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Vila Setembrina dos Farrapos, 10/03/2010 Esta é a página do cientista político Bruno Lima Rocha



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Da contra-informação ao pensamento único neoliberal: conceitos de crítica à indústria da mídia

O trabalho (1) tem como objetivo apontar conceitos operacionais para a crítica da indústria midiática, fazendo uma aproximação entre duas áreas de análise politicamente opostas, embora com epistemes semelhantes. Trata-se do diálogo entre o conceito de fabricação do consenso tolerável pelas regras hegemônicas, tendo como base as idéias pensáveis de Noam Chomsky, e a análise estratégica em sentido pleno. Para trabalhar estratégia, parte-se dos conceitos de um operador militar clássico, o general Golbery do Couto e Silva, dentro de seu modelo de análise com níveis de incidência e subordinação do método ao objetivo finalista, onde as indústrias culturais enquadram-se no nível psicossocial de atuação. Tal paradigma terá presença ao longo do artigo. Destacam-se alguns conceitos básicos para discutir a crítica à mídia hegemônica, partindo da caracterização do nível e seus macroambientes de operação.

crítica da mídia - fabricação do consenso - análise estratégica - níveis de análise - incidência - inteligência - contra-informação
26/01/2008 11:44
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Controle E Disputa Pela Democracia Na Comunicação Social

Este artigo analisa o estado atual da mídia brasileira em relação à influência das empresas que constituem os meios de Comunicação no Brasil e a participação dos movimentos pela democratização do setor, buscando contribuir para o debate teórico e de perspectivas para uma melhor atuação por parte dos ativistas de comunicação comunitária, assim como do conjunto do movimento popular. Parte de uma pesquisa bibliográfica e documental, além da análise de dados recentes sobre o setor, que busca evidenciar a importância da constituição de políticas públicas democráticas para o favorecimento do empoderamento popular em nosso país.

Políticas de Comunicação; Democratização da Comunicação; Mídia Brasileira; Empoderamento Popular; Radiodifusão Comunitária.
16/01/2008 13:17
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Ricardo Palma

Ricardo Palma Enfrentou muitas lutas, não apenas por sua própria sobrevivência, como pela preservação da cultura de sua pátria. Com suas lutas acabou definiu seu estilo, a prosa e o testemunho, relatos verídicos mesclando co um pouco de fantasia, elemento sempre presente na memória daquele povo. Ele acreditava que a oralidade de seu povo era a principal intérprete de sua história, e ele estava certo. Era um grande tradicionalista. Um trecho de sua obra:

 

"(...) Concluía el año de 1550, y era alcalde de la villa (Villa Imperial de Potosí) el licenciado don Diego de Esquivel, hombre atrabiliario y codicioso, de quien cuenta la fama que era capaz de poner en subasta la justicia, a trueque de barras de plata.

Su señoría era también guloso de la fruta del paraíso, y en la imperial villa se murmuraba mucho acerca de sus prapisondas mujeriegas. Como no se había puesto nunca en el trance de quel el cura de la parroquia le leyese la famosa epístola de San Pablo, don Diego de Esquivel hacía gala de pertenecer al gremio de los solterones, que tengo para mi constituyen, si no una plaga social, una amenaza contra la propiedad del prójimo. Hay quien afirma que los comunistas y los solterones son bípedos que se asimilan."

"Las Orejas del Alcalde - Crónica de la época del segundo virrey del Perú", publicada pela primeira vez em 1873, no El Coreo del Perú.

Ricardo Palma, biografia, Peru
05/05/2008 11:53
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Victoriano Lorenzo

O líder indígena, involucrado na Guerra Civil entre os partidos Liberal e Conservador, é mais um caso clássico de vontade popular manipulada por interesses oligárquicos. É a prova viva do exemplo de que massas em disponibilidade, identidade popular e ancstral, mesclada com a defesa da posse e do uso da terra natal, formam uma combustão popular quase incontrolável.

Victoriano é um personagem histórico, material, sua carne queimada no fuzilamento de um traidor da oligarquia, portanto, fiel ao povo, é digno de livro de Gabriel García Márquez. Seu Panamá e sua província de Chiriquí, o orgulho cholo, é tão presente no istmo da porta do mundo como em uma zamba cantando "cholita santiagueña, cholita salteña".

A sabedoria política dos cholos surge da necessidade de protagonismo popular e programa político compatível com as identidades e culturas ancestrais e mestiças; com a carga de informações que exigem a formação de conceitos diretos, formando o arcabouço teórico-metodológico geradores de ideologia de câmbio a partir do distributivismo com os dois pés fincados no campo nacional-popular.

Victoriano Lorenzo é parte da história nossa, desconhecida de nós mesmos; é o outro lado da política do Porrete Grande - Palo Largo - Big Stick; é a versão centro e latino-americana do lado B do protetorado do Império a partir de Miami e da famigerada Escola Panamá (extinta). O orgulho chiriqueño passa pela carne dos cholos de Victoriano.

Palavras-chave: Panamá - guerra civil colombiana (Liberal-Conservador) - cholos - chiriquí - criação do istmo

Panamá - guerra civil colombiana (Liberal-Conservador) - cholos - chiriquí - criação do istmo
17/03/2008 09:46
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O general Orlando Geisel era o comandante de fato da guerra interna promovida pelo Estado brasileiro contra seu próprio povo. Não se pode comparar as atrocidades cometidas pelos operadores da ditadura com a ação dos guerrilheiros urbanos e rurais que resistiam ao regime de exceção.


O AI-5 quarenta anos depois (3)

Bruno Lima Rocha

4ª 17 de dezembro de 2008; Vila Setembrina; Continente de São Sepé; Liga Federal

Encerro aqui a trilogia a respeito do Ato Institucional No. 5, datado de 13 de dezembro de 1968. Neste texto o tema é delicado, mas precisa ser abordado. Além da camaleonização dos operadores políticos que apoiaram o regime de força e há mais de duas décadas posam como democratas, existe o problema da falsificação da história.

Explico. Na Argentina, durante os anos ’80, surge a "Teoria dos dois demônios". Trata-se de uma justificativa para a não-punição dos torturadores. O argumento é falso, mas de fácil reprodução e se espalhou pelo Cone Sul. Coloca na mesma posição aos militares golpistas e os membros da resistência armada à ditadura. Ambos seriam "os demônios" contra a democracia. O nome, inspirado no romance do escritor russo Dostoiévski (1821-1881), já é uma posição política.

Vejo isso como um absurdo. Primeiro, porque o golpe começou quando o vice-presidente eleito, João Goulart, não pôde assumir com plenos poderes. Em setembro de 1961, mudaram a forma de governo, instaurando o parlamentarismo sem consultar aos brasileiros. Segundo, a guerra interna tampouco justifica a barbárie. Até a guerra tem regras e são previstas na Convenção de Genebra. E, todo o método aplicado no combate a guerrilha era baseado em crime de lesa humanidade. Terceiro, argumentam que não se pode usar a violência contra um regime de exceção. Então, por esta lógica, deveríamos condenar a Resistência Francesa, que combateu tanto a ocupação nazista como o governo fantoche de Vichy. Aliás, pensando assim, até a Revolução Francesa e as independências das colônias americanas devem ser condenadas. Quarto, a afirmação que não se pode julgar o passado político e que isso gera um clima de revanchismo. Por esta mesma lógica, devemos condenar o Tribunal de Nuremberg e a punição aos genocidas. Quinto, afirmam que os ex-guerrilheiros se tornaram parte da classe política brasileira e incorrem hoje nos mesmos erros. Embora isto seja a verdade para a maioria, não é para a totalidade. E, ainda assim não justifica. Seria o mesmo que dizer que os israelenses não podem condenar o nazismo por formarem parte de um Estado opressor contra os palestinos.

Passadas quatro décadas e oito em cada dez brasileiros não sabem o que é o AI-5. O Brasil insiste em apagar a memória, ocultar a verdade e impedir a Justiça. É hora de mudar este quadro.

Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat




18/12/2008 08:07 leia mais »




Nenhum dos quatro presidentes após 1985 sequer ousaram tocar nos responsáveis pelos crimes hediondos. Por omissão se tornam co-responsáveis pelo acobertamento e a mudança de imagem de políticos e empresários que participaram da ditadura.

AI-5 quarenta anos depois (2)

Bruno Lima Rocha

4ª, 10 de dezembro de 2008, Vila Setembrina dos Farrapos tombados em Taquari; Continente de São Sepé Tiaraju; Liga Federal de los Bravos de Corrientes y Entre Ríos

Este artigo é a seqüência da trilogia a respeito dos quarenta anos do Ato Institucional de Número 5 (AI-5). Sigo no assunto, porque, além de recuperar a memória, forçadamente apagada, também é preciso compreender o porquê da dificuldade de pôr este tema na ordem do dia. Uma possibilidade para isto é a ausência das esquerdas agindo na cruzada pela punição e responsabilização dos autores e mandantes dos crimes de lesa-humanidade.

Assim, sem mobilização social, se atribui tudo ao nível jurídico da causa. Gastamos mais tempo interpretando o parágrafo 2º da Lei No. 6683, de 28 de agosto de 1979 (ver na íntegra), conhecida como Lei de Anistia, do que nos mobilizando para sanear o aparelho repressivo. Isto se dá porque, ao contrário dos demais países do Cone Sul, a pauta direitos humanos não é da ordem do dia. E por desgraça, nem o governo de turno capitaliza os louros de pôr ditadores na prisão. É por isso que no Brasil vemos o Conselho Federal da OAB questionar no Supremo a validade da anistia para os torturadores, mas não temos o reflexo disso nas ruas.

Esta omissão é ampla, geral e irrestrita. Equivocadamente os operadores políticos da transição rifaram o tema. Todos os governos após a vitória indireta de Tancredo Neves e José Sarney no colégio eleitoral vêm protelando a abertura dos arquivos das Forças Armadas e o esclarecimento de todas as circunstâncias das desaparições forçadas e assassinatos. Lula, FHC, Itamar, Collor e o próprio ex-senador maranhense pela ARENA evitaram mexer no passado recente. Assim, temos no Brasil a responsabilidade histórica da ditadura imputada apenas aos militares. Com esta manobra, se deu um processo de "camaleonização" de lideranças políticas, empresariais, latifundiárias, religiosas, intelectuais, tecnocráticas e midiáticas, além das transnacionais e do serviço diplomático dos EUA. Estes agentes coletivos e seus operadores são tão responsáveis pela ditadura como o mais articulado dos conspiradores. Como sustentáculos do regime de exceção, têm tanta culpa pelos horrores da ditadura como o mais ensandecido e bárbaro torturador da Rua Tutóia, da Invernada de Olaria e de outras dezenas de centros de horror estatal que havia no país.

Passadas mais de quatro décadas do golpe de 1º de abril de 1964, é hora de enfrentar a verdade, abrir os arquivos e punir aos culpados.

Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat




11/12/2008 10:44 leia mais »




O então marechal presidente Arthur da Costa e Silva, natural de Taquari (RS) lê um pronunciamento tendo ao fundo seu czar econômico, o hoje lulista, Antônio Delfim Netto. 40 anos depois, a ARENA/UDN - braço civil da ditadura militar - continua no poder

AI-5 quarenta anos depois (1)

Bruno Lima Rocha

4ª. 03 de dezembro de 2008; Vila Setembrina do espelho d’água da Lagoa dos Patos; Continente de São Sepé e Languiru; Liga Federal de los desaparecidos en el Delta del Tigre

Neste artigo inicio uma trilogia debatendo os sentidos e efeitos do Ato Institucional de número 5 (AI-5). No próximo dia 13 de dezembro esta famigerada peça jurídica, revogada em 31 de dezembro de 1978, cumpre quatro décadas de sua assinatura. Infelizmente, hoje perdemos a dimensão de seu significado e tiramos a responsabilidade sobre seus autores. Neste texto e nas duas semanas que seguem, tenho a intenção de contribuir para inverter essa memória apagada.

O AI-5 foi um ato de governo, dando juridicidade para uma escalada repressiva, apertando o torniquete dentro da ditadura. Alguns analistas o consideram o "golpe dentro do golpe". Particularmente discordo desta tese. A medida foi um recurso de recrudescimento por parte de um regime militar. O texto estipulava no papel a correlação de forças que nas ruas dos grandes centros era disputada quadra a quadra desde a retomada dos protestos populares com a setembrada de 1966. A resposta foi à altura do desafio imposto. A sociedade brasileira mudava e o comportamento dos agentes políticos também.

Podemos compreender o golpe de 1º de abril de 1964 como a resultante da conspiração de direita iniciada em 1961, somada na reação às ameaças de distributivismo (materializado nas "reformas de base"); crise institucional (na quebra de hierarquia e cisão das forças armadas e polícias militares); e duplo poder (como nas greves de solidariedade convocadas pelo CGT). Já o AI-5 pode ser lido como a soma das lutas internas no interior da ditadura (com definições ideológicas como a do ministro da Justiça Luís Antônio da Gama e Silva); a expansão da presença dos operadores de inteligência sob comando dos EUA (caracterizado por Dan Mitrione dentre outros agentes); e a medida de governo que materializava o poder discricionário para afirmar o Brasil Potência. Também foi a resposta ao surgimento de uma esquerda com intenção revolucionária, não alinhada com Moscou e sob influência latino-americana. Mas, ressalto que nenhuma análise política posterior e complexa pode "justificar" os crimes de lesa humanidade cometidos.

Entendo que o ato da ditadura deve ser analisado como uma ação de governo de exceção no comando de um Estado. Como toda atividade política, a mesma tem autores responsáveis e que por ela devem ser responsabilizados (leia o documento na íntegra). No momento em que o país discute a punição aos autores e mandantes dos crimes hediondos de tortura, cárcere clandestino, estupro e desaparição forçada, a compreensão do AI-5 é atual e necessária. Como já afirmei antes, o povo que não sabe de onde veio, não entende onde está e nem decide para onde vai.

Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat.




04/12/2008 08:55 leia mais »




Robert Bruce Zoellick, presidente atual do BIRD, é advogado formado por Harvard, serviu como consultor da empresa caloteira Enron e como executivo do falimentar Goldman Sachs. Sua alegria com o ex-dirigente metalúrgico que nunca foi de esquerda é inegável. Pobre do país que tem um arrependido no comando.

Brasil se rende ao Banco Mundial mais uma vez

Bruno Lima Rocha

4ª 25 de novembro de 2008 - Vila Setembrina dos Farrapos Traídos em Porongos; Continente do Rio Grande de M’bororé; Liga Federal de los Valientes de Artigas

A crise do sistema financeiro mundial atingiu o Brasil em cheio. Ao contrário dos opinólogos de plantão, não faço o elogio do acaso e das apostas. A crise acertou o país porque esta nação é governada por banqueiros, literalmente. O homem mais poderoso daqui é funcionário do Bank of America. Seu nome é Henrique Meirelles e tem uma sólida carreira ligada ao BankBoston. É presidente do Banco Central do Brasil (BC) e ganhou status de ministro porque estava sendo acusado por sua fortuna pessoal sem origem. Agora, apenas o Supremo Tribunal Federal (STF), nossa gloriosa Suprema Corte digna de livro de Bob Woodward e Scott Armstrong ("Por detrás da Suprema Corte", Saraiva, 1985) pode julgá-lo.

Os fatos são diretos e falam por si só. O Brasil alega para a humanidade haver pagado sua dívida externa. O que devia para o Fundo Monetário Internacional (FMI) foi quitado. O grosso dos credores privados também. Mas, na frieza das LTNs (Letras do Tesouro Nacional) o que ocorreu foi uma troca da dívida externa pelo super-endividamento público como forma de acumulação do capital especulativo. A fusão e concentração bancária é fruto desse gênio do crime. Agora, com a corda no pescoço, com os cinco maiores bancos do país sendo proprietários de 86% das agências e terminais eletrônicos, resta ao governo pagar a conta do fim da liquidez.

Desta forma absurda, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai injetar mais R$ 12,5 bi de reais (cerca de US$ 6 bi de Usd) para garantir o fluxo de empréstimos para o "setor produtivo". Assim, ao invés de obrigar a Banca a emprestar, rebaixar a taxa básica de juros (Selic) e impor uma porcentagem da carteira dos bancos privados a ser destinado para o financiamento do capital de giro subsidiado, o Estado vai repassar o boleto de pagamento para todos nós. A origem dos R$ 12,5 bi é igualmente sinistra. R$ 7,5 bi virão com mudanças nos compulsórios bancários. Ou seja, as reservas de depósitos obrigatórios, cada vez mais aliviadas, serão usadas para financiar o salvem-se quem puder. E, este montante sai do Estado, através do governo central, e não onera o caixa da Banca. Além disso, os restantes R$ 5 bi sairão de uma linha de crédito com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BIRD), empresa subsidiária do Grupo Banco Mundial. Ou seja, estamos nos REENDIVIDANDO para pagar a conta da farra das subprimes tupiniquins e nas apostas com o mercado futuro do dólar.

Para quem imagina que acabou o pesadelo vindo do "governo de esquerda que manda por direita", a coisa é pior. O empréstimo do BIRD para a União saiu por medida provisória, ou seja, por decreto. Ao invés de decretar a taxação compulsória sobre a Banca, Lula decreta o re-endividamento do país. Tem mais. O Brasil garantiu uma linha especial junto ao Federal Reserve (Fed, Banco Central dos EUA) e ao FMI. A 11ª economia do mundo ganhou este presente como menino bem comportado. Isto foi fruto do bom comportamento em 2002 e em 2008, das operações de swap (troca de moeda) então comandadas pelo gerente de especulação de Soros e então presidente do BC Armínio Fraga e a repetição da roubalheira na forma reversa pelo sempre citado Mr. Meirelles. Hoje podemos trocar até US$ 30 bi (mais de R$69 bi de reais) e pedir um auxílio para o Fundo. Ou seja, o prêmio pelas tenebrosas transações de swap e a obediência aos "fundamentos da economia neoliberal anti-econômica" é deitar nos braços da morte outra vez.

Após 13 anos de "austeridade monetarista" descobre-se o óbvio. Fruto das políticas vende-pátria, o país abriu mão de reservas estratégicas - como o minério de ferro privatizado - para tornar-se uma plataforma de exportação de bens primários. Agora os financistas reinventam a roda, financiando com crédito externo a mentalidade criminosa de quem atirou 4/5 da economia produtiva e de mercado aberto operando no Brasil à farra da jogatina de derivativos e mercado futuro. A exuberância irracional tupiniquim termina de modo melancólico tal como um cocainômano da Bolsa de Valores ou o alcoólatra do meio artísitico, viciado em bebida destilada escocesa ou russa. Perdem a família, trabalho, e bens, mas não perdem a pose e a falta de vergonha na cara!




27/11/2008 10:58 leia mais »




O orçamento do estado do RS é alvo de disputa entre o descumprimento de leis constitucionais e o poder discricionário de uma gestão portadora de missão privatista e vende pátria.

Déficit zero e controle do servidor gaúcho

Bruno Lima Rocha

4ª, 26 de novembro de 2008; Vila Setembrina; Continente de São Sepé; Liga Federal

Protelado por dois anos, o conflito dos servidores públicos com a governadora Yeda Crusius estourou. No momento as atenções estão sobre a greve dos professores estaduais. O motivo da paralisação, em tese, foi obtido, já que os deputados garantiram não votar o projeto do Piso Salarial Estadual até março. Agora a queda de braço é política (no sentido mais amplo da Política), e trata da punição aos grevistas. A tese do Piratini é simples. Para aplicar a política de déficit zero, precisam controlar a mão de obra. Se liberarem o corte de ponto dos educadores vinculados ao Cpers-Sindicato, todas as demais categorias se sentirão incentivadas a entrar em greve. O Executivo não tem muita escolha. Se ceder, o Decreto 45.959/2008 "não vai pegar".

O choque não se resume a uma questão pontual e nem é caso isolado do Rio Grande do Sul. É da natureza das relações de trabalho a luta pelo controle da mão de obra. Todos os níveis de governo no Brasil têm sérios problemas com o funcionalismo. É uma gangorra política. Quanto mais organizados estiverem os servidores, menos o governo de turno mandará na máquina pública. Isto pode significar, dentre outras variáveis, a sindicalização extrema do aparelho estatal ou a defesa corporativa de interesses. Por outro lado, mais peso terá os cargos em comissão (CCs) e as funções gratificadas (FGs). No quesito remuneração, quanto maior for à intervenção do governante, menor será a incorporação das gratificações para o salário real. A disputa é pela alocação de recursos permanentes no orçamento. Se os prêmios não forem incorporados aos salários, aumenta o poder de barganha do Executivo. Aí surgem diferenças conceituais. Alguns defendem esta prática dizendo ser mais responsável. Eu entendo que esta política é a precarização do trabalho aplicada no serviço público.

Voltando ao Rio Grande, a luta pela máquina pública implica em destinação de recursos. O modelo do déficit zero tem de ser aplicado com mão pesada e prioridade nas ações do Estado como indutor e fiador do agente econômico. O plano de investimentos para 2009 reflete essa vontade política. O Tesouro vai investir R$ 1 bi e 250 milhões livres, equivalente a 7% da receita. Desse total, a maior beneficiada é a Secretaria da Infra-Estrutura, que vai receber (em milhões) R$ 411.557.154,00 a Segurança R$ 186.753.312,00 a Educação R$ 99.996.078,00 a Saúde R$ 74.881.290,00. Os números e a atitude do governo falam por si.

Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat




27/11/2008 10:56 leia mais »




Mariza Abreu e Yeda Rorato formam uma relação harmônica de governo. Não tem conflitos aparentes e contam com a lealdade mútua para execução de seus planos. Se dependesse delas, as escolas gaúchas preparariam mão de obra para alimentar uma enorme rede de zaibatsus gaudérias.


O piso salarial e a greve dos professores gaúchos

Bruno Lima Rocha

4ª, 19 de novembro de 2008; Vila Setembrina dos Farrapos Traídos em Ponche Verde; Continente dos Lanceiros de Porongos; Liga Federal de Artigas y Valientes

Na 6ª 14 de novembro os professores estaduais entraram em greve por tempo indeterminado. Desde que a secretária estadual de Educação Mariza Abreu assumiu, o ambiente político anda agitado. Por ser ex-diretora do Centro de Professores do Rio Grande do Sul (Cpers-Sindicato), ela sabe como bater na categoria. Algumas medidas são contestadas já a partir do primeiro mês de governo, tais como: a enturmação; o fechamento de escolas; o problema com o transporte escolar; a gratificação por "produtividade"; o corte do ponto dos grevistas e o fim da liberação dos 40 diretores de núcleos do sindicato. A resistência era esperada, porque definitivamente não dá para aplicar Paulo Freire na base do toyotismo.

Mesmo com toda revolta, para aprovar a greve foi preciso um fato-gerador. Isto ocorreu quando a governadora Yeda Crusius (PSDB) entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) no Supremo Tribunal Federal, contra a Lei do Piso Nacional dos Professores. Pela lei federal R$ 950,00 é o salário inicial, adicionado benefícios e conquistas ao longo da carreira. A contra proposta do Piratini foi encaminhada à Assembléia Legislativa(AL) com pedido de urgência. Nesta, R$950,00 é o teto para os professores que trabalharem 40 horas semanais. Era o que faltava para deflagrar a greve dos educadores.

Yeda, embora tenha maioria no Parlamento Gaúcho, se depara com uma Frente em Defesa da Educação e do Piso Nacional onde, em tese, 30 dos 55 deputados estaduais se posicionam ao lado do Cpers-Sindicato. Já no primeiro dia de greve (2ª, 17 de novembro), a governadora retirou o pedido de urgência. Uma análise institucionalista atribuiria esta decisão ao fato de seu Conselho Político haver pedido "compreensão e flexibilidade". Pelo viés da análise estratégica o que houve foi uma manobra tática do governo, fruto da correlação de força favorável ao movimento dos professores. Mas, repito, foi uma vitória momentânea.

Isto porque, enquanto o projeto estiver tramitando, basta um acordo de lideranças para o tema entrar na pauta do dia e ir a voto em plenário. Como a greve foi declarada faltando 38 dias para o término do ano letivo, a situação é um cabo de guerra para ver quem cede primeiro. O Piratini também aposta na repressão através do Decreto 45.959/2008, podendo haver corte do ponto e demissão dos professores contratados. Para o Cpers o principal objetivo é a retirada do projeto da AL, abrindo assim a possibilidade de instaurar o Piso Nacional no Rio Grande do Sul.

Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat




20/11/2008 12:53 leia mais »





Paulo Roberto Mendes, o coronel do governo acuado pelas denúncias de corrupção, foi passado para a reserva remunerada e, como prêmio, vai ocupar uma cadeira no Tribunal de Justiça Militar do RS. De cão de guarda da Rua Araruama, bairro Três Figueiras da capital gaudéria, passa a ter status de desembargador.

A tensa relação dos movimentos populares com Yeda
Rio Grande do Sul

O governo Yeda Crusius tem desafios permanentes. Aplicar o plano de metas do Banco Mundial implica choque de gestão e ajuste fiscal. Também são necessárias algumas vitórias pontuais em algumas relações de força. Aqui e em todos os lugares do mundo onde o modelo neoliberal foi aplicado, foi preciso enfraquecer e deslegitimar os sindicatos e movimentos mais representativos. Em função dessa meta, a partir da segunda quinzena de setembro, os ânimos voltaram a esquentar. 




12/12/2008 10:54 leia mais »





A economista Yeda Rorato, governadora do pago, e ex-funcionária da RBS, conversa solicitamente com seu chefe, Jorge Gerdau Johannpeter, o único capitão de indústria da Província com transcendência no capitalismo globalizado. Na votação do orçamento e no benefício fiscal, o lobby dos industriais funcionou bem.

A ilusão do déficit zero no orçamento dos gaúchos
Rio Grande do Sul

Não garantindo mínimos constitucionais, a Assembléia Legislativa aprovou dia 25 de novembro de 2008, o projeto (Projeto de lei 242/2008) da ordem de R$ 28,6 bilhões, por 39 votos favoráveis (base aliada) e nove contrários que consideraram o orçamento inconstitucional, o orçamento do Estado do Rio Grande do Sul para 2009. Deixando faltar para o próximo ano para rede estadual de ensino, aproximadamente R$ 1,2 bilhão (26,8%) e R$ 930 milhões (5,89%) para o Sistema Único de Saúde (SUS).




12/12/2008 10:53 leia mais »





O que é negado para os professores estaduais a economista neoliberal que transitoriamente ocupa o Piratini aplica para os seus. Os servidores públicos com mentalidade de executivos de companhias privadas levaram, na base da barbeiragem, um FG a mais para gratificá-los pelos bem serviços prestados na liquidação do Rio Grande.

O jeito privado de governar o bem público: auto-aumento de salário e outras barbeiragens
Rio Grande do Sul

Há pouco mais de três meses, a professora de economia da UFRGS (àquela que nem tem currículo Lattes), natural da Mooca paulistana, e chefa do Executivo do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, se sentiu discriminada. A alegação foi o fato ter o salário mais baixo dos estados brasileiros. No caso, além da pouca remuneração, o desprestígio se dá no estímulo para o trabalho.




12/12/2008 10:52 leia mais »





Nos bastidores e na contabilidade do município canoense pode estar o fio de novelo para desvendar a Operação Rodin e outros esquemas mil.

Canoas e a arma da devassa contábil
Rio Grande do Sul

As eleições de 2008, na cidade de Canoas (RS), tiveram uma guerra de pesquisas no primeiro turno. Os números "diziam" que Jairo Jorge, da coligação Bloco de Oposição Municipal (PT/PP/PSB/PS/PCdoB/PR), não iria para o segundo turno. O favorito no páreo segundo os resultados "científicos" de estimativa da opinião do eleitorado canoense indicava o segundo entre Nedy de Vargas Marques (PMDB) junto com Jurandir Maciel, da coligação Canoas Saudável (PTB/DEM/PRB/PMN). Estes números constam na pesquisa realizada, do Instituto Nacional de Sociologia e Pesquisa, registrada no TRE sob o n° 00345/134/08.




09/12/2008 09:11 leia mais »





A ex-sindicalista Mariza Abreu; foi diretora do Cpers e secretária de assuntos educacionais da CNTE. Seguindo a norma da traição de classe, a pedagoga educa para o toyotismo social, atirando uma escola contra outra e incentivando a quebra de recorde de produtividade e competição entre companheiros de trabalho.

A greve do CPERS e a opção chilena de Yeda Crusius e Mariza Abreu
Rio Grande do Sul

4ª 25 de novembro de 2008 - Vila Setembrina do espelho d’água de Itapuã; Continente da cavalaria Charrua; Liga Federal de los Gauchos de Güemes

Há cerca de vinte dias o governo do estado ingressou com uma Ação Direta de Inconstitucionalide (Adin) no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a lei que cria o Piso Salarial Nacional para professores da educação básica. Após, esta medida, a decisão foi a criação de um Piso Estadual.




27/11/2008 10:32 leia mais »





O grampo do BNDES: quando o complemento da ABIN é a mídia oficiosa


Este livro disseca, com precisão cirúrgica, um tema muito pouco estudado de verdade, apesar de todo o estardalhaço impresso nos principais jornais e revistas do país. Nele, o autor prova e comprova que o que foi tratado como uma exceção não passa de uma atividade corriqueira de uma das estruturas de vigilância do governo da União. Estrutura esta (a continuidade do Sistema SNI) que, malgrado maquiagens superficiais no cenário e figurino, nunca deixou de existir.

A obra está à disposição pela internet no site da editora Só Tese e na Estante Virtual. Em Porto Alegre, "O Grampo do BNDES" está à venda na livraria Ladeira Livros, na Rua General Câmara, 385, Centro da capital gaúcha. O fone da livraria é 51 3286 3151 e o contato por correio eletrônico com o Mauro.



14/04/2008 20:19
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Estratégias de Comunicação & Política


Curso de Educação continuada da Unisinos, 2º semestre de 2008, início 22 agosto - aulas nas sextas das 19.30-22.15

Sabe fazer análise de conjuntura? Como a mídia opera nas decisões estratégicas do país? Qual o papel de entidades empresariais, partidos políticos e movimentos populares nas "arenas democráticas"? Quem governa? Onde está o poder de fato? Quer os conceitos para responder a estas perguntas? Estratégias de Comunicação & Política, para quem quer conhecer, escrever e fazer a política muito além do voto!

Ministrante: Bruno Lima Rocha (blimarocha@via-rs.net), cientista político e jornalista; articulista com atuação no Rio Grande do Sul, Brasil e América Latina. Editor de Estratégia & Análise (www.estrategiaeanalise.com.br). Grupo CEPOS - Comunicação, Economia Política e Sociedade. Coordenação Professor Doutor Valério Brittos.

Informações e inscrição:
Linha Direta Unisinos, fone/fax (51) 3591-1122
www.unisinos.br/extensao/comunicacao
email: econtinuada@unisinos.br

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