Estratégia e Análise
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Da contra-informação ao pensamento único neoliberal: conceitos de crítica à indústria da mídia

O trabalho (1) tem como objetivo apontar conceitos operacionais para a crítica da indústria midiática, fazendo uma aproximação entre duas áreas de análise politicamente opostas, embora com epistemes semelhantes. Trata-se do diálogo entre o conceito de fabricação do consenso tolerável pelas regras hegemônicas, tendo como base as idéias pensáveis de Noam Chomsky, e a análise estratégica em sentido pleno. Para trabalhar estratégia, parte-se dos conceitos de um operador militar clássico, o general Golbery do Couto e Silva, dentro de seu modelo de análise com níveis de incidência e subordinação do método ao objetivo finalista, onde as indústrias culturais enquadram-se no nível psicossocial de atuação. Tal paradigma terá presença ao longo do artigo. Destacam-se alguns conceitos básicos para discutir a crítica à mídia hegemônica, partindo da caracterização do nível e seus macroambientes de operação.

crítica da mídia - fabricação do consenso - análise estratégica - níveis de análise - incidência - inteligência - contra-informação
26/01/2008 11:44
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Controle E Disputa Pela Democracia Na Comunicação Social

Este artigo analisa o estado atual da mídia brasileira em relação à influência das empresas que constituem os meios de Comunicação no Brasil e a participação dos movimentos pela democratização do setor, buscando contribuir para o debate teórico e de perspectivas para uma melhor atuação por parte dos ativistas de comunicação comunitária, assim como do conjunto do movimento popular. Parte de uma pesquisa bibliográfica e documental, além da análise de dados recentes sobre o setor, que busca evidenciar a importância da constituição de políticas públicas democráticas para o favorecimento do empoderamento popular em nosso país.

Políticas de Comunicação; Democratização da Comunicação; Mídia Brasileira; Empoderamento Popular; Radiodifusão Comunitária.
16/01/2008 13:17
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Ricardo Palma

Ricardo Palma Enfrentou muitas lutas, não apenas por sua própria sobrevivência, como pela preservação da cultura de sua pátria. Com suas lutas acabou definiu seu estilo, a prosa e o testemunho, relatos verídicos mesclando co um pouco de fantasia, elemento sempre presente na memória daquele povo. Ele acreditava que a oralidade de seu povo era a principal intérprete de sua história, e ele estava certo. Era um grande tradicionalista. Um trecho de sua obra:

 

"(...) Concluía el año de 1550, y era alcalde de la villa (Villa Imperial de Potosí) el licenciado don Diego de Esquivel, hombre atrabiliario y codicioso, de quien cuenta la fama que era capaz de poner en subasta la justicia, a trueque de barras de plata.

Su señoría era también guloso de la fruta del paraíso, y en la imperial villa se murmuraba mucho acerca de sus prapisondas mujeriegas. Como no se había puesto nunca en el trance de quel el cura de la parroquia le leyese la famosa epístola de San Pablo, don Diego de Esquivel hacía gala de pertenecer al gremio de los solterones, que tengo para mi constituyen, si no una plaga social, una amenaza contra la propiedad del prójimo. Hay quien afirma que los comunistas y los solterones son bípedos que se asimilan."

"Las Orejas del Alcalde - Crónica de la época del segundo virrey del Perú", publicada pela primeira vez em 1873, no El Coreo del Perú.

Ricardo Palma, biografia, Peru
05/05/2008 11:53
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Victoriano Lorenzo

O líder indígena, involucrado na Guerra Civil entre os partidos Liberal e Conservador, é mais um caso clássico de vontade popular manipulada por interesses oligárquicos. É a prova viva do exemplo de que massas em disponibilidade, identidade popular e ancstral, mesclada com a defesa da posse e do uso da terra natal, formam uma combustão popular quase incontrolável.

Victoriano é um personagem histórico, material, sua carne queimada no fuzilamento de um traidor da oligarquia, portanto, fiel ao povo, é digno de livro de Gabriel García Márquez. Seu Panamá e sua província de Chiriquí, o orgulho cholo, é tão presente no istmo da porta do mundo como em uma zamba cantando "cholita santiagueña, cholita salteña".

A sabedoria política dos cholos surge da necessidade de protagonismo popular e programa político compatível com as identidades e culturas ancestrais e mestiças; com a carga de informações que exigem a formação de conceitos diretos, formando o arcabouço teórico-metodológico geradores de ideologia de câmbio a partir do distributivismo com os dois pés fincados no campo nacional-popular.

Victoriano Lorenzo é parte da história nossa, desconhecida de nós mesmos; é o outro lado da política do Porrete Grande - Palo Largo - Big Stick; é a versão centro e latino-americana do lado B do protetorado do Império a partir de Miami e da famigerada Escola Panamá (extinta). O orgulho chiriqueño passa pela carne dos cholos de Victoriano.

Palavras-chave: Panamá - guerra civil colombiana (Liberal-Conservador) - cholos - chiriquí - criação do istmo

Panamá - guerra civil colombiana (Liberal-Conservador) - cholos - chiriquí - criação do istmo
17/03/2008 09:46
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Arquivos de análise política em áudio.
Entre, ouça livremente e sempre cite a fonte.


O novo jeito de governar não deu certo. As forças políticas situadas mais a esquerda querem que esse jeito novo acabe.
Alternativas e variáveis para o impedimento de Yeda Crusius.

Ouça neste áudio as especulações sobre o possível impedimento da atual governadora do Estado do Rio Grande do Sul.
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Data da publicação: 20/06/2008 23:35



Paulo Roberto Mendes assume comando geral da Brigada e institui a política de extermínio dos protestos civis.
Paulo Roberto Mendes sob os holofotes da crise de governo.

Escute neste áudio um comentário sobre as atitudes recentes da Brigada Militar e de seu Coronel Paulo Mendes.
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Data da publicação: 20/06/2008 23:29



O governo da professora de economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul está em crise. A necessidade de retomar alianças era urgente antes que houvesse uma debandada geral do governo. Mas a espionagem legal deixou o governo balançaram ainda mais as alianças antes firmadas.
No ainda governo de Yeda acabou o gerencialismo.

Escute neste áudio um comentário sobre a crise de governo no Estado do Rio Grande do Sul.
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Data da publicação: 20/06/2008 23:26



Existem dois processos simultâneos movimentos sociais da Bolívia, Venezuela e Equador. Esta processando atende por um lado as política de Estado, tentando transformar em política pública permanente as ações de distribuição de riqueza.
La cosecha de papas y porongos y lo sistemas politicos neoliberales.

Escute este áudio em castelhano sobre os movimentos sociais na Bolívia, na Venezuela e no Equador.
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Data da publicação: 20/06/2008 23:22



A destruição da floresta amazônica pode se tornar irreversível dentro de uma década.
O suposto tema do desenvolvimento sem freios da Amazônia. Parte 3

Ouça a primeira nota deste portal em castelhano na terceira parte das reflexões acerca da Amazônia. Créditos: Música Liberdade e Igualdade; faixa número do oito do disco Da Fronteira de Edilson Vilagran Martins e Natalina Cardoso.
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Data da publicação: 09/06/2008 09:31



A indústria de madeira ilegal está ligada à invasão de terras públicas e áreas protegidas e à abertura de estradas que facilitam o desmatamento e as queimadas para a produção de grãos e gado.
O suposto tema do desenvolvimento sem freios da Amazônia. Parte 2

Ouça a primeira nota deste portal em castelhano na segunda parte das reflexões acerca da Amazônia. Créditos: Música Liberdade e Igualdade; faixa número do oito do disco Da Fronteira de Edilson Vilagran Martins e Natalina Cardoso.
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Data da publicação: 09/06/2008 09:20



A Amazônia abriga 33% das florestas tropicais do planeta e cerca de 30% das espécies conhecidas de flora e fauna. Hoje, a área total vítima do desmatamento, diminui assustadoramente. Com esse processo, diversas espécies, muitas delas nem sequer identificadas pelo homem, desapareceram da Amazônia.
O suposto tema do desenvolvimento sem freios da Amazônia. Parte 1

Ouça a primeira nota deste portal em castelhano na primeira parte das reflexões acerca da Amazônia. Créditos: Música Liberdade e Igualdade; faixa número do oito do disco Da Fronteira de Edilson Vilagran Martins e Natalina Cardoso.
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Data da publicação: 09/06/2008 09:18



A governadora Yeda é assumidamente neoliberal, pessoa capacitada nas artimanhas de fazer política entreguista em nome de uma suposta modernização.
O Que Esta Acontecendo Na Política Gaúcha?

Ouça aqui uma reflexão sobre a política no Rio Grande do Sul. Créditos: Música Liberdade e Igualdade; faixa número do oito do disco Da Fronteira de Edilson Vilagran Martins e Natalina Cardoso.
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Data da publicação: 09/06/2008 09:04



As três principais empresas de celulose em atuação no Rio Grande do Sul doaram juntas mais de meiomilhão de Reais para a campanha da então candidata Yeda Crusius ao Governo do Estado. Entre elas, a empresa finlandesa acusada de compra ilegal de terras na faixa de fronteira.
Geopolitica da celulose. Parte um

Ouça aqui mais um áudio sobre as papeleiras no Rio Grande do Sul.Créditos: Música Liberdade e Igualdade; faixa número do oito do disco Da Fronteira de Edilson Vilagran Martins e Natalina Cardoso.
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Data da publicação: 05/06/2008 11:22



A invasão da celulose, fabricando papel higiênico com a plata de los arigós.
As papeleiras financiadas por todos nós.

Ouça aqui um áudio sobre as papeleiras no Rio Grande do Sul.Créditos: Música Liberdade e Igualdade; faixa número do oito do disco Da Fronteira de Edilson Vilagran Martins e Natalina Cardoso.
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Data da publicação: 05/06/2008 11:02



Se a democracia formal não garante a participação política é porque na Colômbia é mais seguro ser guerrilheiro do que militante de base.
A democracia a moda Colombiana

Ouça neste áudio um pouco sobre a política Colombiana.
Créditos: Música Liberdade e Igualdade; faixa número do oito do disco Da Fronteira de Edilson Vilagran Martins e Natalina Cardoso.
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Data da publicação: 05/06/2008 10:16



Juan Evo Morales Ayma (Orinoca, Oruro, 26 de Outubro de 1959) é o atual presidente da Bolívia e foilíder do movimento cocalero. Agindo contra a militarização do Chapare, a federação de agricultores defendeu a tradição do cultivo de coca para atender um costume milenar.

O Cheque-mate de Evo Morales nos Latifundiários de Santa Cruz

Ouça neste áudio a análise sobre a situação de Evo Morales na Bolívia.

Créditos: Música Liberdade e Igualdade - faixa número do oito do disco Da Fronteira de Edilson Vilagran Martins e Natalina Cardoso.


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Data da publicação: 03/06/2008 22:10



Leia, ouça e divulgue!

Institucional Estratégia e Análise 01

Não entende nada do economês, desconfia que os políticos profissionais roubam e quer entender como funciona o esquema? Estratégia e Análise!
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Data da publicação: 19/05/2008 15:32



Leia, ouça e divulgue!

Institucional Estratégia e Análise 02

Televisão, rádio, internet, jornal: a diversidade parece estar apenas nos meios e a informação é quase sempre a mesma? Estratégia e Análise!


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Data da publicação: 19/05/2008 15:32



Leia, ouça e divulgue!

Institucional Estratégia e Análise 03

Cada dia que passa são empurradas goela abaixo dezenas de novas palavras e os seus conceitos, causas e conseqüências ficam esquecidos? Estratégia e Análise!


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Data da publicação: 19/05/2008 15:31



Todos os Áudios:

Alternativas e variáveis para o impedimento de Yeda Crusius.
20/06/2008 23:35

Paulo Roberto Mendes sob os holofotes da crise de governo.
20/06/2008 23:29

No ainda governo de Yeda acabou o gerencialismo.
20/06/2008 23:26

La cosecha de papas y porongos y lo sistemas politicos neoliberales.
20/06/2008 23:22

O suposto tema do desenvolvimento sem freios da Amazônia. Parte 3
09/06/2008 09:31

O suposto tema do desenvolvimento sem freios da Amazônia. Parte 2
09/06/2008 09:20

O suposto tema do desenvolvimento sem freios da Amazônia. Parte 1
09/06/2008 09:18

O Que Esta Acontecendo Na Política Gaúcha?
09/06/2008 09:04

Geopolitica da celulose. Parte um
05/06/2008 11:22

As papeleiras financiadas por todos nós.
05/06/2008 11:02

A democracia a moda Colombiana
05/06/2008 10:16

O Cheque-mate de Evo Morales nos Latifundiários de Santa Cruz
03/06/2008 22:10

Institucional Estratégia e Análise 01
19/05/2008 15:32

Institucional Estratégia e Análise 02
19/05/2008 15:32

Institucional Estratégia e Análise 03
19/05/2008 15:31

A Saída de Fidel do Governo Cubano
26/04/2008 09:57

Quem é mais legítimo? As FARC ou o governo Uribe?
15/04/2008 10:39

Qual a saída para a Colômbia?
15/04/2008 10:34

A máquina militar colombiana.
15/04/2008 10:24

A importância na mudança da estratégia da economia colombiana.
15/04/2008 10:17

A economia Colombiana
15/04/2008 10:11

A política estadunidense na América Latina
11/04/2008 08:36

A Eleição nos Estados Unidos
03/04/2008 10:41

A força das FARC
03/04/2008 09:58

O Efeito da Eleição Estadunidense no Brasil.
01/04/2008 10:27

Alianças Externas no Recente Conflito na América Latina
01/04/2008 10:23

O Processo de Consolidação das FARC.
31/03/2008 10:52

O Que é a Palma Africana?
29/03/2008 12:33

O Verdadeiro Papel da Organização dos Estados Americanos (OEA).
29/03/2008 12:31

A Crise Diplomática Entre Equador e Colômbia
29/03/2008 12:22

A Ação da Stora Enso no RS
29/03/2008 12:14

A Corrupção de Esquerda ou a Suposta Esquerda Corrupta
15/02/2008 11:47

A Infovia Pública Contra os Corsários da Tele-Privataria
07/02/2008 11:36

Um Mito Nada Virtual do Monopólio na Internet
07/02/2008 11:06

O Agronegócio é o Inverso da Balança
23/01/2008 12:10

Delfim e o Ícone dos Neoarrivistas.
23/01/2008 11:39

Delfim e a Transição para o Centro
22/01/2008 13:09

Quando a Economia Política é Mais Importante do que as Quatro Linhas
15/01/2008 13:04

A Imagem da Crise e a Crise da Própria Imagem
15/01/2008 12:03

Derrota de Chavez Não é o Fim do Projeto Bolivariano
15/01/2008 12:01

Mafalda, a anti-menina dos olhos.
15/01/2008 11:58

Parcerias Público-Privadas
28/11/2007 09:57

Pacto pelo Rio Grande
28/11/2007 09:57

Monocultura
28/11/2007 09:56

Eleições na América Latina
28/11/2007 09:55

Digitalização da comunicação
28/11/2007 09:55

Cláusula de Barreira
28/11/2007 09:54

A resistência social em Oaxaca
28/11/2007 09:53

Rádios Comunitárias
27/11/2007 15:24






O AI-5 quarenta anos depois (3)

Bruno Lima Rocha

4ª 17 de dezembro de 2008; Vila Setembrina; Continente de São Sepé; Liga Federal

Encerro aqui a trilogia a respeito do Ato Institucional No. 5, datado de 13 de dezembro de 1968. Neste texto o tema é delicado, mas precisa ser abordado. Além da camaleonização dos operadores políticos que apoiaram o regime de força e há mais de duas décadas posam como democratas, existe o problema da falsificação da história.

Explico. Na Argentina, durante os anos ’80, surge a "Teoria dos dois demônios". Trata-se de uma justificativa para a não-punição dos torturadores. O argumento é falso, mas de fácil reprodução e se espalhou pelo Cone Sul. Coloca na mesma posição aos militares golpistas e os membros da resistência armada à ditadura. Ambos seriam "os demônios" contra a democracia. O nome, inspirado no romance do escritor russo Dostoiévski (1821-1881), já é uma posição política.

Vejo isso como um absurdo. Primeiro, porque o golpe começou quando o vice-presidente eleito, João Goulart, não pôde assumir com plenos poderes. Em setembro de 1961, mudaram a forma de governo, instaurando o parlamentarismo sem consultar aos brasileiros. Segundo, a guerra interna tampouco justifica a barbárie. Até a guerra tem regras e são previstas na Convenção de Genebra. E, todo o método aplicado no combate a guerrilha era baseado em crime de lesa humanidade. Terceiro, argumentam que não se pode usar a violência contra um regime de exceção. Então, por esta lógica, deveríamos condenar a Resistência Francesa, que combateu tanto a ocupação nazista como o governo fantoche de Vichy. Aliás, pensando assim, até a Revolução Francesa e as independências das colônias americanas devem ser condenadas. Quarto, a afirmação que não se pode julgar o passado político e que isso gera um clima de revanchismo. Por esta mesma lógica, devemos condenar o Tribunal de Nuremberg e a punição aos genocidas. Quinto, afirmam que os ex-guerrilheiros se tornaram parte da classe política brasileira e incorrem hoje nos mesmos erros. Embora isto seja a verdade para a maioria, não é para a totalidade. E, ainda assim não justifica. Seria o mesmo que dizer que os israelenses não podem condenar o nazismo por formarem parte de um Estado opressor contra os palestinos.

Passadas quatro décadas e oito em cada dez brasileiros não sabem o que é o AI-5. O Brasil insiste em apagar a memória, ocultar a verdade e impedir a Justiça. É hora de mudar este quadro.

Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat



18/12/2008 08:07
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AI-5 quarenta anos depois (2)

Bruno Lima Rocha

4ª, 10 de dezembro de 2008, Vila Setembrina dos Farrapos tombados em Taquari; Continente de São Sepé Tiaraju; Liga Federal de los Bravos de Corrientes y Entre Ríos

Este artigo é a seqüência da trilogia a respeito dos quarenta anos do Ato Institucional de Número 5 (AI-5). Sigo no assunto, porque, além de recuperar a memória, forçadamente apagada, também é preciso compreender o porquê da dificuldade de pôr este tema na ordem do dia. Uma possibilidade para isto é a ausência das esquerdas agindo na cruzada pela punição e responsabilização dos autores e mandantes dos crimes de lesa-humanidade.

Assim, sem mobilização social, se atribui tudo ao nível jurídico da causa. Gastamos mais tempo interpretando o parágrafo 2º da Lei No. 6683, de 28 de agosto de 1979 (ver na íntegra), conhecida como Lei de Anistia, do que nos mobilizando para sanear o aparelho repressivo. Isto se dá porque, ao contrário dos demais países do Cone Sul, a pauta direitos humanos não é da ordem do dia. E por desgraça, nem o governo de turno capitaliza os louros de pôr ditadores na prisão. É por isso que no Brasil vemos o Conselho Federal da OAB questionar no Supremo a validade da anistia para os torturadores, mas não temos o reflexo disso nas ruas.

Esta omissão é ampla, geral e irrestrita. Equivocadamente os operadores políticos da transição rifaram o tema. Todos os governos após a vitória indireta de Tancredo Neves e José Sarney no colégio eleitoral vêm protelando a abertura dos arquivos das Forças Armadas e o esclarecimento de todas as circunstâncias das desaparições forçadas e assassinatos. Lula, FHC, Itamar, Collor e o próprio ex-senador maranhense pela ARENA evitaram mexer no passado recente. Assim, temos no Brasil a responsabilidade histórica da ditadura imputada apenas aos militares. Com esta manobra, se deu um processo de "camaleonização" de lideranças políticas, empresariais, latifundiárias, religiosas, intelectuais, tecnocráticas e midiáticas, além das transnacionais e do serviço diplomático dos EUA. Estes agentes coletivos e seus operadores são tão responsáveis pela ditadura como o mais articulado dos conspiradores. Como sustentáculos do regime de exceção, têm tanta culpa pelos horrores da ditadura como o mais ensandecido e bárbaro torturador da Rua Tutóia, da Invernada de Olaria e de outras dezenas de centros de horror estatal que havia no país.

Passadas mais de quatro décadas do golpe de 1º de abril de 1964, é hora de enfrentar a verdade, abrir os arquivos e punir aos culpados.

Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat



11/12/2008 10:44
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AI-5 quarenta anos depois (1)

Bruno Lima Rocha

4ª. 03 de dezembro de 2008; Vila Setembrina do espelho d’água da Lagoa dos Patos; Continente de São Sepé e Languiru; Liga Federal de los desaparecidos en el Delta del Tigre

Neste artigo inicio uma trilogia debatendo os sentidos e efeitos do Ato Institucional de número 5 (AI-5). No próximo dia 13 de dezembro esta famigerada peça jurídica, revogada em 31 de dezembro de 1978, cumpre quatro décadas de sua assinatura. Infelizmente, hoje perdemos a dimensão de seu significado e tiramos a responsabilidade sobre seus autores. Neste texto e nas duas semanas que seguem, tenho a intenção de contribuir para inverter essa memória apagada.

O AI-5 foi um ato de governo, dando juridicidade para uma escalada repressiva, apertando o torniquete dentro da ditadura. Alguns analistas o consideram o "golpe dentro do golpe". Particularmente discordo desta tese. A medida foi um recurso de recrudescimento por parte de um regime militar. O texto estipulava no papel a correlação de forças que nas ruas dos grandes centros era disputada quadra a quadra desde a retomada dos protestos populares com a setembrada de 1966. A resposta foi à altura do desafio imposto. A sociedade brasileira mudava e o comportamento dos agentes políticos também.

Podemos compreender o golpe de 1º de abril de 1964 como a resultante da conspiração de direita iniciada em 1961, somada na reação às ameaças de distributivismo (materializado nas "reformas de base"); crise institucional (na quebra de hierarquia e cisão das forças armadas e polícias militares); e duplo poder (como nas greves de solidariedade convocadas pelo CGT). Já o AI-5 pode ser lido como a soma das lutas internas no interior da ditadura (com definições ideológicas como a do ministro da Justiça Luís Antônio da Gama e Silva); a expansão da presença dos operadores de inteligência sob comando dos EUA (caracterizado por Dan Mitrione dentre outros agentes); e a medida de governo que materializava o poder discricionário para afirmar o Brasil Potência. Também foi a resposta ao surgimento de uma esquerda com intenção revolucionária, não alinhada com Moscou e sob influência latino-americana. Mas, ressalto que nenhuma análise política posterior e complexa pode "justificar" os crimes de lesa humanidade cometidos.

Entendo que o ato da ditadura deve ser analisado como uma ação de governo de exceção no comando de um Estado. Como toda atividade política, a mesma tem autores responsáveis e que por ela devem ser responsabilizados (leia o documento na íntegra). No momento em que o país discute a punição aos autores e mandantes dos crimes hediondos de tortura, cárcere clandestino, estupro e desaparição forçada, a compreensão do AI-5 é atual e necessária. Como já afirmei antes, o povo que não sabe de onde veio, não entende onde está e nem decide para onde vai.

Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat.



04/12/2008 08:55
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Brasil se rende ao Banco Mundial mais uma vez

Bruno Lima Rocha

4ª 25 de novembro de 2008 - Vila Setembrina dos Farrapos Traídos em Porongos; Continente do Rio Grande de M’bororé; Liga Federal de los Valientes de Artigas

A crise do sistema financeiro mundial atingiu o Brasil em cheio. Ao contrário dos opinólogos de plantão, não faço o elogio do acaso e das apostas. A crise acertou o país porque esta nação é governada por banqueiros, literalmente. O homem mais poderoso daqui é funcionário do Bank of America. Seu nome é Henrique Meirelles e tem uma sólida carreira ligada ao BankBoston. É presidente do Banco Central do Brasil (BC) e ganhou status de ministro porque estava sendo acusado por sua fortuna pessoal sem origem. Agora, apenas o Supremo Tribunal Federal (STF), nossa gloriosa Suprema Corte digna de livro de Bob Woodward e Scott Armstrong ("Por detrás da Suprema Corte", Saraiva, 1985) pode julgá-lo.

Os fatos são diretos e falam por si só. O Brasil alega para a humanidade haver pagado sua dívida externa. O que devia para o Fundo Monetário Internacional (FMI) foi quitado. O grosso dos credores privados também. Mas, na frieza das LTNs (Letras do Tesouro Nacional) o que ocorreu foi uma troca da dívida externa pelo super-endividamento público como forma de acumulação do capital especulativo. A fusão e concentração bancária é fruto desse gênio do crime. Agora, com a corda no pescoço, com os cinco maiores bancos do país sendo proprietários de 86% das agências e terminais eletrônicos, resta ao governo pagar a conta do fim da liquidez.

Desta forma absurda, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai injetar mais R$ 12,5 bi de reais (cerca de US$ 6 bi de Usd) para garantir o fluxo de empréstimos para o "setor produtivo". Assim, ao invés de obrigar a Banca a emprestar, rebaixar a taxa básica de juros (Selic) e impor uma porcentagem da carteira dos bancos privados a ser destinado para o financiamento do capital de giro subsidiado, o Estado vai repassar o boleto de pagamento para todos nós. A origem dos R$ 12,5 bi é igualmente sinistra. R$ 7,5 bi virão com mudanças nos compulsórios bancários. Ou seja, as reservas de depósitos obrigatórios, cada vez mais aliviadas, serão usadas para financiar o salvem-se quem puder. E, este montante sai do Estado, através do governo central, e não onera o caixa da Banca. Além disso, os restantes R$ 5 bi sairão de uma linha de crédito com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BIRD), empresa subsidiária do Grupo Banco Mundial. Ou seja, estamos nos REENDIVIDANDO para pagar a conta da farra das subprimes tupiniquins e nas apostas com o mercado futuro do dólar.

Para quem imagina que acabou o pesadelo vindo do "governo de esquerda que manda por direita", a coisa é pior. O empréstimo do BIRD para a União saiu por medida provisória, ou seja, por decreto. Ao invés de decretar a taxação compulsória sobre a Banca, Lula decreta o re-endividamento do país. Tem mais. O Brasil garantiu uma linha especial junto ao Federal Reserve (Fed, Banco Central dos EUA) e ao FMI. A 11ª economia do mundo ganhou este presente como menino bem comportado. Isto foi fruto do bom comportamento em 2002 e em 2008, das operações de swap (troca de moeda) então comandadas pelo gerente de especulação de Soros e então presidente do BC Armínio Fraga e a repetição da roubalheira na forma reversa pelo sempre citado Mr. Meirelles. Hoje podemos trocar até US$ 30 bi (mais de R$69 bi de reais) e pedir um auxílio para o Fundo. Ou seja, o prêmio pelas tenebrosas transações de swap e a obediência aos "fundamentos da economia neoliberal anti-econômica" é deitar nos braços da morte outra vez.

Após 13 anos de "austeridade monetarista" descobre-se o óbvio. Fruto das políticas vende-pátria, o país abriu mão de reservas estratégicas - como o minério de ferro privatizado - para tornar-se uma plataforma de exportação de bens primários. Agora os financistas reinventam a roda, financiando com crédito externo a mentalidade criminosa de quem atirou 4/5 da economia produtiva e de mercado aberto operando no Brasil à farra da jogatina de derivativos e mercado futuro. A exuberância irracional tupiniquim termina de modo melancólico tal como um cocainômano da Bolsa de Valores ou o alcoólatra do meio artísitico, viciado em bebida destilada escocesa ou russa. Perdem a família, trabalho, e bens, mas não perdem a pose e a falta de vergonha na cara!



27/11/2008 10:58
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Déficit zero e controle do servidor gaúcho

Bruno Lima Rocha

4ª, 26 de novembro de 2008; Vila Setembrina; Continente de São Sepé; Liga Federal

Protelado por dois anos, o conflito dos servidores públicos com a governadora Yeda Crusius estourou. No momento as atenções estão sobre a greve dos professores estaduais. O motivo da paralisação, em tese, foi obtido, já que os deputados garantiram não votar o projeto do Piso Salarial Estadual até março. Agora a queda de braço é política (no sentido mais amplo da Política), e trata da punição aos grevistas. A tese do Piratini é simples. Para aplicar a política de déficit zero, precisam controlar a mão de obra. Se liberarem o corte de ponto dos educadores vinculados ao Cpers-Sindicato, todas as demais categorias se sentirão incentivadas a entrar em greve. O Executivo não tem muita escolha. Se ceder, o Decreto 45.959/2008 "não vai pegar".

O choque não se resume a uma questão pontual e nem é caso isolado do Rio Grande do Sul. É da natureza das relações de trabalho a luta pelo controle da mão de obra. Todos os níveis de governo no Brasil têm sérios problemas com o funcionalismo. É uma gangorra política. Quanto mais organizados estiverem os servidores, menos o governo de turno mandará na máquina pública. Isto pode significar, dentre outras variáveis, a sindicalização extrema do aparelho estatal ou a defesa corporativa de interesses. Por outro lado, mais peso terá os cargos em comissão (CCs) e as funções gratificadas (FGs). No quesito remuneração, quanto maior for à intervenção do governante, menor será a incorporação das gratificações para o salário real. A disputa é pela alocação de recursos permanentes no orçamento. Se os prêmios não forem incorporados aos salários, aumenta o poder de barganha do Executivo. Aí surgem diferenças conceituais. Alguns defendem esta prática dizendo ser mais responsável. Eu entendo que esta política é a precarização do trabalho aplicada no serviço público.

Voltando ao Rio Grande, a luta pela máquina pública implica em destinação de recursos. O modelo do déficit zero tem de ser aplicado com mão pesada e prioridade nas ações do Estado como indutor e fiador do agente econômico. O plano de investimentos para 2009 reflete essa vontade política. O Tesouro vai investir R$ 1 bi e 250 milhões livres, equivalente a 7% da receita. Desse total, a maior beneficiada é a Secretaria da Infra-Estrutura, que vai receber (em milhões) R$ 411.557.154,00 a Segurança R$ 186.753.312,00 a Educação R$ 99.996.078,00 a Saúde R$ 74.881.290,00. Os números e a atitude do governo falam por si.

Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat



27/11/2008 10:56
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