Estratégia e Análise
Início Perfil Conselho Teoria Consultoria Publicações Clássicos Notas Artigos Links Contato
Esta é a página do cientista político Bruno Lima Rocha



Adicionar aos Favoritos

Adicionar como Link

Clique aqui e assine nosso Boletim

Enviado para
12935 e-mails

Faça deste site sua página inicial

Participe da nossa comunidade no Orkut



Da contra-informação ao pensamento único neoliberal: conceitos de crítica à indústria da mídia

O trabalho (1) tem como objetivo apontar conceitos operacionais para a crítica da indústria midiática, fazendo uma aproximação entre duas áreas de análise politicamente opostas, embora com epistemes semelhantes. Trata-se do diálogo entre o conceito de fabricação do consenso tolerável pelas regras hegemônicas, tendo como base as idéias pensáveis de Noam Chomsky, e a análise estratégica em sentido pleno. Para trabalhar estratégia, parte-se dos conceitos de um operador militar clássico, o general Golbery do Couto e Silva, dentro de seu modelo de análise com níveis de incidência e subordinação do método ao objetivo finalista, onde as indústrias culturais enquadram-se no nível psicossocial de atuação. Tal paradigma terá presença ao longo do artigo. Destacam-se alguns conceitos básicos para discutir a crítica à mídia hegemônica, partindo da caracterização do nível e seus macroambientes de operação.

crítica da mídia - fabricação do consenso - análise estratégica - níveis de análise - incidência - inteligência - contra-informação
26/01/2008 11:44
leia mais

Controle E Disputa Pela Democracia Na Comunicação Social

Este artigo analisa o estado atual da mídia brasileira em relação à influência das empresas que constituem os meios de Comunicação no Brasil e a participação dos movimentos pela democratização do setor, buscando contribuir para o debate teórico e de perspectivas para uma melhor atuação por parte dos ativistas de comunicação comunitária, assim como do conjunto do movimento popular. Parte de uma pesquisa bibliográfica e documental, além da análise de dados recentes sobre o setor, que busca evidenciar a importância da constituição de políticas públicas democráticas para o favorecimento do empoderamento popular em nosso país.

Políticas de Comunicação; Democratização da Comunicação; Mídia Brasileira; Empoderamento Popular; Radiodifusão Comunitária.
16/01/2008 13:17
leia mais







Ricardo Palma

Ricardo Palma Enfrentou muitas lutas, não apenas por sua própria sobrevivência, como pela preservação da cultura de sua pátria. Com suas lutas acabou definiu seu estilo, a prosa e o testemunho, relatos verídicos mesclando co um pouco de fantasia, elemento sempre presente na memória daquele povo. Ele acreditava que a oralidade de seu povo era a principal intérprete de sua história, e ele estava certo. Era um grande tradicionalista. Um trecho de sua obra:

 

"(...) Concluía el año de 1550, y era alcalde de la villa (Villa Imperial de Potosí) el licenciado don Diego de Esquivel, hombre atrabiliario y codicioso, de quien cuenta la fama que era capaz de poner en subasta la justicia, a trueque de barras de plata.

Su señoría era también guloso de la fruta del paraíso, y en la imperial villa se murmuraba mucho acerca de sus prapisondas mujeriegas. Como no se había puesto nunca en el trance de quel el cura de la parroquia le leyese la famosa epístola de San Pablo, don Diego de Esquivel hacía gala de pertenecer al gremio de los solterones, que tengo para mi constituyen, si no una plaga social, una amenaza contra la propiedad del prójimo. Hay quien afirma que los comunistas y los solterones son bípedos que se asimilan."

"Las Orejas del Alcalde - Crónica de la época del segundo virrey del Perú", publicada pela primeira vez em 1873, no El Coreo del Perú.

Ricardo Palma, biografia, Peru
05/05/2008 11:53
leia mais

Victoriano Lorenzo

O líder indígena, involucrado na Guerra Civil entre os partidos Liberal e Conservador, é mais um caso clássico de vontade popular manipulada por interesses oligárquicos. É a prova viva do exemplo de que massas em disponibilidade, identidade popular e ancstral, mesclada com a defesa da posse e do uso da terra natal, formam uma combustão popular quase incontrolável.

Victoriano é um personagem histórico, material, sua carne queimada no fuzilamento de um traidor da oligarquia, portanto, fiel ao povo, é digno de livro de Gabriel García Márquez. Seu Panamá e sua província de Chiriquí, o orgulho cholo, é tão presente no istmo da porta do mundo como em uma zamba cantando "cholita santiagueña, cholita salteña".

A sabedoria política dos cholos surge da necessidade de protagonismo popular e programa político compatível com as identidades e culturas ancestrais e mestiças; com a carga de informações que exigem a formação de conceitos diretos, formando o arcabouço teórico-metodológico geradores de ideologia de câmbio a partir do distributivismo com os dois pés fincados no campo nacional-popular.

Victoriano Lorenzo é parte da história nossa, desconhecida de nós mesmos; é o outro lado da política do Porrete Grande - Palo Largo - Big Stick; é a versão centro e latino-americana do lado B do protetorado do Império a partir de Miami e da famigerada Escola Panamá (extinta). O orgulho chiriqueño passa pela carne dos cholos de Victoriano.

Palavras-chave: Panamá - guerra civil colombiana (Liberal-Conservador) - cholos - chiriquí - criação do istmo

Panamá - guerra civil colombiana (Liberal-Conservador) - cholos - chiriquí - criação do istmo
17/03/2008 09:46
leia mais











Com este texto procuramos aportar uma subseção da página. Diz respeito aos NOSSOS clássicos de política, aquelas palavras recheadas de conteúdo e que foram elaboradas ao calor da hora, no momento mesmo de luta direta e formação das nacionalidades e da idéia republicana na América Latina.

Elevamos à altura justa e merecida de clássicos da política ao pensamento vivo dos operadores da política comprometida de certa forma e adequado ao seu tempo, com os mesmos princípios desta página.

Para não nos confundirmos com o papel principal da política, que é a operação sobre o mundo real, esta página vai expor textos originais do pensamento político e estratégico latino-americano até o ano de 1945.




Victoriano Lorenzo pertencia à classe do campesinato istmenho relacionado intimamente com os povos indígenas da etnia buglé, da qual provinha, estabelecida principalmente em Veraguas e Coclé.
Victoriano Lorenzo

O líder indígena, involucrado na Guerra Civil entre os partidos Liberal e Conservador, é mais um caso clássico de vontade popular manipulada por interesses oligárquicos. É a prova viva do exemplo de que massas em disponibilidade, identidade popular e ancstral, mesclada com a defesa da posse e do uso da terra natal, formam uma combustão popular quase incontrolável.

Victoriano é um personagem histórico, material, sua carne queimada no fuzilamento de um traidor da oligarquia, portanto, fiel ao povo, é digno de livro de Gabriel García Márquez. Seu Panamá e sua província de Chiriquí, o orgulho cholo, é tão presente no istmo da porta do mundo como em uma zamba cantando "cholita santiagueña, cholita salteña".

A sabedoria política dos cholos surge da necessidade de protagonismo popular e programa político compatível com as identidades e culturas ancestrais e mestiças; com a carga de informações que exigem a formação de conceitos diretos, formando o arcabouço teórico-metodológico geradores de ideologia de câmbio a partir do distributivismo com os dois pés fincados no campo nacional-popular.

Victoriano Lorenzo é parte da história nossa, desconhecida de nós mesmos; é o outro lado da política do Porrete Grande - Palo Largo - Big Stick; é a versão centro e latino-americana do lado B do protetorado do Império a partir de Miami e da famigerada Escola Panamá (extinta). O orgulho chiriqueño passa pela carne dos cholos de Victoriano.

Palavras-chave: Panamá - guerra civil colombiana (Liberal-Conservador) - cholos - chiriquí - criação do istmo


Biografia

Fonte: http://www.biografiasyvidas.com/biografia/l/lorenzo_victoriano.htm

Guerrillero colombiano-panameño, nacido en la provincia de Coclé en 1867 y fallecido en la ciudad de Panamá en 1903. Líder carismático del movimiento indígena que se alzó contra el poder central de Colombia cuando el territorio panameño no era aún independiente, Victoriano Lorenzo defendió desde muy joven los derechos de los desfavorecidos.

 

Ante las injusticias e iniquidades cometidas por los caciques locales contra la población indígena (la formada por los populares "cholos", a los que el cacicazgo colonial, apoyado por el conservadurismo del poder central colombiano, dispensaba el mismo trato que a las bestias de carga), Victoriano Lorenzo desató y encabezó la rebelión de los indios y tomó parte activa en la Guerra de los Mil Días, un conflicto armado que, planteado en principio como una disputa entre liberales y conservadores, trajo consigo la independencia de Panamá respecto a Colombia.

 

Al frente de los llamados "montañeros" o "guerrilleros de las montañas", Victoriano Lorenzo acudió a la contienda atraído por las promesas de tierra y libertad que constituían una de las consignas del bando liberal. La influencia que ejercía entre los cholos desde sus primeras reivindicaciones de justicia e igualdad le convirtieron en uno de los cabecillas más peligrosos, pues atraía cada vez más hacia sus filas al resto de los desheredados.

 

Llegó así a alcanzar grado de general del Ejército Liberal durante una guerra civil que se prolongó por espacio de tres años (1898-1902). Pero, en violación de los tratados que preludiaban ya el fin de la contienda, Victoriano Lorenzo fue apresado y condenado a morir frente a un pelotón de fusilamiento. Pese a las proclamas en defensa del guerrillero lanzadas por algunas de las personalidades, como el político Belisario Porras, el escritor Guillermo Andreve, y otros líderes liberales como Carlos A. Mendoza y Eusebio A. Morales, fue ejecutado el 15 de mayo de 1903, en los paredones de la Plaza de Chiriquí.

 

---------------------------------------------------------

 

Victoriano Lorenzo en la guerrra de los mil días.

 

En publicación seriada Tareas, Nro. 114, mayo-agosto 2003. Cela, Panamá, R. de Panamá. P.p. 73-81.

 

ISSN: 0494-7061. Disponible en la web: http://168.96.200.17/ar/libros/tar114/rodri.rtf

 

Indice de la Publicación: http://168.96.200.17/ar/libros/tar114/index114.html 

 

VICTORIANO LORENZO EN LA GUERRA DE LOS MIL DÍAS* 

Alexis Rodríguez M.** 

 

Para Diógenes de la Rosa 

 

*Versión ampliada de la presentación del libro Victoriano Lorenzo en la historia de Panamá del profesor Herbet G. Nelson Austin, realizada en el Salón de Profesores de la Facultad de Humanidades de la Universidad de Panamá, el 13 de mayo de 2003, con el auspicio del Departamento de Sociología y del Centro de Investigación y Docencia de Panamá (CIDPA). 

 

**Docente universitario.

 

Hoy 13 de mayo de 2003, a pocas horas de conmemoración de una fecha histórica para las masas de la ciudad y del campo, la presentación de la obra del profesor Herbet G. Nelson Austin, titulada Victoriano Lorenzo en la historia de Panamá, tiene una importancia significativa. No cabe en este momento la clásica pirotecnia intelectual, que en no pocas ocasiones conduce a los actos más claros de "antropofagia académica".

 

La perspectiva del análisis debe ser otra. En especial porque la obra del profesor Nelson intenta reconstruir la historia social, en medio de la pugna entre lo que emerge y lo que todavía no termina de aflorar, entre las luchas por la autonomía y la autodeterminación. Ese es, según el profesor Nelson, el contexto donde se desenvuelve un personaje representativo del imaginario de los sectores populares panameños: Victoriano Lorenzo. Esta reconstrucción la realiza el profesor Nelson planteando tres preguntas: ¿qué hechos condicionan la participación de Victoriano Lorenzo en la guerra de los Mil Días? ¿cuáles son las demandas fundamentales de Victoriano Lorenzo? ¿qué implicaciones tiene la incorporación de Victoriano Lorenzo en la guerra de los Mil Días?

 

Para el profesor Nelson, a diferencia de los historiadores sociales positivista sean los mismos pragmáticos o metafísicos, la realidad es una construcción social. Es una interpretación que se constituye a medio camino entre la explicación, la narración y el discurso. La misma articula hechos, situaciones y fenómenos sociales que aparecen sin vinculación aparente, en lo cotidiano, pero que se encuentran estructuralmente conectados. Lo que hace la historia entonces, es unir en un todo  una serie de particularidades y singularidades de distintos hechos y situaciones sociales e históricas, que tienen un significado y consecuencias diametralmente opuestas, en la medida en que se analizan desde una u otra perspectiva, desde uno u otro punto de partida. Es decir, explicada en toda su dimensión y potencialidad, la interpretación de la realidad social es la forma como la historia se construye.

 

Cabe tener presente, para la lectura de la obra del profesor Nelson, que existen por lo menos tres formas de hacer de historia social, eso sí, claramente definidas. La primera se centra en la noción de duda sobre la forma como ocurren los hechos, que parte con el método de conocimiento de René Descartes y que a lo largo de un proceso sinuoso de derivaciones conduce al hecho social de Emilio Durkheim. La segunda se encuentra fundamentada en la conceptualización, en la construcción de categorías de análisis, que luego se comunican entre sí, y que parten de las nociones kantianas para llevar al científico social de la mano, hasta el tipo ideal que, como punto de partida metodológico, y en no pocas ocasiones de llegada concluyente, propuso, entre otros, Max Weber. Por último, se encuentra la pregunta, en tanto centro de la crítica de la historia natural y positiva y forma de reconstrucción de los fenómenos sociales, que desde Aristóteles pasando no sin conflictos por Santo Tomás, para dirigirse entre otros, hacia los planteamientos de Carlos Marx. Esta última, con las dificultades implícitas, es el tipo de historia que procura e intenta desarrollar, como proyecto, el profesor Nelson.

 

Para el caso, también es necesario recordar que existen tres tipos de revoluciones que constituyen, por distintas vías, métodos y prácticas, un concepto de ciudadanía. La primera es la revolución estadounidense, en la cual la ciudadanía esta centrada en la propiedad. Es decir, los derechos de propiedad constituyen la base desde la cual se despliega la ciudadanía. La segunda es la revolución francesa, que señala que la ciudadanía se constituye a partir del reconocimiento de los derechos políticos. Para tales efectos, es ciudadano quien puede ejercer sus derechos políticos y para el caso saber leer y escribir. En el tercer caso se encuentra la revolución rusa, que constituye la ciudadanía a partir de los derechos sociales. Las implicaciones de estos tres tipos de revolución para el caso de América Latina, son diferentes. No obstante, se trata de revoluciones que tienen como objetivo la constitución de la ciudadanía. Ese mismo objetivo, por lo menos en forma aparente es uno de los problemas centrales que se somete al silencioso debate de las armas, en la guerra de los Mil Días.

 

En el caso de América Latina existen revoluciones que aparecen en medio de modalidades distintas liderazgos y proyectos de contractualidad social, que en todo caso otorgan ciudadanía. El caso de Simón Bolívar, por ejemplo, caracteriza la revolución desde arriba. Esta revolución es autoritaria por definición, pero "democrática" por lo incluyente, en su composición.  Es la forma como el liberalismo de corte hobessiano se combina con las formas y arquetipos culturales de la región. Las características de esta noción de liderazgo fue expuesta, en su momento, por Carlos Marx y debatida entre líneas por José Aricó. También se presenta en la historia de América Latina la revolución desde el pacto institucional desde el acuerdo entre pares, que tiene como figura, entre otros, a San Martín. Además, emerge en la historia de América Latina la revolución desde abajo, cuya figura insigne es José Martí. Es la revolución que se  construye desde el consenso y, a partir del mismo, despliega de manera dialogada, todas sus virtudes, dimensiones y potencialidades. En el caso de Panamá, con relación a la guerra de los Mil Días, se trata de un debate abierto sobre la vía, es decir, sobre el método y la forma como cancelar las contradicciones; es el debate abierto, franco y fraterno en las filas del liberalismo, entre Bolívar y Martí, entre la forma de gobierno y el ejercicio del gobierno.

 

En buena medida, la obra de Nelson que hoy comentamos, representa una reflexión sobre esa parte importante y significativa de la historia social de Panamá, que coloca en el centro del debate político-organizativo, como punto de partida, a la guerra de los Mil Días, como actor relevante en la misma a Victoriano Lorenzo y, por último, como telón de fondo, una interpretación de la historia que enfatiza en la participación de las masas de la ciudad y del campo en la construcción del Estado. Esta perspectiva la desarrolla el profesor Nelson partiendo de la misma tesis que años antes propuso Diógenes de la Rosa. Esta tesis, sobre el caso de la guerra de los Mil Días y el papel de Victoriano Lorenzo, se encuentra también presente en la acertada reconstrucción histórica realizada sobre estos hechos por Humberto Ricord y en los artículos que sobre el particular ha elaborado Álvaro Menéndez Franco. No obstante, estas interpretaciones sobre los hechos registrado antes, durante y después de la guerra de los Mil Días,  coexisten con las realizadas por Jorge Conte Porras y Ernesto Castillero; cada una de ellas tendrá sin embargo, distintas implicaciones y relevancias para la historia social del Istmo.

 

Según plantea Humberto Ricord, en algunos de sus escritos, retomando el hilo del comentario sobre la obra del profesor Nelson, los hechos registrados en la guerra de los Mil Días, han sido analizados por historiadores panameños y colombianos, desde diversas perspectivas y puntos de vista. No obstante, existen pasajes, particularmente en la vida y juicio de Victoriano Lorenzo, que todavía no están claramente explicadas  y en algunos casos, requieren un tratamiento distinto a los conocidos.  Hacia esa dirección apunta en principio, la obra del profesor Nelson. Sin embargo, tal como afirma Ricord, están pendientes algunas explicaciones de forma y de fondo que para la historia social del siglo XXI son más que trascendentales.

 

Para el profesor Nelson, el 12 de septiembre de 1899, fecha en la que se produjo un conato de lucha entre liberales y conservadores, cuyo resultado es la guerra de los Mil Días, que se extiende hasta 1902, tiene una relación directa en la forma como se desarrollaba la historia social del Istmo y al mismo tiempo se articulaban los últimos elementos de la vía oligárquica al capitalismo.  Esto se debe al hecho de que la guerra de los Mil Días, en el contexto que se registra, a finales del siglo XIX e inicios de siglo XX, desencadena la lucha plena por la autonomía y la autodeterminación definitiva del Istmo del centralismo colombiano y de las fuerzas sociales conservadoras. Es decir, la guerra de los Mil Días, muestra las contradicciones al interior del antiguo régimen y sus fuerzas representativas con las fuerzas sociales emergentes. La guerra representa entonces, en la práctica, el síntoma más evidente de la pugna por cancelar las contradicciones existentes, en torno a la forma como sería configurado el contrato social, desde el cual se desplegaría posteriormente la nación oligárquica: por ello, sólo la cancelación de las contradicciones políticas, sociales, ideológicas y militares, podía conducir hacia un cambio, hacia una forma superior de expresión de las relaciones entre las clases, en proceso de configuración, y sus demandas planteadas en agendas ciertamente difusas, pero que implican un cuestionamiento emancipativo del antiguo régimen. 

 

La guerra de los Mil Días y los acontecimientos anteriores y posteriores fortalecen la libre determinación y la constitución de la República de Panamá, en medio de la afirmación del sentimiento nacional, pese a todo, mediatizada por los intereses imperialistas en su última fase, en su fase final de consolidación y ampliación. Pero ¿qué es, desde la perspectiva de la histórica social, la guerra de los Mil Días? Según Nelson, la guerra de los Mil Días es un proceso de degeneración de las reformas alcanzadas en medio y como resultado de las luchas bolivarianas. Es decir, es un proceso de pugna por mantener el contrato histórico de las luchas bolivarianas. El mismo consistía en una combinación entre federalismo (autonomía y cogobierno), redistribución de la tierra, secularización, y participación social bajo un liderazgo de corte autoritario. Tal como señalara Ricaurte Soler, "en aquellos estados que comparativamente realizaron temprano sus reformas liberales" la guerra, los conflictos y, en ocasiones, las contradicciones en la dirección del proceso, hacia la ampliación del capitalismo asume la forma de "decadencia y degeneración del proyecto liberal de organización nacional -con la consecuente conservatización del liberalismo". Lo social parece entonces impugnar lo nacional y con ello su poder constituyente, en éste caso el pacto federalista que permite conocer la burocracia, tal cual sucedió en España, pero que no tan claramente, facilita la articulación del Estado.

 

La guerra de los Mil Días significa, desde lo social, por consiguiente, la expropiación de la tierra y, al mismo tiempo, la pérdida de la condición de ciudadano de aquellos sectores étnicos que habían apoyado y configurado la base social de las reformas bolivarianas. La guerra de los Mil Días lo que hace es sacar de la agenda las reformas liberales que en algunos casos, muy pocos por ciento, son también demandas burguesas, la transformación del indio en ciudadano con derechos y libertades fundamentales. Es decir, se liquida someramente el eje del hecho constituyente, que separa idealmente, a través de la igualdad legal nunca biológica estructural de los históricamente desiguales, ciudadanía y etnia. Además, mediatiza la posibilidad de elaborar opciones y agendas propias para los nacionales del Istmo. En ese mismo sentido, la guerra de los Mil Días plantea la superación, vía la liquidación de los reductos y posibilidades ya disminuidas, del proyecto de Bolívar.

 

De hecho, la guerra de los Mil Días representa la manera más contundente de desorganización de la noción de Estado, hasta ese momento, por lo menos viable: el federalismo. Además, implica esta guerra, la emergencia e incremento ascendente de un modelo autoritario de dirección del Estado, la prevalencia de los latifundios, la exportación de materias primas, el dominio ideológico de la Iglesia, la separación de las capas media y la pequeña burguesía del control del Estado y, por último, la eliminación del federalismo como forma de pacto social y vía para configurar una forma de Estado. Es, en la práctica, la forma como la contradicción asume el carácter de confrontación con las formas de gobierno y expropiación de los terratenientes conservadores, a través del pago en especies, del cobro de diezmos y la cárcel por deuda. La corriente liberal con implantación en Panamá, a la cual pertenecía entre otros, Belisario Porras, que se encuentra más cercana a las posiciones roussonianas, que se plantean configurar el orden social a partir del consenso será, por tanto, la corriente que articule de mejor manera, la agenda de uno de los polos de esa confrontación.

 

Porras, jefe civil y militar del istmo de Panamá, quién además estaba inmerso en el debate sobre la necesidad de construir un proyecto económico y político para América Latina, tal cual había esbozado Simón Bolívar, recibió apoyo de diversas naciones y gobiernos latinoamericanos. Este apoyo incluyó el componente militar. Tanto el Presidente de Nicaragua, como el Presidente de Ecuador, le proporcionaron apoyos a Porras. De allí que el imperialismo estadounidense, en plena fase de consolidación, participe directamente en la mediatización de las luchas nacionales que planteaban la necesidad de construir un Estado nacional. Por ello también, el imperialismo diseñará una estrategia abierta y encubierta, dirigida a desorganizar cualquier gobierno que plantee, aunque de manera incompleta y poco coherente, la posibilidad de reconstruir un proyecto de unidad continental expuesto por Bolívar.

 

En todo caso, la guerra de los Mil Días es el principio del fin de la revolución desde arriba. Este proceso, por lo menos en el caso de Panamá, aún no termina. Sigue abierto en la medida en que el sujeto portador de un modelo distinto, todavía no termina de configurar su noción espacio-temporal de proyecto histórico. La guerra de los Mil Días representa también, la separación entre el liberalismo hobessiano y el liberalismo roussoniano y, de paso, la asociación entre el liberalismo hobessiano y el imperialismo en su fase abierta de lucha por su consolidación y ampliación. Esta relación se mueve en dos vías, primero, los intereses de la oligarquía criolla en su aspiración de alcanzar la independencia del Istmo con la colaboración de Estados Unidos o de cualquier otra potencia extranjera; en segundo momento, el interés de Estados Unidos en liquidar las posibilidades del proyecto bolivariano y culminar de manera "pacífica" y rápida, la consolidación en firme de su hegemonía económica, mediante la construcción del Canal y, de paso, su expropiación a perpetuidad mediante un tratado plagado de todo tipo de vicios.

 

Estos singulares hechos que se plantean en medio de la guerra de los Mil Días, permiten formular la siguiente pregunta: ¿cuándo termina el siglo XIX en el Istmo? Termina acaso cuando se muestra, en toda su amplitud y en la práctica, el asocio entre el liberalismo hobbesiano y el imperialismo en 1903 o, por el contrario, finaliza cuando emerge la contradicción nación versus imperio, como contradicción fundamental. Esto último ocurre en la práctica, en el año 1925. No obstante, cabe tener presente que la base legal de dicho asocio inicia con el Tratado Hay-Bunau-Varilla.

 

El siglo terminará entonces, cuando se resuelva la contradicción que abrieron las relaciones sociales imperantes en el siglo anterior. En el caso de Panamá la resolución de la contradicción anterior plantea  de hecho, la formulación de una nueva agenda que implica, en la práctica, la lucha combinada y en cierta medida desigual y cuando no, yuxtapuesta y atrofiada, por la liberación nacional, social y cultural. En medio de ese proceso, se refunda la ya configurada vía oligárquica al capitalismo a través de la ampliación de la base social y productiva del transitismo.

 

Es en medio de ese proceso acelerado de cambios que se registra la participación de Victoriano Lorenzo en la guerra de los Mil Días. La misma puede interpretarse desde diversas perspectivas, sin embargo, existe un hecho significativo: la presencia ampliada y cada vez más común de la explotación, vía el intercambio de equivalentes, sean éstos últimos en especies, en dinero o en trabajo. La primera manifestación de esta singularidad de las relaciones sociales en el Istmo, la encontramos en el incidente de la "Tajada de Sandía", donde por ejemplo, la ausencia del Estado y sus normas y disposiciones en sentido amplio, pero con la presencia incipiente de las leyes de mercado, facilitan el inicio de una confrontación todavía por explicar desde la perspectiva de la sociología económica. Esto se expresa y presenta también en el caso de la guerra de los Mil Días.

 

Pero si la guerra de los Mil Días en el caso de Panamá inicia por intermedio de un sinnúmero de situaciones implícitas en las nuevas relaciones sociales, también terminará por intermedio de un conjunto complejo de relaciones internacionales en proceso de ampliación. Eso, en última instancia, es lo que muestra el pacto del Wisconsin que permite en lo legal y formal, el fin de la guerra. En el fondo, ese pacto consolida las posiciones del conservadurismo, del liberalismo hobbesiano en el Istmo, por lo que muchos líderes liberales se esconden y exilan, cuando los líderes de las masas de campo se atrincheran para iniciar un desigual combate.  El pacto del Wisconsin, en su conjunto con el derrotismo liberal, es la materialización de las mediaciones estadounidenses a la autodeterminación del Istmo, y la base sobre la cual se despliega toda la conspiración contra los sectores del pueblo que buscaban nuevas formas de combate. De hecho, este pacto retarda la configuración de la agenda social y la realización de la revolución democrático-burguesa en el Istmo. Por lo cual,  el liberalismo criollo termina doblemente derrotado, en la medida que sus filas claudican ante las ambiciones políticas, militares y personales. En la mesa de negociaciones y en la lucha militar en las calles, el liberalismo es derrotado. Sólo quedó vigente su proyecto ideológico que incluía entre otros, crear un Estado Nacional. Esta idea la incorpora el liberalismo de corte hobbesiano, el conservadurismo, a su programa político-ideológico. 

 

No obstante, según el profesor Nelson, Victoriano Lorenzo en dicha guerra realiza diversos aportes. En un primer momento, Victoriano Lorenzo aporta como método de lucha, el paso de la guerra de posición a la guerra de movimiento. Con esta  forma de guerra, Lorenzo incorpora a la población y con ello se presenta un fenómeno distinto, una participación activa de la población en la guerra, bajo el concepto contemporáneamente caracterizado como guerra total. Es decir, Lorenzo preparó áreas de vigilancia y contacto visual solapado desde trincheras de piedra y puestos en los caminos, para luego atacar por sorpresa en ríos y lugares de descanso y acampada a las huestes colombianas y sus referentes conservadores en el Istmo. Esta modalidad de guerra utilizada por Lorenzo, rompe con las convencionales guerras de posición que desde la época medieval se desarrollaron en Europa y que desde el siglo XVII se habían trasladado a América. Además, con ese nuevo modelo de guerra, Lorenzo muestra una importante capacidad militar, todavía por estudiar en el ámbito nacional, pues en el caso colombiano existen algunos estudios que tratan el tema y que han llegado a incluirse en los registros documentales sobre Panamá, en Edimburgo.

 

Victoriano Lorenzo también aporta un hecho significativo que será el eje de los movimiento guerrilleros emergentes, sobre todo, desde la aparición del Ejército Zapatista de Liberación Nacional (EZLN). Tal es el caso de la liberación y control geográfico real del territorio o lo que es lo mismo, "visibilización" real de las formas emergentes de poder. Sin la configuración de formas de poder, no puede existir territorio liberado.

 

Por último, Victoriano Lorenzo aporta algo más,  el hecho de que de allí en adelante, cualquier intento por autonomización de las luchas sociales, no podrá realizarse sin dirección política, conducción ideológica y perspectiva militar. Sin embargo, si estos son los aportes significativos, por cierto, que realiza Victoriano Lorenzo, entonces ¿por qué en la obra del profesor Nelson existe un tratamiento desigual entre los hechos formulados o expuestos en el primer capítulo y los enunciados en el tercer capítulo? ¿por qué Porras aparece sobre-dimensionado en el primer capítulo y victimizado en el tercero? ¿por qué no se explica claramente a lo largo de la obra, la diferencia entre fusilamiento, ajusticiamiento y asesinato? Quizás una segunda edición de esta obra pueda esclarecer tales preguntas.

 

Sin embargo, a pesar de ello, cada vez más, aún cuando no exista literatura de por medio ni pensamiento fecundo por exceso, Victoriano Lorenzo seguirá siendo el ejemplo de lucha, la vida que anuncia el principio avanzado de un proyecto político que, en el caso de Panamá, esta todavía por construirse.  Victoriano Lorenzo es apenas uno de los tantos mártires panameños que en la lucha contra el imperialismo ha sido traicionado por las alianzas coyunturales con los sectores sociales que buscaban la ampliación del capitalismo en el Istmo. Esa, sin duda, es una lección histórica que debe convertirse en parte de la memoria colectiva, del imaginario ideológico del pueblo panameño.  Que no pasen otros cien años para percatarse de ello.

Data da publicação: 17/03/2008 09:46
Palavra-chave: Panamá - guerra civil colombiana (Liberal-Conservador) - cholos - chiriquí - criação do istmo


Lista de Textos Clássicos:

Ricardo Palma
por Pesquisa: Daniela Soares, Revisão Bruno Lima Rocha
05/05/2008 11:53

Victoriano Lorenzo
por Alexis Rodríguez
17/03/2008 09:46

A Rebelião Cabana alagoana-pernambucana (1832-1836), estendida até 1850
por Vicente Paula Ferreira e cia
03/12/2007 13:13

Eduardo Nogueira Angelim (Aracati, 6 de julho de 1814 - 20 de julho de 1882) -mártir Cabano
por fontes abertas da web
20/12/2006 11:20

TUPAC CATARI
por * Libro Rebeliones indígenas y negras en América Latina, de Kintto Lucas, 1992.
13/12/2006 10:27

TUPAC AMARU
por A última revolta incaica
13/12/2006 10:26

Manuel Rodríguez Erdoíza - 1ª parte de sua biografia
por Pesquisa de Camila Reinheimer
08/11/2006 16:37

Juan Antonio Lavalleja
por escueladigital.com.uy/biografias
21/10/2006 18:44

Fulgencio Yegros del Paraguay
por Original por Fulgencio Yegros Semidei e Fulgencio Esteban Yegros Smith
04/09/2006 21:45

"JOSÉ INÁCIO DE ABREU E LIMA - EL GENERAL DE MASAS" -
por compilação do ministério de comunicação do governo da Venezuela
20/08/2006 17:01

Manifesto de Frei Caneca (1824)
por Frei Caneca
05/08/2006 11:44

Bernardo O’Higgins Riquelme
por Site oficial da Marinha do Chile
29/07/2006 00:41

Una curta biografía de Juana Azurduy
por Elizabeth Fernández e Irene Ocampo
15/07/2006 14:15

Coletânea de discursos originais de Benito Juárez
por Benito Juárez
07/07/2006 13:41

Pequeña biografía de Martín Miguel de Güemes (1785 - 1821)
por Felipe Pigna
07/07/2006 13:19

Brevíssima relación de la destruyción de las Indias. Colegida por el Obispo don Bartolomé de las Casas o Casaus de la orden de Santo Domingo, 1552
por Fray Bartolomé de las Casas
26/06/2006 13:34

Fragmentos originais de José Artigas, em castelhano
por José Artigas, compilação Bruno Lima Rocha
22/06/2006 11:43

Cartas originais de José de San Martín, en castellano
por José de San Martín - compilação de Bruno Lima Rocha
22/06/2006 11:41

Manifiesto de Montecristi - em castelhano
por José Martí
22/06/2006 11:40

Antonio José de Sucre (pequena biografia)
por Simón Bolívar
22/06/2006 11:38






O AI-5 quarenta anos depois (3)

Bruno Lima Rocha

4ª 17 de dezembro de 2008; Vila Setembrina; Continente de São Sepé; Liga Federal

Encerro aqui a trilogia a respeito do Ato Institucional No. 5, datado de 13 de dezembro de 1968. Neste texto o tema é delicado, mas precisa ser abordado. Além da camaleonização dos operadores políticos que apoiaram o regime de força e há mais de duas décadas posam como democratas, existe o problema da falsificação da história.

Explico. Na Argentina, durante os anos ’80, surge a "Teoria dos dois demônios". Trata-se de uma justificativa para a não-punição dos torturadores. O argumento é falso, mas de fácil reprodução e se espalhou pelo Cone Sul. Coloca na mesma posição aos militares golpistas e os membros da resistência armada à ditadura. Ambos seriam "os demônios" contra a democracia. O nome, inspirado no romance do escritor russo Dostoiévski (1821-1881), já é uma posição política.

Vejo isso como um absurdo. Primeiro, porque o golpe começou quando o vice-presidente eleito, João Goulart, não pôde assumir com plenos poderes. Em setembro de 1961, mudaram a forma de governo, instaurando o parlamentarismo sem consultar aos brasileiros. Segundo, a guerra interna tampouco justifica a barbárie. Até a guerra tem regras e são previstas na Convenção de Genebra. E, todo o método aplicado no combate a guerrilha era baseado em crime de lesa humanidade. Terceiro, argumentam que não se pode usar a violência contra um regime de exceção. Então, por esta lógica, deveríamos condenar a Resistência Francesa, que combateu tanto a ocupação nazista como o governo fantoche de Vichy. Aliás, pensando assim, até a Revolução Francesa e as independências das colônias americanas devem ser condenadas. Quarto, a afirmação que não se pode julgar o passado político e que isso gera um clima de revanchismo. Por esta mesma lógica, devemos condenar o Tribunal de Nuremberg e a punição aos genocidas. Quinto, afirmam que os ex-guerrilheiros se tornaram parte da classe política brasileira e incorrem hoje nos mesmos erros. Embora isto seja a verdade para a maioria, não é para a totalidade. E, ainda assim não justifica. Seria o mesmo que dizer que os israelenses não podem condenar o nazismo por formarem parte de um Estado opressor contra os palestinos.

Passadas quatro décadas e oito em cada dez brasileiros não sabem o que é o AI-5. O Brasil insiste em apagar a memória, ocultar a verdade e impedir a Justiça. É hora de mudar este quadro.

Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat



18/12/2008 08:07
leia mais



AI-5 quarenta anos depois (2)

Bruno Lima Rocha

4ª, 10 de dezembro de 2008, Vila Setembrina dos Farrapos tombados em Taquari; Continente de São Sepé Tiaraju; Liga Federal de los Bravos de Corrientes y Entre Ríos

Este artigo é a seqüência da trilogia a respeito dos quarenta anos do Ato Institucional de Número 5 (AI-5). Sigo no assunto, porque, além de recuperar a memória, forçadamente apagada, também é preciso compreender o porquê da dificuldade de pôr este tema na ordem do dia. Uma possibilidade para isto é a ausência das esquerdas agindo na cruzada pela punição e responsabilização dos autores e mandantes dos crimes de lesa-humanidade.

Assim, sem mobilização social, se atribui tudo ao nível jurídico da causa. Gastamos mais tempo interpretando o parágrafo 2º da Lei No. 6683, de 28 de agosto de 1979 (ver na íntegra), conhecida como Lei de Anistia, do que nos mobilizando para sanear o aparelho repressivo. Isto se dá porque, ao contrário dos demais países do Cone Sul, a pauta direitos humanos não é da ordem do dia. E por desgraça, nem o governo de turno capitaliza os louros de pôr ditadores na prisão. É por isso que no Brasil vemos o Conselho Federal da OAB questionar no Supremo a validade da anistia para os torturadores, mas não temos o reflexo disso nas ruas.

Esta omissão é ampla, geral e irrestrita. Equivocadamente os operadores políticos da transição rifaram o tema. Todos os governos após a vitória indireta de Tancredo Neves e José Sarney no colégio eleitoral vêm protelando a abertura dos arquivos das Forças Armadas e o esclarecimento de todas as circunstâncias das desaparições forçadas e assassinatos. Lula, FHC, Itamar, Collor e o próprio ex-senador maranhense pela ARENA evitaram mexer no passado recente. Assim, temos no Brasil a responsabilidade histórica da ditadura imputada apenas aos militares. Com esta manobra, se deu um processo de "camaleonização" de lideranças políticas, empresariais, latifundiárias, religiosas, intelectuais, tecnocráticas e midiáticas, além das transnacionais e do serviço diplomático dos EUA. Estes agentes coletivos e seus operadores são tão responsáveis pela ditadura como o mais articulado dos conspiradores. Como sustentáculos do regime de exceção, têm tanta culpa pelos horrores da ditadura como o mais ensandecido e bárbaro torturador da Rua Tutóia, da Invernada de Olaria e de outras dezenas de centros de horror estatal que havia no país.

Passadas mais de quatro décadas do golpe de 1º de abril de 1964, é hora de enfrentar a verdade, abrir os arquivos e punir aos culpados.

Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat



11/12/2008 10:44
leia mais



AI-5 quarenta anos depois (1)

Bruno Lima Rocha

4ª. 03 de dezembro de 2008; Vila Setembrina do espelho d’água da Lagoa dos Patos; Continente de São Sepé e Languiru; Liga Federal de los desaparecidos en el Delta del Tigre

Neste artigo inicio uma trilogia debatendo os sentidos e efeitos do Ato Institucional de número 5 (AI-5). No próximo dia 13 de dezembro esta famigerada peça jurídica, revogada em 31 de dezembro de 1978, cumpre quatro décadas de sua assinatura. Infelizmente, hoje perdemos a dimensão de seu significado e tiramos a responsabilidade sobre seus autores. Neste texto e nas duas semanas que seguem, tenho a intenção de contribuir para inverter essa memória apagada.

O AI-5 foi um ato de governo, dando juridicidade para uma escalada repressiva, apertando o torniquete dentro da ditadura. Alguns analistas o consideram o "golpe dentro do golpe". Particularmente discordo desta tese. A medida foi um recurso de recrudescimento por parte de um regime militar. O texto estipulava no papel a correlação de forças que nas ruas dos grandes centros era disputada quadra a quadra desde a retomada dos protestos populares com a setembrada de 1966. A resposta foi à altura do desafio imposto. A sociedade brasileira mudava e o comportamento dos agentes políticos também.

Podemos compreender o golpe de 1º de abril de 1964 como a resultante da conspiração de direita iniciada em 1961, somada na reação às ameaças de distributivismo (materializado nas "reformas de base"); crise institucional (na quebra de hierarquia e cisão das forças armadas e polícias militares); e duplo poder (como nas greves de solidariedade convocadas pelo CGT). Já o AI-5 pode ser lido como a soma das lutas internas no interior da ditadura (com definições ideológicas como a do ministro da Justiça Luís Antônio da Gama e Silva); a expansão da presença dos operadores de inteligência sob comando dos EUA (caracterizado por Dan Mitrione dentre outros agentes); e a medida de governo que materializava o poder discricionário para afirmar o Brasil Potência. Também foi a resposta ao surgimento de uma esquerda com intenção revolucionária, não alinhada com Moscou e sob influência latino-americana. Mas, ressalto que nenhuma análise política posterior e complexa pode "justificar" os crimes de lesa humanidade cometidos.

Entendo que o ato da ditadura deve ser analisado como uma ação de governo de exceção no comando de um Estado. Como toda atividade política, a mesma tem autores responsáveis e que por ela devem ser responsabilizados (leia o documento na íntegra). No momento em que o país discute a punição aos autores e mandantes dos crimes hediondos de tortura, cárcere clandestino, estupro e desaparição forçada, a compreensão do AI-5 é atual e necessária. Como já afirmei antes, o povo que não sabe de onde veio, não entende onde está e nem decide para onde vai.

Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat.



04/12/2008 08:55
leia mais



Brasil se rende ao Banco Mundial mais uma vez

Bruno Lima Rocha

4ª 25 de novembro de 2008 - Vila Setembrina dos Farrapos Traídos em Porongos; Continente do Rio Grande de M’bororé; Liga Federal de los Valientes de Artigas

A crise do sistema financeiro mundial atingiu o Brasil em cheio. Ao contrário dos opinólogos de plantão, não faço o elogio do acaso e das apostas. A crise acertou o país porque esta nação é governada por banqueiros, literalmente. O homem mais poderoso daqui é funcionário do Bank of America. Seu nome é Henrique Meirelles e tem uma sólida carreira ligada ao BankBoston. É presidente do Banco Central do Brasil (BC) e ganhou status de ministro porque estava sendo acusado por sua fortuna pessoal sem origem. Agora, apenas o Supremo Tribunal Federal (STF), nossa gloriosa Suprema Corte digna de livro de Bob Woodward e Scott Armstrong ("Por detrás da Suprema Corte", Saraiva, 1985) pode julgá-lo.

Os fatos são diretos e falam por si só. O Brasil alega para a humanidade haver pagado sua dívida externa. O que devia para o Fundo Monetário Internacional (FMI) foi quitado. O grosso dos credores privados também. Mas, na frieza das LTNs (Letras do Tesouro Nacional) o que ocorreu foi uma troca da dívida externa pelo super-endividamento público como forma de acumulação do capital especulativo. A fusão e concentração bancária é fruto desse gênio do crime. Agora, com a corda no pescoço, com os cinco maiores bancos do país sendo proprietários de 86% das agências e terminais eletrônicos, resta ao governo pagar a conta do fim da liquidez.

Desta forma absurda, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai injetar mais R$ 12,5 bi de reais (cerca de US$ 6 bi de Usd) para garantir o fluxo de empréstimos para o "setor produtivo". Assim, ao invés de obrigar a Banca a emprestar, rebaixar a taxa básica de juros (Selic) e impor uma porcentagem da carteira dos bancos privados a ser destinado para o financiamento do capital de giro subsidiado, o Estado vai repassar o boleto de pagamento para todos nós. A origem dos R$ 12,5 bi é igualmente sinistra. R$ 7,5 bi virão com mudanças nos compulsórios bancários. Ou seja, as reservas de depósitos obrigatórios, cada vez mais aliviadas, serão usadas para financiar o salvem-se quem puder. E, este montante sai do Estado, através do governo central, e não onera o caixa da Banca. Além disso, os restantes R$ 5 bi sairão de uma linha de crédito com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BIRD), empresa subsidiária do Grupo Banco Mundial. Ou seja, estamos nos REENDIVIDANDO para pagar a conta da farra das subprimes tupiniquins e nas apostas com o mercado futuro do dólar.

Para quem imagina que acabou o pesadelo vindo do "governo de esquerda que manda por direita", a coisa é pior. O empréstimo do BIRD para a União saiu por medida provisória, ou seja, por decreto. Ao invés de decretar a taxação compulsória sobre a Banca, Lula decreta o re-endividamento do país. Tem mais. O Brasil garantiu uma linha especial junto ao Federal Reserve (Fed, Banco Central dos EUA) e ao FMI. A 11ª economia do mundo ganhou este presente como menino bem comportado. Isto foi fruto do bom comportamento em 2002 e em 2008, das operações de swap (troca de moeda) então comandadas pelo gerente de especulação de Soros e então presidente do BC Armínio Fraga e a repetição da roubalheira na forma reversa pelo sempre citado Mr. Meirelles. Hoje podemos trocar até US$ 30 bi (mais de R$69 bi de reais) e pedir um auxílio para o Fundo. Ou seja, o prêmio pelas tenebrosas transações de swap e a obediência aos "fundamentos da economia neoliberal anti-econômica" é deitar nos braços da morte outra vez.

Após 13 anos de "austeridade monetarista" descobre-se o óbvio. Fruto das políticas vende-pátria, o país abriu mão de reservas estratégicas - como o minério de ferro privatizado - para tornar-se uma plataforma de exportação de bens primários. Agora os financistas reinventam a roda, financiando com crédito externo a mentalidade criminosa de quem atirou 4/5 da economia produtiva e de mercado aberto operando no Brasil à farra da jogatina de derivativos e mercado futuro. A exuberância irracional tupiniquim termina de modo melancólico tal como um cocainômano da Bolsa de Valores ou o alcoólatra do meio artísitico, viciado em bebida destilada escocesa ou russa. Perdem a família, trabalho, e bens, mas não perdem a pose e a falta de vergonha na cara!



27/11/2008 10:58
leia mais



Déficit zero e controle do servidor gaúcho

Bruno Lima Rocha

4ª, 26 de novembro de 2008; Vila Setembrina; Continente de São Sepé; Liga Federal

Protelado por dois anos, o conflito dos servidores públicos com a governadora Yeda Crusius estourou. No momento as atenções estão sobre a greve dos professores estaduais. O motivo da paralisação, em tese, foi obtido, já que os deputados garantiram não votar o projeto do Piso Salarial Estadual até março. Agora a queda de braço é política (no sentido mais amplo da Política), e trata da punição aos grevistas. A tese do Piratini é simples. Para aplicar a política de déficit zero, precisam controlar a mão de obra. Se liberarem o corte de ponto dos educadores vinculados ao Cpers-Sindicato, todas as demais categorias se sentirão incentivadas a entrar em greve. O Executivo não tem muita escolha. Se ceder, o Decreto 45.959/2008 "não vai pegar".

O choque não se resume a uma questão pontual e nem é caso isolado do Rio Grande do Sul. É da natureza das relações de trabalho a luta pelo controle da mão de obra. Todos os níveis de governo no Brasil têm sérios problemas com o funcionalismo. É uma gangorra política. Quanto mais organizados estiverem os servidores, menos o governo de turno mandará na máquina pública. Isto pode significar, dentre outras variáveis, a sindicalização extrema do aparelho estatal ou a defesa corporativa de interesses. Por outro lado, mais peso terá os cargos em comissão (CCs) e as funções gratificadas (FGs). No quesito remuneração, quanto maior for à intervenção do governante, menor será a incorporação das gratificações para o salário real. A disputa é pela alocação de recursos permanentes no orçamento. Se os prêmios não forem incorporados aos salários, aumenta o poder de barganha do Executivo. Aí surgem diferenças conceituais. Alguns defendem esta prática dizendo ser mais responsável. Eu entendo que esta política é a precarização do trabalho aplicada no serviço público.

Voltando ao Rio Grande, a luta pela máquina pública implica em destinação de recursos. O modelo do déficit zero tem de ser aplicado com mão pesada e prioridade nas ações do Estado como indutor e fiador do agente econômico. O plano de investimentos para 2009 reflete essa vontade política. O Tesouro vai investir R$ 1 bi e 250 milhões livres, equivalente a 7% da receita. Desse total, a maior beneficiada é a Secretaria da Infra-Estrutura, que vai receber (em milhões) R$ 411.557.154,00 a Segurança R$ 186.753.312,00 a Educação R$ 99.996.078,00 a Saúde R$ 74.881.290,00. Os números e a atitude do governo falam por si.

Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat



27/11/2008 10:56
leia mais





Arquivos de análise política em áudio. Entre e ouça livremente.











Associado a Transparência Brasil



início perfil conselho teoria consultoria publicações clássicos notas artigos links contato
produzido por Atelier Design Editorial