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Da contra-informação ao pensamento único neoliberal: conceitos de crítica à indústria da mídia
O trabalho (1) tem como objetivo apontar conceitos operacionais para a crítica da indústria midiática, fazendo uma aproximação entre duas áreas de análise politicamente opostas, embora com epistemes semelhantes. Trata-se do diálogo entre o conceito de fabricação do consenso tolerável pelas regras hegemônicas, tendo como base as idéias pensáveis de Noam Chomsky, e a análise estratégica em sentido pleno. Para trabalhar estratégia, parte-se dos conceitos de um operador militar clássico, o general Golbery do Couto e Silva, dentro de seu modelo de análise com níveis de incidência e subordinação do método ao objetivo finalista, onde as indústrias culturais enquadram-se no nível psicossocial de atuação. Tal paradigma terá presença ao longo do artigo. Destacam-se alguns conceitos básicos para discutir a crítica à mídia hegemônica, partindo da caracterização do nível e seus macroambientes de operação. crítica da mídia - fabricação do consenso - análise estratégica - níveis de análise - incidência - inteligência - contra-informação 26/01/2008 11:44 leia mais Controle E Disputa Pela Democracia Na Comunicação Social
Este artigo analisa o estado atual da mídia brasileira em relação à influência das empresas que constituem os meios de Comunicação no Brasil e a participação dos movimentos pela democratização do setor, buscando contribuir para o debate teórico e de perspectivas para uma melhor atuação por parte dos ativistas de comunicação comunitária, assim como do conjunto do movimento popular. Parte de uma pesquisa bibliográfica e documental, além da análise de dados recentes sobre o setor, que busca evidenciar a importância da constituição de políticas públicas democráticas para o favorecimento do empoderamento popular em nosso país. Políticas de Comunicação; Democratização da Comunicação; Mídia Brasileira; Empoderamento Popular; Radiodifusão Comunitária. 16/01/2008 13:17 leia mais


Ricardo Palma
Ricardo Palma Enfrentou muitas lutas, não apenas por sua própria sobrevivência, como pela preservação da cultura de sua pátria. Com suas lutas acabou definiu seu estilo, a prosa e o testemunho, relatos verídicos mesclando co um pouco de fantasia, elemento sempre presente na memória daquele povo. Ele acreditava que a oralidade de seu povo era a principal intérprete de sua história, e ele estava certo. Era um grande tradicionalista. Um trecho de sua obra: "(...) Concluía el año de 1550, y era alcalde de la villa (Villa Imperial de Potosí) el licenciado don Diego de Esquivel, hombre atrabiliario y codicioso, de quien cuenta la fama que era capaz de poner en subasta la justicia, a trueque de barras de plata. Su señoría era también guloso de la fruta del paraíso, y en la imperial villa se murmuraba mucho acerca de sus prapisondas mujeriegas. Como no se había puesto nunca en el trance de quel el cura de la parroquia le leyese la famosa epístola de San Pablo, don Diego de Esquivel hacía gala de pertenecer al gremio de los solterones, que tengo para mi constituyen, si no una plaga social, una amenaza contra la propiedad del prójimo. Hay quien afirma que los comunistas y los solterones son bípedos que se asimilan." "Las Orejas del Alcalde - Crónica de la época del segundo virrey del Perú", publicada pela primeira vez em 1873, no El Coreo del Perú. Ricardo Palma, biografia, Peru 05/05/2008 11:53 leia mais Victoriano Lorenzo
O líder indígena, involucrado na Guerra Civil entre os partidos Liberal e Conservador, é mais um caso clássico de vontade popular manipulada por interesses oligárquicos. É a prova viva do exemplo de que massas em disponibilidade, identidade popular e ancstral, mesclada com a defesa da posse e do uso da terra natal, formam uma combustão popular quase incontrolável. Victoriano é um personagem histórico, material, sua carne queimada no fuzilamento de um traidor da oligarquia, portanto, fiel ao povo, é digno de livro de Gabriel García Márquez. Seu Panamá e sua província de Chiriquí, o orgulho cholo, é tão presente no istmo da porta do mundo como em uma zamba cantando "cholita santiagueña, cholita salteña". A sabedoria política dos cholos surge da necessidade de protagonismo popular e programa político compatível com as identidades e culturas ancestrais e mestiças; com a carga de informações que exigem a formação de conceitos diretos, formando o arcabouço teórico-metodológico geradores de ideologia de câmbio a partir do distributivismo com os dois pés fincados no campo nacional-popular. Victoriano Lorenzo é parte da história nossa, desconhecida de nós mesmos; é o outro lado da política do Porrete Grande - Palo Largo - Big Stick; é a versão centro e latino-americana do lado B do protetorado do Império a partir de Miami e da famigerada Escola Panamá (extinta). O orgulho chiriqueño passa pela carne dos cholos de Victoriano. Palavras-chave: Panamá - guerra civil colombiana (Liberal-Conservador) - cholos - chiriquí - criação do istmo Panamá - guerra civil colombiana (Liberal-Conservador) - cholos - chiriquí - criação do istmo 17/03/2008 09:46 leia mais

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| Com este texto procuramos aportar uma subseção da página. Diz respeito aos NOSSOS clássicos de política, aquelas palavras recheadas de conteúdo e que foram elaboradas ao calor da hora, no momento mesmo de luta direta e formação das nacionalidades e da idéia republicana na América Latina.
Elevamos à altura justa e merecida de clássicos da política ao pensamento vivo dos operadores da política comprometida de certa forma e adequado ao seu tempo, com os mesmos princípios desta página.
Para não nos confundirmos com o papel principal da política, que é a operação sobre o mundo real, esta página vai expor textos originais do pensamento político e estratégico latino-americano até o ano de 1945.

| | | |  Palma soube fazer sua obra sobreviver ao cenário incerto de seu país, exatamente por ter-lhe dado como guia e base a linguagem popular.
| Ricardo Palma
Ricardo Palma Enfrentou muitas lutas, não apenas por sua própria sobrevivência, como pela preservação da cultura de sua pátria. Com suas lutas acabou definiu seu estilo, a prosa e o testemunho, relatos verídicos mesclando co um pouco de fantasia, elemento sempre presente na memória daquele povo. Ele acreditava que a oralidade de seu povo era a principal intérprete de sua história, e ele estava certo. Era um grande tradicionalista. Um trecho de sua obra: "(...) Concluía el año de 1550, y era alcalde de la villa (Villa Imperial de Potosí) el licenciado don Diego de Esquivel, hombre atrabiliario y codicioso, de quien cuenta la fama que era capaz de poner en subasta la justicia, a trueque de barras de plata. Su señoría era también guloso de la fruta del paraíso, y en la imperial villa se murmuraba mucho acerca de sus prapisondas mujeriegas. Como no se había puesto nunca en el trance de quel el cura de la parroquia le leyese la famosa epístola de San Pablo, don Diego de Esquivel hacía gala de pertenecer al gremio de los solterones, que tengo para mi constituyen, si no una plaga social, una amenaza contra la propiedad del prójimo. Hay quien afirma que los comunistas y los solterones son bípedos que se asimilan." "Las Orejas del Alcalde - Crónica de la época del segundo virrey del Perú", publicada pela primeira vez em 1873, no El Coreo del Perú.
por: Pesquisa: Daniela Soares, Revisão Bruno Lima Rocha Data da publicação: 05/05/2008 11:53 Palavra-chave: Ricardo Palma, biografia, Peru
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| | | |  Victoriano Lorenzo pertencia à classe do campesinato istmenho relacionado intimamente com os povos indígenas da etnia buglé, da qual provinha, estabelecida principalmente em Veraguas e Coclé.
| Victoriano Lorenzo
O líder indígena, involucrado na Guerra Civil entre os partidos Liberal e Conservador, é mais um caso clássico de vontade popular manipulada por interesses oligárquicos. É a prova viva do exemplo de que massas em disponibilidade, identidade popular e ancstral, mesclada com a defesa da posse e do uso da terra natal, formam uma combustão popular quase incontrolável. Victoriano é um personagem histórico, material, sua carne queimada no fuzilamento de um traidor da oligarquia, portanto, fiel ao povo, é digno de livro de Gabriel García Márquez. Seu Panamá e sua província de Chiriquí, o orgulho cholo, é tão presente no istmo da porta do mundo como em uma zamba cantando "cholita santiagueña, cholita salteña". A sabedoria política dos cholos surge da necessidade de protagonismo popular e programa político compatível com as identidades e culturas ancestrais e mestiças; com a carga de informações que exigem a formação de conceitos diretos, formando o arcabouço teórico-metodológico geradores de ideologia de câmbio a partir do distributivismo com os dois pés fincados no campo nacional-popular. Victoriano Lorenzo é parte da história nossa, desconhecida de nós mesmos; é o outro lado da política do Porrete Grande - Palo Largo - Big Stick; é a versão centro e latino-americana do lado B do protetorado do Império a partir de Miami e da famigerada Escola Panamá (extinta). O orgulho chiriqueño passa pela carne dos cholos de Victoriano. Palavras-chave: Panamá - guerra civil colombiana (Liberal-Conservador) - cholos - chiriquí - criação do istmo
por: Alexis Rodríguez Data da publicação: 17/03/2008 09:46 Palavra-chave: Panamá - guerra civil colombiana (Liberal-Conservador) - cholos - chiriquí - criação do istmo
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Os atuais municípios de Porto Calvo, Maragogi (foto) e Jacuípe carregam em si as marcas olvidadas da gênese constitutiva das modernas rebeliões populares de Alagoas. A beleza deslumbrante viu na retaguarda de suas matas a epopéia da outra fundação da província
| A Rebelião Cabana alagoana-pernambucana (1832-1836), estendida até 1850
O episódio cabano das Alagoas, na verdade no norte de Alagoas e sul de Pernambuco, inaugura uma nova fase nos Clássicos. Além dos personagens e primeiros escritos políticos, vamos buscar na gênese das lutas populares brasileiras as raízes nunca abordadas de forma integrada e coletiva. A Cabanada alagoana é mais um exemplo de luta coletiva, com ares de epopéia, constitutiva da formação alagoana, promotora de unidade de classes oprimidas e forjadora de um significado distinto para o território daquela então província. Na seqüência consta a pesquisa feita pela colaboradora do portal, a acadêmica de história Daniela Soares, onde encontrou um bom artigo a respeito desta luta quase desconhecida para o conjunto dos brasileiros. Se fica a crítica para o trabalho exposto, é seu viés economista em excesso. Mas, a pesquisa em si já é mérito. Em cada rincão do país existem lutas e episódios políticos e sociais que, se apresentados em contesto distinto, formam um novo discurso generalizante. Esta é uma das missões da página, rendendo desde já o reconhecimento para o historiador alagoano Dirceu Lindoso. Foi pelas palavras dele, com o livro A Utopia Armada, onde a luta protagonzada pelos negros papa-méis, herdeiros diretos do Quilombo de Palmares, ofereceram a este analista possibilidade de se dar conta do óbvio. A luta desses cabanos é continuidade do ambiente político da insurreição de 1817, fato que leva à emancipação política de Alagoas, desvencilhando-se de Pernambuco. Construção que não pode ser vista de forma picotada. História mal contada é trajetória incompreendida.
por: Vicente Paula Ferreira e cia Data da publicação: 03/12/2007 13:13 Palavra-chave: Cabanada - rebelião popular da regência - alagoas/pernambuco - papa-méis - rebeliões regionais brasileiras - nordeste
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Confrontando soldados portugueses, tropas leais do Rio de Janeiro e mercenários navais ingleses, a massa cabana defendera a independência do Grão-Pará e o controle da Amazônia por seus moradores integrados ao meio natural.
| Eduardo Nogueira Angelim (Aracati, 6 de julho de 1814 - 20 de julho de 1882) -mártir Cabano
A Cabanagem foi a revolução popular da Amazônia. Pioneira na sublevação de indígenas, na fusão cultural típica do que hoje é conhecido como a regionalidade paraense, demarcou um Brasi amazônico com identidade e anseios próprios. Infelizmente, como na maior parte das rebeliões e revoluções do período do 1º reinado e regência, a Cabanagem tinha uma direção heterogênea e vacilante. Tanto é, que como um padrão de comportamento político, todas as elites políticas rebeldes vacilaram perante as negociações imperiais. Mesmo com as contradições, a revolta do povo das cabanas na beira dos rios igarapés e igapós marcou um princípio de poder popular constituído, onde as massas indígenas, negras, caboclas e cafusas experimentaram um exercício de poder direto. Eduardo Nogueira Angelim, fez de sua própria trajetória, a marca da Cabanagem em solo amazônico. É mais um herói semi-anônimo, "regional" e pouco estudado na História oficial brasileira.
por: fontes abertas da web Data da publicação: 20/12/2006 11:20 Palavra-chave: Cabanagem - revoluções brasileiras - Angelim - massas cabanas - Amazônia
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Julián Apaza, mais conhecido como Túpac Catari. Líder aymara, deu seguimento a rebelião de Tupac Amaru, Enriquillo, Capolicán, dentre outros próceres de América.
| TUPAC CATARI
A rebelião comandada por Tupac Catari foi a versão tupacamarista no território hoje conhecida como Bolívia. Impressiona o vigor, a organização e a motivação ideológica para a época. É de se notar também o vigor que lideranças nativas, quando educadas nos dois ou três mundos do altiplano, español, cholo e indígena, conseguem realizar e aglutinar forças populares. Episódio de nossa história que marcara todo um caminho. Lição para latino-américa
por: * Libro Rebeliones indígenas y negras en América Latina, de Kintto Lucas, 1992. Data da publicação: 13/12/2006 10:27 Palavra-chave: Bolívia - Alto Perú, aymaras y quechuas - rebelião indígena e mineira
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Jose Gabriel Condorcanqui, el Tupac Amaru, líder da rebelião indígena, Inti reconhecido em via e caudal de esperanzas e vontades da Serra e do Altiplano. Deu origem ao título de el tupamaro, depois atribuído a José Gervasio Artigas na pampa gaucha.
| TUPAC AMARU
Outra vez a história de América ensina o básico. Ao conhecer três mundos simultâneos, Tupac Amaru tem a capacidade de galvanizar a ira do povo ancestral, dos crudos andinos. A mesma história de um assimilado que trocara de lado novamente, trazendo o projeto político coletivo acima dos projetos pessoais. Exemplo para toda América Latina.
por: A última revolta incaica Data da publicação: 13/12/2006 10:26 Palavra-chave: Peru - zona andina - quéchuas e aymarás - rebelião indígena, camponesa e popular
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Manuel Rodríguez, homem de letras e armas; defensor incondicional da libertação republicana dos povos de América.
| Manuel Rodríguez Erdoíza - 1ª parte de sua biografia
Manuel Rodríguez foi um dos homens que marcaram a história do Chile e do Cone Sul em seu nascimento. Mais conhecido pela inspiração que emprestara o nome para a organização político-militar FPMR, muito atuante na resistência da ditadura de Pinochet, Manuel Rodríguez deixou seu legado na formação clássica de homem de letras e armas. Muito atuante na guerra de libertação chilena, foi um daqueles homens de idéias e ações que conseguiu ir além do patriciado criollo, fazendo política na redescoberta de seu próprio povo. O título do seu jornal de barricada, O Monitor Araucano, já carrega a marca e o arraigo popular necessário.
por: Pesquisa de Camila Reinheimer Data da publicação: 08/11/2006 16:37 Palavra-chave: Chile - Monitor Araucano - conspirações - patriciado
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O AI-5 quarenta anos depois (3)
Bruno Lima Rocha 4ª 17 de dezembro de 2008; Vila Setembrina; Continente de São Sepé; Liga Federal Encerro aqui a trilogia a respeito do Ato Institucional No. 5, datado de 13 de dezembro de 1968. Neste texto o tema é delicado, mas precisa ser abordado. Além da camaleonização dos operadores políticos que apoiaram o regime de força e há mais de duas décadas posam como democratas, existe o problema da falsificação da história. Explico. Na Argentina, durante os anos ’80, surge a "Teoria dos dois demônios". Trata-se de uma justificativa para a não-punição dos torturadores. O argumento é falso, mas de fácil reprodução e se espalhou pelo Cone Sul. Coloca na mesma posição aos militares golpistas e os membros da resistência armada à ditadura. Ambos seriam "os demônios" contra a democracia. O nome, inspirado no romance do escritor russo Dostoiévski (1821-1881), já é uma posição política. Vejo isso como um absurdo. Primeiro, porque o golpe começou quando o vice-presidente eleito, João Goulart, não pôde assumir com plenos poderes. Em setembro de 1961, mudaram a forma de governo, instaurando o parlamentarismo sem consultar aos brasileiros. Segundo, a guerra interna tampouco justifica a barbárie. Até a guerra tem regras e são previstas na Convenção de Genebra. E, todo o método aplicado no combate a guerrilha era baseado em crime de lesa humanidade. Terceiro, argumentam que não se pode usar a violência contra um regime de exceção. Então, por esta lógica, deveríamos condenar a Resistência Francesa, que combateu tanto a ocupação nazista como o governo fantoche de Vichy. Aliás, pensando assim, até a Revolução Francesa e as independências das colônias americanas devem ser condenadas. Quarto, a afirmação que não se pode julgar o passado político e que isso gera um clima de revanchismo. Por esta mesma lógica, devemos condenar o Tribunal de Nuremberg e a punição aos genocidas. Quinto, afirmam que os ex-guerrilheiros se tornaram parte da classe política brasileira e incorrem hoje nos mesmos erros. Embora isto seja a verdade para a maioria, não é para a totalidade. E, ainda assim não justifica. Seria o mesmo que dizer que os israelenses não podem condenar o nazismo por formarem parte de um Estado opressor contra os palestinos. Passadas quatro décadas e oito em cada dez brasileiros não sabem o que é o AI-5. O Brasil insiste em apagar a memória, ocultar a verdade e impedir a Justiça. É hora de mudar este quadro. Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat
18/12/2008 08:07 leia mais 
AI-5 quarenta anos depois (2)
Bruno Lima Rocha 4ª, 10 de dezembro de 2008, Vila Setembrina dos Farrapos tombados em Taquari; Continente de São Sepé Tiaraju; Liga Federal de los Bravos de Corrientes y Entre Ríos Este artigo é a seqüência da trilogia a respeito dos quarenta anos do Ato Institucional de Número 5 (AI-5). Sigo no assunto, porque, além de recuperar a memória, forçadamente apagada, também é preciso compreender o porquê da dificuldade de pôr este tema na ordem do dia. Uma possibilidade para isto é a ausência das esquerdas agindo na cruzada pela punição e responsabilização dos autores e mandantes dos crimes de lesa-humanidade. Assim, sem mobilização social, se atribui tudo ao nível jurídico da causa. Gastamos mais tempo interpretando o parágrafo 2º da Lei No. 6683, de 28 de agosto de 1979 (ver na íntegra), conhecida como Lei de Anistia, do que nos mobilizando para sanear o aparelho repressivo. Isto se dá porque, ao contrário dos demais países do Cone Sul, a pauta direitos humanos não é da ordem do dia. E por desgraça, nem o governo de turno capitaliza os louros de pôr ditadores na prisão. É por isso que no Brasil vemos o Conselho Federal da OAB questionar no Supremo a validade da anistia para os torturadores, mas não temos o reflexo disso nas ruas. Esta omissão é ampla, geral e irrestrita. Equivocadamente os operadores políticos da transição rifaram o tema. Todos os governos após a vitória indireta de Tancredo Neves e José Sarney no colégio eleitoral vêm protelando a abertura dos arquivos das Forças Armadas e o esclarecimento de todas as circunstâncias das desaparições forçadas e assassinatos. Lula, FHC, Itamar, Collor e o próprio ex-senador maranhense pela ARENA evitaram mexer no passado recente. Assim, temos no Brasil a responsabilidade histórica da ditadura imputada apenas aos militares. Com esta manobra, se deu um processo de "camaleonização" de lideranças políticas, empresariais, latifundiárias, religiosas, intelectuais, tecnocráticas e midiáticas, além das transnacionais e do serviço diplomático dos EUA. Estes agentes coletivos e seus operadores são tão responsáveis pela ditadura como o mais articulado dos conspiradores. Como sustentáculos do regime de exceção, têm tanta culpa pelos horrores da ditadura como o mais ensandecido e bárbaro torturador da Rua Tutóia, da Invernada de Olaria e de outras dezenas de centros de horror estatal que havia no país. Passadas mais de quatro décadas do golpe de 1º de abril de 1964, é hora de enfrentar a verdade, abrir os arquivos e punir aos culpados. Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat
11/12/2008 10:44 leia mais 
AI-5 quarenta anos depois (1)
Bruno Lima Rocha 4ª. 03 de dezembro de 2008; Vila Setembrina do espelho d’água da Lagoa dos Patos; Continente de São Sepé e Languiru; Liga Federal de los desaparecidos en el Delta del Tigre Neste artigo inicio uma trilogia debatendo os sentidos e efeitos do Ato Institucional de número 5 (AI-5). No próximo dia 13 de dezembro esta famigerada peça jurídica, revogada em 31 de dezembro de 1978, cumpre quatro décadas de sua assinatura. Infelizmente, hoje perdemos a dimensão de seu significado e tiramos a responsabilidade sobre seus autores. Neste texto e nas duas semanas que seguem, tenho a intenção de contribuir para inverter essa memória apagada. O AI-5 foi um ato de governo, dando juridicidade para uma escalada repressiva, apertando o torniquete dentro da ditadura. Alguns analistas o consideram o "golpe dentro do golpe". Particularmente discordo desta tese. A medida foi um recurso de recrudescimento por parte de um regime militar. O texto estipulava no papel a correlação de forças que nas ruas dos grandes centros era disputada quadra a quadra desde a retomada dos protestos populares com a setembrada de 1966. A resposta foi à altura do desafio imposto. A sociedade brasileira mudava e o comportamento dos agentes políticos também. Podemos compreender o golpe de 1º de abril de 1964 como a resultante da conspiração de direita iniciada em 1961, somada na reação às ameaças de distributivismo (materializado nas "reformas de base"); crise institucional (na quebra de hierarquia e cisão das forças armadas e polícias militares); e duplo poder (como nas greves de solidariedade convocadas pelo CGT). Já o AI-5 pode ser lido como a soma das lutas internas no interior da ditadura (com definições ideológicas como a do ministro da Justiça Luís Antônio da Gama e Silva); a expansão da presença dos operadores de inteligência sob comando dos EUA (caracterizado por Dan Mitrione dentre outros agentes); e a medida de governo que materializava o poder discricionário para afirmar o Brasil Potência. Também foi a resposta ao surgimento de uma esquerda com intenção revolucionária, não alinhada com Moscou e sob influência latino-americana. Mas, ressalto que nenhuma análise política posterior e complexa pode "justificar" os crimes de lesa humanidade cometidos. Entendo que o ato da ditadura deve ser analisado como uma ação de governo de exceção no comando de um Estado. Como toda atividade política, a mesma tem autores responsáveis e que por ela devem ser responsabilizados (leia o documento na íntegra). No momento em que o país discute a punição aos autores e mandantes dos crimes hediondos de tortura, cárcere clandestino, estupro e desaparição forçada, a compreensão do AI-5 é atual e necessária. Como já afirmei antes, o povo que não sabe de onde veio, não entende onde está e nem decide para onde vai. Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat.
04/12/2008 08:55 leia mais 
Brasil se rende ao Banco Mundial mais uma vez
Bruno Lima Rocha 4ª 25 de novembro de 2008 - Vila Setembrina dos Farrapos Traídos em Porongos; Continente do Rio Grande de M’bororé; Liga Federal de los Valientes de Artigas A crise do sistema financeiro mundial atingiu o Brasil em cheio. Ao contrário dos opinólogos de plantão, não faço o elogio do acaso e das apostas. A crise acertou o país porque esta nação é governada por banqueiros, literalmente. O homem mais poderoso daqui é funcionário do Bank of America. Seu nome é Henrique Meirelles e tem uma sólida carreira ligada ao BankBoston. É presidente do Banco Central do Brasil (BC) e ganhou status de ministro porque estava sendo acusado por sua fortuna pessoal sem origem. Agora, apenas o Supremo Tribunal Federal (STF), nossa gloriosa Suprema Corte digna de livro de Bob Woodward e Scott Armstrong ("Por detrás da Suprema Corte", Saraiva, 1985) pode julgá-lo. Os fatos são diretos e falam por si só. O Brasil alega para a humanidade haver pagado sua dívida externa. O que devia para o Fundo Monetário Internacional (FMI) foi quitado. O grosso dos credores privados também. Mas, na frieza das LTNs (Letras do Tesouro Nacional) o que ocorreu foi uma troca da dívida externa pelo super-endividamento público como forma de acumulação do capital especulativo. A fusão e concentração bancária é fruto desse gênio do crime. Agora, com a corda no pescoço, com os cinco maiores bancos do país sendo proprietários de 86% das agências e terminais eletrônicos, resta ao governo pagar a conta do fim da liquidez. Desta forma absurda, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai injetar mais R$ 12,5 bi de reais (cerca de US$ 6 bi de Usd) para garantir o fluxo de empréstimos para o "setor produtivo". Assim, ao invés de obrigar a Banca a emprestar, rebaixar a taxa básica de juros (Selic) e impor uma porcentagem da carteira dos bancos privados a ser destinado para o financiamento do capital de giro subsidiado, o Estado vai repassar o boleto de pagamento para todos nós. A origem dos R$ 12,5 bi é igualmente sinistra. R$ 7,5 bi virão com mudanças nos compulsórios bancários. Ou seja, as reservas de depósitos obrigatórios, cada vez mais aliviadas, serão usadas para financiar o salvem-se quem puder. E, este montante sai do Estado, através do governo central, e não onera o caixa da Banca. Além disso, os restantes R$ 5 bi sairão de uma linha de crédito com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BIRD), empresa subsidiária do Grupo Banco Mundial. Ou seja, estamos nos REENDIVIDANDO para pagar a conta da farra das subprimes tupiniquins e nas apostas com o mercado futuro do dólar. Para quem imagina que acabou o pesadelo vindo do "governo de esquerda que manda por direita", a coisa é pior. O empréstimo do BIRD para a União saiu por medida provisória, ou seja, por decreto. Ao invés de decretar a taxação compulsória sobre a Banca, Lula decreta o re-endividamento do país. Tem mais. O Brasil garantiu uma linha especial junto ao Federal Reserve (Fed, Banco Central dos EUA) e ao FMI. A 11ª economia do mundo ganhou este presente como menino bem comportado. Isto foi fruto do bom comportamento em 2002 e em 2008, das operações de swap (troca de moeda) então comandadas pelo gerente de especulação de Soros e então presidente do BC Armínio Fraga e a repetição da roubalheira na forma reversa pelo sempre citado Mr. Meirelles. Hoje podemos trocar até US$ 30 bi (mais de R$69 bi de reais) e pedir um auxílio para o Fundo. Ou seja, o prêmio pelas tenebrosas transações de swap e a obediência aos "fundamentos da economia neoliberal anti-econômica" é deitar nos braços da morte outra vez. Após 13 anos de "austeridade monetarista" descobre-se o óbvio. Fruto das políticas vende-pátria, o país abriu mão de reservas estratégicas - como o minério de ferro privatizado - para tornar-se uma plataforma de exportação de bens primários. Agora os financistas reinventam a roda, financiando com crédito externo a mentalidade criminosa de quem atirou 4/5 da economia produtiva e de mercado aberto operando no Brasil à farra da jogatina de derivativos e mercado futuro. A exuberância irracional tupiniquim termina de modo melancólico tal como um cocainômano da Bolsa de Valores ou o alcoólatra do meio artísitico, viciado em bebida destilada escocesa ou russa. Perdem a família, trabalho, e bens, mas não perdem a pose e a falta de vergonha na cara!
27/11/2008 10:58 leia mais 
Déficit zero e controle do servidor gaúcho
Bruno Lima Rocha 4ª, 26 de novembro de 2008; Vila Setembrina; Continente de São Sepé; Liga Federal Protelado por dois anos, o conflito dos servidores públicos com a governadora Yeda Crusius estourou. No momento as atenções estão sobre a greve dos professores estaduais. O motivo da paralisação, em tese, foi obtido, já que os deputados garantiram não votar o projeto do Piso Salarial Estadual até março. Agora a queda de braço é política (no sentido mais amplo da Política), e trata da punição aos grevistas. A tese do Piratini é simples. Para aplicar a política de déficit zero, precisam controlar a mão de obra. Se liberarem o corte de ponto dos educadores vinculados ao Cpers-Sindicato, todas as demais categorias se sentirão incentivadas a entrar em greve. O Executivo não tem muita escolha. Se ceder, o Decreto 45.959/2008 "não vai pegar". O choque não se resume a uma questão pontual e nem é caso isolado do Rio Grande do Sul. É da natureza das relações de trabalho a luta pelo controle da mão de obra. Todos os níveis de governo no Brasil têm sérios problemas com o funcionalismo. É uma gangorra política. Quanto mais organizados estiverem os servidores, menos o governo de turno mandará na máquina pública. Isto pode significar, dentre outras variáveis, a sindicalização extrema do aparelho estatal ou a defesa corporativa de interesses. Por outro lado, mais peso terá os cargos em comissão (CCs) e as funções gratificadas (FGs). No quesito remuneração, quanto maior for à intervenção do governante, menor será a incorporação das gratificações para o salário real. A disputa é pela alocação de recursos permanentes no orçamento. Se os prêmios não forem incorporados aos salários, aumenta o poder de barganha do Executivo. Aí surgem diferenças conceituais. Alguns defendem esta prática dizendo ser mais responsável. Eu entendo que esta política é a precarização do trabalho aplicada no serviço público. Voltando ao Rio Grande, a luta pela máquina pública implica em destinação de recursos. O modelo do déficit zero tem de ser aplicado com mão pesada e prioridade nas ações do Estado como indutor e fiador do agente econômico. O plano de investimentos para 2009 reflete essa vontade política. O Tesouro vai investir R$ 1 bi e 250 milhões livres, equivalente a 7% da receita. Desse total, a maior beneficiada é a Secretaria da Infra-Estrutura, que vai receber (em milhões) R$ 411.557.154,00 a Segurança R$ 186.753.312,00 a Educação R$ 99.996.078,00 a Saúde R$ 74.881.290,00. Os números e a atitude do governo falam por si. Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat
27/11/2008 10:56 leia mais  |
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