. No UBS injetarão US$ 5,23 bilhões de dólares. Na Ásia, atingida pela quebra de Soros e do Baring’s em 1998-1999 e 2000, o crime com o dinheiro do alheio também foi grande. O absurdo continua na Coréia do Sul (com US$ 30 bilhões nos bancos locais), na ajuda do governo russo e na quebradeira de mais de 15 mil fábricas de têxteis e brinquedos na China. Este fechamento se deu no Delta do Rio Pérola, território econômico onde concentra um terço das exportações do país de Deng Xiao Ping. O Estado confucionista, visto como a redenção do capitalismo selvagem, responde por 5% do PIB mundial e definitivamente não tem como escorar o crédito produtivo do mundo nas suas costas. Talvez não escore nem a sua própria produção visando à exportação depredatória baseada no trabalho escravo e na desorganização da classe trabalhadora. Do total das fábricas de brinquedos, durante o ano das Olimpíadas de Beijing (este mesmo ano da graça de 2008), fecharam 3.631, 52% do total. Considerando que na China não tem seguro desemprego nem previdência social, a tendência é aumentar a pobreza nos subúrbios e fortalecer o nexo-político-criminal das máfias locais. A tentativa dos líderes europeus de contra balançar um pouco do peso da insanidade e de frear a roubalheira faz sentido. Dentro de sua "comunidade" eles já têm problemas demais, a exemplo dos gerados por operadores macro-criminais como Silvio Berlusconi - o Crocodilo da Itália, o homem que concorreu para 1º ministro para não ser julgado por crimes fiscais - e o professor de ciência política neoinstitucional, o islandês Hannes Gissurarson, um dos autores da proeza de quebrar um país ao ponto de levá-lo à insolvência. O intento dos líderes europeus é uma tentativa de se precaver perante a retomada da organização social não aderente à sociedade de consumo de bens culturais em abundância. Querem manter a idéia hegemônica de pós-modernidade e a preocupação pós-material. Faz 30 anos o sul do Velho Continente se deparou com desafios reais e processos de câmbio que batiam à sua porta. As elites políticas e os CEOs das transnacionais européias - herdeiras das Conquistas e da Invasão da América como a Telefónica de España e a Suez Company - não vão querer ver o tecido social coalhado de lutas populares regulares ao invés de protestos espontaneístas como se vê na luta anti-globalização. Nenhum líder político capitalista conseqüente com a estabilidade societária vai querer passar por um sufoco desses novamente. O problema não é a ESQUERDA enfraquecida. A crise se encontra no modelo de acumulação predatória. Já estouraram a bolha das ponto.com em 2000. Após, a farra da bolha imobiliária yankee contaminou o sistema bancário e financeiro de quase todo o planeta. Agora querem trazer as economias emergentes para o baile. As mesmas que quase foram quebradas nos ataques especulativos da virada do século XX. Esta é a dança da morte. Quem for para o baile, cedo ou tarde, terá de arcar com os custos do botim organizado pelos corsários de Wall Street e outras famigeradas companhias.
Data da publicação: 20/10/2008 12:56

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Este livro disseca, com precisão cirúrgica, um tema muito pouco estudado de verdade, apesar de todo o estardalhaço impresso nos principais jornais e revistas do país. Nele, o autor prova e comprova que o que foi tratado como uma exceção não passa de uma atividade corriqueira de uma das estruturas de vigilância do governo da União. Estrutura esta (a continuidade do Sistema SNI) que, malgrado maquiagens superficiais no cenário e figurino, nunca deixou de existir.
Este livro está a disposição no site da editora Só Tese.
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