Estratégia e Análise
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Da contra-informação ao pensamento único neoliberal: conceitos de crítica à indústria da mídia

O trabalho (1) tem como objetivo apontar conceitos operacionais para a crítica da indústria midiática, fazendo uma aproximação entre duas áreas de análise politicamente opostas, embora com epistemes semelhantes. Trata-se do diálogo entre o conceito de fabricação do consenso tolerável pelas regras hegemônicas, tendo como base as idéias pensáveis de Noam Chomsky, e a análise estratégica em sentido pleno. Para trabalhar estratégia, parte-se dos conceitos de um operador militar clássico, o general Golbery do Couto e Silva, dentro de seu modelo de análise com níveis de incidência e subordinação do método ao objetivo finalista, onde as indústrias culturais enquadram-se no nível psicossocial de atuação. Tal paradigma terá presença ao longo do artigo. Destacam-se alguns conceitos básicos para discutir a crítica à mídia hegemônica, partindo da caracterização do nível e seus macroambientes de operação.

crítica da mídia - fabricação do consenso - análise estratégica - níveis de análise - incidência - inteligência - contra-informação
26/01/2008 11:44
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Controle E Disputa Pela Democracia Na Comunicação Social

Este artigo analisa o estado atual da mídia brasileira em relação à influência das empresas que constituem os meios de Comunicação no Brasil e a participação dos movimentos pela democratização do setor, buscando contribuir para o debate teórico e de perspectivas para uma melhor atuação por parte dos ativistas de comunicação comunitária, assim como do conjunto do movimento popular. Parte de uma pesquisa bibliográfica e documental, além da análise de dados recentes sobre o setor, que busca evidenciar a importância da constituição de políticas públicas democráticas para o favorecimento do empoderamento popular em nosso país.

Políticas de Comunicação; Democratização da Comunicação; Mídia Brasileira; Empoderamento Popular; Radiodifusão Comunitária.
16/01/2008 13:17
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Ricardo Palma

Ricardo Palma Enfrentou muitas lutas, não apenas por sua própria sobrevivência, como pela preservação da cultura de sua pátria. Com suas lutas acabou definiu seu estilo, a prosa e o testemunho, relatos verídicos mesclando co um pouco de fantasia, elemento sempre presente na memória daquele povo. Ele acreditava que a oralidade de seu povo era a principal intérprete de sua história, e ele estava certo. Era um grande tradicionalista. Um trecho de sua obra:

 

"(...) Concluía el año de 1550, y era alcalde de la villa (Villa Imperial de Potosí) el licenciado don Diego de Esquivel, hombre atrabiliario y codicioso, de quien cuenta la fama que era capaz de poner en subasta la justicia, a trueque de barras de plata.

Su señoría era también guloso de la fruta del paraíso, y en la imperial villa se murmuraba mucho acerca de sus prapisondas mujeriegas. Como no se había puesto nunca en el trance de quel el cura de la parroquia le leyese la famosa epístola de San Pablo, don Diego de Esquivel hacía gala de pertenecer al gremio de los solterones, que tengo para mi constituyen, si no una plaga social, una amenaza contra la propiedad del prójimo. Hay quien afirma que los comunistas y los solterones son bípedos que se asimilan."

"Las Orejas del Alcalde - Crónica de la época del segundo virrey del Perú", publicada pela primeira vez em 1873, no El Coreo del Perú.

Ricardo Palma, biografia, Peru
05/05/2008 11:53
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Victoriano Lorenzo

O líder indígena, involucrado na Guerra Civil entre os partidos Liberal e Conservador, é mais um caso clássico de vontade popular manipulada por interesses oligárquicos. É a prova viva do exemplo de que massas em disponibilidade, identidade popular e ancstral, mesclada com a defesa da posse e do uso da terra natal, formam uma combustão popular quase incontrolável.

Victoriano é um personagem histórico, material, sua carne queimada no fuzilamento de um traidor da oligarquia, portanto, fiel ao povo, é digno de livro de Gabriel García Márquez. Seu Panamá e sua província de Chiriquí, o orgulho cholo, é tão presente no istmo da porta do mundo como em uma zamba cantando "cholita santiagueña, cholita salteña".

A sabedoria política dos cholos surge da necessidade de protagonismo popular e programa político compatível com as identidades e culturas ancestrais e mestiças; com a carga de informações que exigem a formação de conceitos diretos, formando o arcabouço teórico-metodológico geradores de ideologia de câmbio a partir do distributivismo com os dois pés fincados no campo nacional-popular.

Victoriano Lorenzo é parte da história nossa, desconhecida de nós mesmos; é o outro lado da política do Porrete Grande - Palo Largo - Big Stick; é a versão centro e latino-americana do lado B do protetorado do Império a partir de Miami e da famigerada Escola Panamá (extinta). O orgulho chiriqueño passa pela carne dos cholos de Victoriano.

Palavras-chave: Panamá - guerra civil colombiana (Liberal-Conservador) - cholos - chiriquí - criação do istmo

Panamá - guerra civil colombiana (Liberal-Conservador) - cholos - chiriquí - criação do istmo
17/03/2008 09:46
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Embora o martírio seja uma constante entre os agentes de pastorais brasileiros, a intensidade da resposta é muito distante da ação popular promovida nos países andinos e centroamericanos
Reflexões sobre a visita do Papa
Brasil

3ª, 15 de maio de 2007, Vila Setembrina dos Farrapos, Continente de São Sepé

A passagem do teólogo alemão Joseph Ratzinger, proclamado Papa Bento XVI, nos obriga a algumas reflexões. Múltiplos significados saem da visita do herdeiro de Pedro. Uma delas, sobre a qual gostaria de me debruçar, diz respeito à luta na interna da Igreja Católica na América Latina. Atacada pelo aumento dos adeptos das igrejas neopentecostais, termina voltando-se para dentro, isolando a posição da Teologia da Libertação e lavando seu discurso. De passo, se defronta contra a laicidade do Estado, ou ao menos, a pretensão de termos uma regulação social que vai além da divisão entre credos.


O cardeal conselheiro teológico de João Paulo II foi seu fiel escudeiro, mentor da profusão de beatificações sem fim. Karol Wojtyla, incansável peregrino de sua Igreja, viajou o mundo e beatificou mais santos do que qualquer outro papa antecessor a ele. Ao invés de atualizar seu discurso, o manteve conservador, modernizando seus meios de propagação e difusão. Ratzinger está indo no mesmo caminho.

No que diz respeito à América Latina, a meta da visita papal teve como alvo o eterno problema da Teologia da Libertação. Iniciada formalmente com a Conferência de Medellín, Colômbia (1968), ratificada na Conferência de Puebla, México (1979), a mesma é a fonte de novos e fiéis adeptos e ao mesmo tempo a fonte perene de problemas para Roma. O trabalho de raiz da Igreja na Teologia, em torno de apenas 4% de religiosos ainda engajados na luta social, mesmo minoritário, constrange os reguladores do direito canônico do Vaticano.

Na vinda ao Brasil, o Papa atual voltou suas baterias para a disputa direta com os neopentecostais. Afirmando a visão de que a Igreja deve ser uma balizadora da vida moral e espiritual, entra em rota de colisão simultaneamente com duas posturas e formas de estar no mundo. Uma delas é a própria existência de religiões novas, midiáticas ao extremo, trabalhando com a transcendência, a presença do Espírito Santo, chegando, na maioria das vezes ao limite da imaterialidade. Da parte dos católicos, a marca do retorno à presença de ritos novos, da Renovação Carismática, trazendo conforto espiritual, certeza moral e quase nenhum incômodo às autoridades constituídas.

Como em todo cenário complexo da política, mesmo a política eclesial é marcada por rodadas simultâneas de mudanças de posições. Vejamos uma seqüência simplificada. O antecessor João Paulo II, auxiliado por Ratzinger, combatera de todas as formas possíveis a chamada Teologia da Libertação. Seu projeto político mais contundente era o regime sandinista na Nicarágua. Não por acaso o cardeal de Manágua era adepto do regime de Somoza. Em 1983, na visita do Papa polonês ao país de Augusto César Sandino e Carlos Fonseca Amador, deu-se a ruptura simbólica e formal. Ao mesmo tempo, o outro projeto político umbilicalmente ligado às pastorais sociais era o crescimento das lutas populares no Brasil e sua canalização através do Partido dos Trabalhadores.

Em termos de referências, o Brasil jamais produziu contundentes religiosos como o dominicano Jorge Camilo Torres Restrepo. Natural de Bogotá, Colômbia, o filho do patriciado local abriu mão das campanhas pacificas e terminou no martírio da guerrilha. Lembro que, quando ainda estava na graduação, como pesquisador bolsista do Cnpq, realizava entrevistas com padres vinculados à Teologia da Libertação e a simples evocação do nome do padre colombiano causava constrangimento. Em linhas gerais, podemos afirmar que as opções de Dom Hélder Câmara foram na ponta distinta do mesmo campo de Camilo Torres. Próximo do meio termo estava Dom Paulo Evaristo Arns.

O martírio não é exclusividade de religiosos atuando na América de fala castelhana, que o digam o Padre Josimo Morais e mais recentemente a irmã Dorothy Stang. Mas, que a atuação da Teologia da Libertação aqui não teve o mesmo efeito que nos países andinos e centro-americanos, isso é inegável. Por mais dedicado que seja o clero progressista brasileiro é mais acanhado e cauteloso que os pares do Continente.

Pressionado por Roma, a ala à esquerda da Igreja Católica brasileira lava seu discurso e aponta para metas mais genéricas. Por sua vez, o rito carismático e seus aliados conservadores, retomam uma postura medieval, disputando com os neopentecostais em seu mesmo terreno. Buscando legitimidade em seu passado não muito distante, Bento XVI prega a divisão entre o reino dos céus e o da Terra. De quebra, deseja a volta da missa em latim.

Falando em raízes, a história se confunde com a memória histórica e a narrativa política. Não resisto a uma leve ironia. Se fosse para voltar "às mais profundas raízes", com certeza o rito deveria ser no aramaico da Palestina antiga e não no latim do Império Romano. Mais de 2.000 anos depois, ainda segue o choque entre as catacumbas e as pilastras de mármore.

Artigo originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat

por Bruno Lima Rocha
16/05/2007 11:43


Lista de Artigos:

A tensa relação dos movimentos populares com Yeda
por Bruno Lima Rocha
12/12/2008 10:54

A ilusão do déficit zero no orçamento dos gaúchos
por Bruno Lima Rocha e Lisandra Arezi
12/12/2008 10:53

O jeito privado de governar o bem público: auto-aumento de salário e outras barbeiragens
por Por Bruno Lima Rocha e Lisandra Arezi
12/12/2008 10:52

Canoas e a arma da devassa contábil
por Por Bruno Lima Rocha, Felipe Fonseca e Lisandra Arezi
09/12/2008 09:11

A greve do CPERS e a opção chilena de Yeda Crusius e Mariza Abreu
por Por Bruno Lima Rocha e Felipe Fonseca
27/11/2008 10:32

A verdade ser esclarecida. Cancelas, empreiteiras e a prorrogação do vício de origem.
por Bruno Lima Rocha e Lisandra Arezi
27/11/2008 10:12

A LIC sob suspeita de fraude e todo o mecanismo de evasão fiscal sob suspeita de falta de legitimidade.
por Bruno Lima Rocha e Lisandra Arezi
12/11/2008 10:29

O despreparo dos candidatos a vereador
por Bruno Lima Rocha
28/10/2008 13:05

La economía está herida
por Antonio Rivera, desde Vitoria, País Vasco
10/10/2008 12:18

Uma campanha municipal de interesse público (Coluna da Revista Voto, set. 2008)
por Bruno Lima Rocha
02/10/2008 09:08

Bolívia: A Guerra do Gás Continua
por Carlos Walter Porto-Gonçalves* & Marcelo Câmara**
15/09/2008 23:29

Os movimentos populares e a crise política no Rio Grande
por Bruno Lima Rocha
24/07/2008 17:45

Entrevista com o economista José Carlos de Assis, presidente do Instituto Desemprego Zero, a respeito das operações de SWAP
por Bruno Lima Rocha entrevista José Carlos de Assis
09/07/2008 15:49

A REPRESENTAÇÃO CONTRA O EMPRÉSTIMO DO RIO GRANDE JUNTO AO BANCO MUNDIAL
por Bruno Lima Rocha entrevista João Pedro Casarotto
08/07/2008 00:24

Porque é importante a formação sindical?
por Bruno Lima Rocha
02/07/2008 09:24

Soya, la reina del Sur (2)
por Bruno Lima Rocha
28/06/2008 00:02

El agronegocio en Sudamérica
por Bruno Lima Rocha
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A desconfiança política e a crise na Província
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Outra Política: a produção audiovisual no município - 2
por Bruno Lima Rocha
10/05/2008 10:50

A casa da governadora e a guerra midiática
por Bruno Lima Rocha
08/05/2008 10:28

O sindicato dos professores e o tecido social
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A queda política do secretário "técnico"
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Clientelismo de baixa intensidade
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Outra Política: a produção audiovisual no município - 1
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23/04/2008 17:40

Municípios, improbidade e pacto federativo
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Outra Política: propostas e análise para a vida nos municípios
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22/04/2008 16:19

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11/04/2008 09:53

No país do 1º de abril e dos eufemismos
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03/04/2008 09:03

O vazio cultural dos brasileiros
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O vôo da memória
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O assassinato de Jango na memória
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Soja, a rainha do Sul - 1
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22/01/2008 16:59

As centrais sindicais e o lado direito do varguismo
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O custo das medidas compensatórias
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11/01/2008 16:58

A memória ardente da Operação Condor
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08/01/2008 09:19

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A governadora e as elites
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Significados do 20 de novembro
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Onde está a oposição social no Rio Grande do Sul?
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Dívida estadual e dependência
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O custo da governabilidade para a vida real
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18/10/2007 23:35

A democracia gerencial gaúcha
por Bruno Lima Rocha
04/10/2007 18:54

A herança gaúcha
por Bruno Lima Rocha
01/10/2007 17:07

O regimento antidemocrático salvou Renan
por Bruno Lima Rocha
14/09/2007 19:42

O "ataque a democracia" e os limites do protesto social
por Bruno Lima Rocha
14/09/2007 19:30

O absurdo no orçamento dos poderes
por Bruno Lima Rocha
08/09/2007 21:02

O mensalão e a origem da crise das esquerdas
por Bruno Lima Rocha
30/08/2007 09:24

O "ataque a democracia" no Rio Grande
por Bruno Lima Rocha
27/08/2007 17:11

O lucro recorde do banco público estadual
por Bruno Lima Rocha
16/08/2007 15:21

O dilema do Banrisul
por Bruno Lima Rocha
09/08/2007 17:08

A contrapauta da eleição sindical dos jornalistas
por Bruno Lima Rocha
09/08/2007 16:55

O Pan acabou. E agora?
por Bruno Lima Rocha
02/08/2007 11:17

A tragédia da ausência de autoridade
por Bruno Lima Rocha
26/07/2007 11:27

O esporte olímpico como política de Estado
por Bruno Lima Rocha
20/07/2007 14:35

A imagem abalada do Parlamento gaúcho
por Bruno Lima Rocha
13/07/2007 17:22

As cotas na UFRGS, entre Maria Antonieta e a causa imperdível
por Bruno Lima Rocha
13/07/2007 17:20

Algumas lições do caso Renan
por Bruno Lima Rocha
05/07/2007 12:16

A necessidade de mecanismos de controle sobre os políticos
por Bruno Lima Rocha
05/07/2007 12:01

As cotas raciais e sociais na UFRGS
por Bruno Lima Rocha
27/06/2007 11:37

La formación de la lucha por la democracia en la comunicación brasileña
por Bruno Lima Rocha
25/06/2007 09:44

O porto da capital gaúcha
por Bruno Lima Rocha
20/06/2007 18:10

O choque de lealdades
por Bruno Lima Rocha
20/06/2007 17:58

Revitalizando o direito a cidade
por Bruno Lima Rocha
13/06/2007 18:16

A luta pelo controle do Centro de Porto Alegre
por Bruno Lima Rocha
13/06/2007 18:05

Hemorragia infinita
por Bruno Lima Rocha
01/06/2007 15:56

Significados de um 1º de maio
por Bruno Lima Rocha
01/06/2007 15:35

Navalha na própria carne
por Bruno Lima Rocha
24/05/2007 09:23

Reflexões sobre a visita do Papa
por Bruno Lima Rocha
16/05/2007 11:43

Encruzilhada de eucalipto
por Bruno Lima Rocha
09/05/2007 15:22

A esquerda contra o governo de "esquerda"
por Bruno Lima Rocha
03/05/2007 23:01

Deu a louca no vice
por Bruno Lima Rocha
02/05/2007 11:53

A mídia eletrônica na política do Rio Grande
por Bruno Lima Rocha
29/04/2007 22:49

Como cai um secretário de segurança na Província
por Bruno Lima Rocha
21/04/2007 22:24

Os controladores estão na ponta do problema
por Bruno Lima Rocha
21/04/2007 22:08

No país do 1º de abril
por Bruno Lima Rocha
09/04/2007 19:33

O brete da esquerda sindical brasileira
por Bruno Lima Rocha
04/04/2007 18:58

O início do fim da política gaúcha
por Bruno Lima Rocha
04/04/2007 18:53

A peleia do chip gaúcho contra a política do subdesenvolvimento
por Bruno Lima Rocha
28/03/2007 21:47

A crise da política e a esquerda brasileira em crise - 1
por Bruno Lima Rocha
21/03/2007 21:11

Depois de Bush
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15/03/2007 14:27

Revendo o 8 de março
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08/03/2007 18:30

Concentrar menos e socializar mais
por entrevista concedida a João Anschau
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O silêncio que antecede o badalo
por Bruno Lima Rocha
01/03/2007 00:11

A crise na segurança pública é estrutural
por Bruno Lima Rocha
28/02/2007 23:49

O Carnaval das milícias
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2007 e as aberrações políticas
por Bruno Lima Rocha
21/02/2007 20:36

As Milícias e a falência da segurança pública
por Bruno Lima Rocha
14/02/2007 21:43

A desconfiança política começa na província
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08/02/2007 10:24

A saúde e os albergueiros
por Bruno Lima Rocha
05/02/2007 16:45

A encruzilhada da integração latino-americana
por Bruno Lima Rocha
24/01/2007 17:19

Desvendando conceitos da política - causa e conseqüência
por Bruno Lima Rocha
18/01/2007 11:28

O vice-governador está na oposição
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17/01/2007 11:52

A "estratégia" do Rio Grande endividado
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12/01/2007 12:09

A 1ª derrota de Yeda
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03/01/2007 08:22

Reforma política e soberania popular
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27/12/2006 10:12

Aumento dos congressistas e legitimidade
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20/12/2006 09:49

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15/12/2006 12:50

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Governabilidade e outros temas
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Desvendando conceitos da política - referência e gravitação
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01/12/2006 11:56

Moratória ou falência no Rio Grande do Sul
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Oaxaca e a outra institucionalidade
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Conservadorismo e identificação popular
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A vitória de Yeda e o choque de interesses
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Pesquisas eleitorais e o posicionamento de aliados
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Duplo discurso e reboquismo
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O debate presidencial e a compreensão popular
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Desvendando conceitos da política (1) - o sistema de espólio e as regras informais
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13/10/2006 09:41

Olívio e os dilemas da esquerda gaúcha
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05/10/2006 16:56

Yeda e o discurso de modernização do Rio Grande
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03/10/2006 09:40

De dossiês e folhetins
por Bruno Lima Rocha
28/09/2006 12:18

A outra identidade da história política Farrapa
por Bruno Lima Rocha
28/09/2006 12:10

A reforma política estrutural
por Bruno Lima Rocha
13/09/2006 14:42

Cantinflas e Oscarito no palanque eletrônico
por Bruno Lima Rocha
13/09/2006 13:29

A economia real não faz parte da campanha
por Bruno Lima Rocha
05/09/2006 17:49

Uma campanha ausente de informação estratégica
por Bruno Lima Rocha
02/09/2006 00:02

A política dos discursos
por Bruno Lima Rocha
18/08/2006 01:47

Entre a urna e a Justiça, haverá intervenção em Rondônia?
por Bruno Lima Rocha
12/08/2006 01:00

O Capital Social como alternativa para o desenvolvimento do Rio Grande
por Bruno Lima Rocha
08/08/2006 23:12

Novas palavras e velhas soluções dos oligopólios gaúchos
por Bruno Lima Rocha
31/07/2006 11:41

Pacto de governabilidade e dívida social
por Bruno Lima Rocha
27/07/2006 16:38

A política como teatro de representações de interesses
por Bruno Lima Rocha
13/07/2006 16:12

Três confusões e vários equívocos da esquerda brasileira
por Bruno Lima Rocha
06/07/2006 17:40

O esporte de base e a omissão do Estado
por Bruno Lima Rocha
29/06/2006 19:55

O Futebol na base do tecido social brasileiro
por Bruno Lima Rocha
21/06/2006 12:12

Futebol e Política
por Bruno Lima Rocha
18/06/2006 22:21

Democracia ritual e desmobilização popular
por Bruno Lima Rocha
08/06/2006 12:35

WO eleitoral e letargia política
por Bruno Lima Rocha
04/06/2006 12:12

A babel policial brasileira
por Bruno Lima Rocha
03/06/2006 14:36

O PCC e o mundo dos absurdos
por Bruno Lima Rocha
17/05/2006 11:47

Controle e Democracia na comunicação - 3
por Bruno Lima Rocha
15/05/2006 12:07

Controle e Democracia na Comunicação - 2
por Bruno Lima Rocha
05/05/2006 16:36

Controle e democracia na comunicação - 1
por Bruno Lima Rocha
04/05/2006 16:56

O Caseirogate é a ponta do iceberg
por Bruno Lima Rocha
19/04/2006 11:31

Que classe de políticos é esta?
por Bruno Lima Rocha
12/04/2006 15:25

O poder ou o governo
por Bruno Lima Rocha
05/04/2006 10:55

O ministro, o caseiro e o Processo Político.
por Bruno Lima Rocha
29/03/2006 15:34

As prévias dignas de um roteiro de cinema político.
por Bruno Lima Rocha
23/03/2006 10:07

Alckmin, o tucano palatável
por Bruno Lima Rocha
15/03/2006 11:17

As quatro frentes do PMDB
por Bruno Lima Rocha
08/03/2006 10:53

250 anos de Sepé Tiaraju
por Bruno Lima Rocha
03/03/2006 15:19

O pedágio e o entreguismo
por Bruno Lima Rocha
24/02/2006 14:25

Rigotto e a sociedade real
por Bruno Lima Rocha
16/02/2006 14:06

Uma campanha agressiva e pouco programática
por Bruno Lima Rocha
13/02/2006 12:48

O "legado" de Lula
por Bruno Lima Rocha
08/02/2006 12:15

A salada suprapartidária
por Bruno Lima Rocha
01/02/2006 11:07

Verticalização e coerência política
por Bruno Lima Rocha
25/01/2006 20:58

Participação política e voto opcional - 3
por Bruno Lima Rocha
19/01/2006 20:36

Participação política e voto opcional - 2
por Bruno Lima Rocha
12/01/2006 01:18

Participação política e voto opcional - 1
por Bruno Lima Rocha
05/01/2006 15:22

Democracia de Soma Zero
por Bruno Lima Rocha
28/12/2005 23:34

As "fórmulas" democráticas
por Bruno Lima Rocha
22/12/2005 16:10

Chávez no lugar de Lula
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22/12/2005 15:28

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11/12/2005 17:47

A tragédia de Dirceu
por Bruno Lima Rocha
04/12/2005 12:04

A crise do Valerioduto gaúcho
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Palocci e o governo de fato
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20/11/2005 11:12

Governo ou desgoverno ?
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Espionagem e Política, a tragédia sistemática
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CPI do Banestado, quando Lula perdeu sua melhor chance
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20/10/2005 11:47

Entrevista: Ex-controller da Globo revela o esquema
por colaborador do CMI, assina como Marinho
20/10/2005 11:45

A candidata do Campo Majoritário
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A votação mais cara do mundo
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Roberto Macunaíma Jefferson
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170 anos da Revolução Farroupilha
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Sutileza e Jogo Real
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06/10/2005 10:40

Xadrez de Bombacha - 3
por Bruno Lima Rocha
06/10/2005 10:39

Xadrez de Bombacha - 2
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06/10/2005 10:39

Xadrez de bombacha - 1
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06/10/2005 10:38

Tarso e o Resto
por Bruno Lima Rocha
06/10/2005 10:34

O silêncio do senador Zambiasi
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Não existe ex-agente
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10/09/2005 16:49

O dilema da esquerda mais à esquerda do PT
por Bruno Lima Rocha
10/09/2005 16:48

Argentina, dezembro de 2001, ensaios e possibilidades
por Fábio Lopez Lopez e Bruno Lima Rocha
10/09/2005 16:47






O AI-5 quarenta anos depois (3)

Bruno Lima Rocha

4ª 17 de dezembro de 2008; Vila Setembrina; Continente de São Sepé; Liga Federal

Encerro aqui a trilogia a respeito do Ato Institucional No. 5, datado de 13 de dezembro de 1968. Neste texto o tema é delicado, mas precisa ser abordado. Além da camaleonização dos operadores políticos que apoiaram o regime de força e há mais de duas décadas posam como democratas, existe o problema da falsificação da história.

Explico. Na Argentina, durante os anos ’80, surge a "Teoria dos dois demônios". Trata-se de uma justificativa para a não-punição dos torturadores. O argumento é falso, mas de fácil reprodução e se espalhou pelo Cone Sul. Coloca na mesma posição aos militares golpistas e os membros da resistência armada à ditadura. Ambos seriam "os demônios" contra a democracia. O nome, inspirado no romance do escritor russo Dostoiévski (1821-1881), já é uma posição política.

Vejo isso como um absurdo. Primeiro, porque o golpe começou quando o vice-presidente eleito, João Goulart, não pôde assumir com plenos poderes. Em setembro de 1961, mudaram a forma de governo, instaurando o parlamentarismo sem consultar aos brasileiros. Segundo, a guerra interna tampouco justifica a barbárie. Até a guerra tem regras e são previstas na Convenção de Genebra. E, todo o método aplicado no combate a guerrilha era baseado em crime de lesa humanidade. Terceiro, argumentam que não se pode usar a violência contra um regime de exceção. Então, por esta lógica, deveríamos condenar a Resistência Francesa, que combateu tanto a ocupação nazista como o governo fantoche de Vichy. Aliás, pensando assim, até a Revolução Francesa e as independências das colônias americanas devem ser condenadas. Quarto, a afirmação que não se pode julgar o passado político e que isso gera um clima de revanchismo. Por esta mesma lógica, devemos condenar o Tribunal de Nuremberg e a punição aos genocidas. Quinto, afirmam que os ex-guerrilheiros se tornaram parte da classe política brasileira e incorrem hoje nos mesmos erros. Embora isto seja a verdade para a maioria, não é para a totalidade. E, ainda assim não justifica. Seria o mesmo que dizer que os israelenses não podem condenar o nazismo por formarem parte de um Estado opressor contra os palestinos.

Passadas quatro décadas e oito em cada dez brasileiros não sabem o que é o AI-5. O Brasil insiste em apagar a memória, ocultar a verdade e impedir a Justiça. É hora de mudar este quadro.

Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat



18/12/2008 08:07
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AI-5 quarenta anos depois (2)

Bruno Lima Rocha

4ª, 10 de dezembro de 2008, Vila Setembrina dos Farrapos tombados em Taquari; Continente de São Sepé Tiaraju; Liga Federal de los Bravos de Corrientes y Entre Ríos

Este artigo é a seqüência da trilogia a respeito dos quarenta anos do Ato Institucional de Número 5 (AI-5). Sigo no assunto, porque, além de recuperar a memória, forçadamente apagada, também é preciso compreender o porquê da dificuldade de pôr este tema na ordem do dia. Uma possibilidade para isto é a ausência das esquerdas agindo na cruzada pela punição e responsabilização dos autores e mandantes dos crimes de lesa-humanidade.

Assim, sem mobilização social, se atribui tudo ao nível jurídico da causa. Gastamos mais tempo interpretando o parágrafo 2º da Lei No. 6683, de 28 de agosto de 1979 (ver na íntegra), conhecida como Lei de Anistia, do que nos mobilizando para sanear o aparelho repressivo. Isto se dá porque, ao contrário dos demais países do Cone Sul, a pauta direitos humanos não é da ordem do dia. E por desgraça, nem o governo de turno capitaliza os louros de pôr ditadores na prisão. É por isso que no Brasil vemos o Conselho Federal da OAB questionar no Supremo a validade da anistia para os torturadores, mas não temos o reflexo disso nas ruas.

Esta omissão é ampla, geral e irrestrita. Equivocadamente os operadores políticos da transição rifaram o tema. Todos os governos após a vitória indireta de Tancredo Neves e José Sarney no colégio eleitoral vêm protelando a abertura dos arquivos das Forças Armadas e o esclarecimento de todas as circunstâncias das desaparições forçadas e assassinatos. Lula, FHC, Itamar, Collor e o próprio ex-senador maranhense pela ARENA evitaram mexer no passado recente. Assim, temos no Brasil a responsabilidade histórica da ditadura imputada apenas aos militares. Com esta manobra, se deu um processo de "camaleonização" de lideranças políticas, empresariais, latifundiárias, religiosas, intelectuais, tecnocráticas e midiáticas, além das transnacionais e do serviço diplomático dos EUA. Estes agentes coletivos e seus operadores são tão responsáveis pela ditadura como o mais articulado dos conspiradores. Como sustentáculos do regime de exceção, têm tanta culpa pelos horrores da ditadura como o mais ensandecido e bárbaro torturador da Rua Tutóia, da Invernada de Olaria e de outras dezenas de centros de horror estatal que havia no país.

Passadas mais de quatro décadas do golpe de 1º de abril de 1964, é hora de enfrentar a verdade, abrir os arquivos e punir aos culpados.

Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat



11/12/2008 10:44
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AI-5 quarenta anos depois (1)

Bruno Lima Rocha

4ª. 03 de dezembro de 2008; Vila Setembrina do espelho d’água da Lagoa dos Patos; Continente de São Sepé e Languiru; Liga Federal de los desaparecidos en el Delta del Tigre

Neste artigo inicio uma trilogia debatendo os sentidos e efeitos do Ato Institucional de número 5 (AI-5). No próximo dia 13 de dezembro esta famigerada peça jurídica, revogada em 31 de dezembro de 1978, cumpre quatro décadas de sua assinatura. Infelizmente, hoje perdemos a dimensão de seu significado e tiramos a responsabilidade sobre seus autores. Neste texto e nas duas semanas que seguem, tenho a intenção de contribuir para inverter essa memória apagada.

O AI-5 foi um ato de governo, dando juridicidade para uma escalada repressiva, apertando o torniquete dentro da ditadura. Alguns analistas o consideram o "golpe dentro do golpe". Particularmente discordo desta tese. A medida foi um recurso de recrudescimento por parte de um regime militar. O texto estipulava no papel a correlação de forças que nas ruas dos grandes centros era disputada quadra a quadra desde a retomada dos protestos populares com a setembrada de 1966. A resposta foi à altura do desafio imposto. A sociedade brasileira mudava e o comportamento dos agentes políticos também.

Podemos compreender o golpe de 1º de abril de 1964 como a resultante da conspiração de direita iniciada em 1961, somada na reação às ameaças de distributivismo (materializado nas "reformas de base"); crise institucional (na quebra de hierarquia e cisão das forças armadas e polícias militares); e duplo poder (como nas greves de solidariedade convocadas pelo CGT). Já o AI-5 pode ser lido como a soma das lutas internas no interior da ditadura (com definições ideológicas como a do ministro da Justiça Luís Antônio da Gama e Silva); a expansão da presença dos operadores de inteligência sob comando dos EUA (caracterizado por Dan Mitrione dentre outros agentes); e a medida de governo que materializava o poder discricionário para afirmar o Brasil Potência. Também foi a resposta ao surgimento de uma esquerda com intenção revolucionária, não alinhada com Moscou e sob influência latino-americana. Mas, ressalto que nenhuma análise política posterior e complexa pode "justificar" os crimes de lesa humanidade cometidos.

Entendo que o ato da ditadura deve ser analisado como uma ação de governo de exceção no comando de um Estado. Como toda atividade política, a mesma tem autores responsáveis e que por ela devem ser responsabilizados (leia o documento na íntegra). No momento em que o país discute a punição aos autores e mandantes dos crimes hediondos de tortura, cárcere clandestino, estupro e desaparição forçada, a compreensão do AI-5 é atual e necessária. Como já afirmei antes, o povo que não sabe de onde veio, não entende onde está e nem decide para onde vai.

Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat.



04/12/2008 08:55
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Brasil se rende ao Banco Mundial mais uma vez

Bruno Lima Rocha

4ª 25 de novembro de 2008 - Vila Setembrina dos Farrapos Traídos em Porongos; Continente do Rio Grande de M’bororé; Liga Federal de los Valientes de Artigas

A crise do sistema financeiro mundial atingiu o Brasil em cheio. Ao contrário dos opinólogos de plantão, não faço o elogio do acaso e das apostas. A crise acertou o país porque esta nação é governada por banqueiros, literalmente. O homem mais poderoso daqui é funcionário do Bank of America. Seu nome é Henrique Meirelles e tem uma sólida carreira ligada ao BankBoston. É presidente do Banco Central do Brasil (BC) e ganhou status de ministro porque estava sendo acusado por sua fortuna pessoal sem origem. Agora, apenas o Supremo Tribunal Federal (STF), nossa gloriosa Suprema Corte digna de livro de Bob Woodward e Scott Armstrong ("Por detrás da Suprema Corte", Saraiva, 1985) pode julgá-lo.

Os fatos são diretos e falam por si só. O Brasil alega para a humanidade haver pagado sua dívida externa. O que devia para o Fundo Monetário Internacional (FMI) foi quitado. O grosso dos credores privados também. Mas, na frieza das LTNs (Letras do Tesouro Nacional) o que ocorreu foi uma troca da dívida externa pelo super-endividamento público como forma de acumulação do capital especulativo. A fusão e concentração bancária é fruto desse gênio do crime. Agora, com a corda no pescoço, com os cinco maiores bancos do país sendo proprietários de 86% das agências e terminais eletrônicos, resta ao governo pagar a conta do fim da liquidez.

Desta forma absurda, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai injetar mais R$ 12,5 bi de reais (cerca de US$ 6 bi de Usd) para garantir o fluxo de empréstimos para o "setor produtivo". Assim, ao invés de obrigar a Banca a emprestar, rebaixar a taxa básica de juros (Selic) e impor uma porcentagem da carteira dos bancos privados a ser destinado para o financiamento do capital de giro subsidiado, o Estado vai repassar o boleto de pagamento para todos nós. A origem dos R$ 12,5 bi é igualmente sinistra. R$ 7,5 bi virão com mudanças nos compulsórios bancários. Ou seja, as reservas de depósitos obrigatórios, cada vez mais aliviadas, serão usadas para financiar o salvem-se quem puder. E, este montante sai do Estado, através do governo central, e não onera o caixa da Banca. Além disso, os restantes R$ 5 bi sairão de uma linha de crédito com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BIRD), empresa subsidiária do Grupo Banco Mundial. Ou seja, estamos nos REENDIVIDANDO para pagar a conta da farra das subprimes tupiniquins e nas apostas com o mercado futuro do dólar.

Para quem imagina que acabou o pesadelo vindo do "governo de esquerda que manda por direita", a coisa é pior. O empréstimo do BIRD para a União saiu por medida provisória, ou seja, por decreto. Ao invés de decretar a taxação compulsória sobre a Banca, Lula decreta o re-endividamento do país. Tem mais. O Brasil garantiu uma linha especial junto ao Federal Reserve (Fed, Banco Central dos EUA) e ao FMI. A 11ª economia do mundo ganhou este presente como menino bem comportado. Isto foi fruto do bom comportamento em 2002 e em 2008, das operações de swap (troca de moeda) então comandadas pelo gerente de especulação de Soros e então presidente do BC Armínio Fraga e a repetição da roubalheira na forma reversa pelo sempre citado Mr. Meirelles. Hoje podemos trocar até US$ 30 bi (mais de R$69 bi de reais) e pedir um auxílio para o Fundo. Ou seja, o prêmio pelas tenebrosas transações de swap e a obediência aos "fundamentos da economia neoliberal anti-econômica" é deitar nos braços da morte outra vez.

Após 13 anos de "austeridade monetarista" descobre-se o óbvio. Fruto das políticas vende-pátria, o país abriu mão de reservas estratégicas - como o minério de ferro privatizado - para tornar-se uma plataforma de exportação de bens primários. Agora os financistas reinventam a roda, financiando com crédito externo a mentalidade criminosa de quem atirou 4/5 da economia produtiva e de mercado aberto operando no Brasil à farra da jogatina de derivativos e mercado futuro. A exuberância irracional tupiniquim termina de modo melancólico tal como um cocainômano da Bolsa de Valores ou o alcoólatra do meio artísitico, viciado em bebida destilada escocesa ou russa. Perdem a família, trabalho, e bens, mas não perdem a pose e a falta de vergonha na cara!



27/11/2008 10:58
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Déficit zero e controle do servidor gaúcho

Bruno Lima Rocha

4ª, 26 de novembro de 2008; Vila Setembrina; Continente de São Sepé; Liga Federal

Protelado por dois anos, o conflito dos servidores públicos com a governadora Yeda Crusius estourou. No momento as atenções estão sobre a greve dos professores estaduais. O motivo da paralisação, em tese, foi obtido, já que os deputados garantiram não votar o projeto do Piso Salarial Estadual até março. Agora a queda de braço é política (no sentido mais amplo da Política), e trata da punição aos grevistas. A tese do Piratini é simples. Para aplicar a política de déficit zero, precisam controlar a mão de obra. Se liberarem o corte de ponto dos educadores vinculados ao Cpers-Sindicato, todas as demais categorias se sentirão incentivadas a entrar em greve. O Executivo não tem muita escolha. Se ceder, o Decreto 45.959/2008 "não vai pegar".

O choque não se resume a uma questão pontual e nem é caso isolado do Rio Grande do Sul. É da natureza das relações de trabalho a luta pelo controle da mão de obra. Todos os níveis de governo no Brasil têm sérios problemas com o funcionalismo. É uma gangorra política. Quanto mais organizados estiverem os servidores, menos o governo de turno mandará na máquina pública. Isto pode significar, dentre outras variáveis, a sindicalização extrema do aparelho estatal ou a defesa corporativa de interesses. Por outro lado, mais peso terá os cargos em comissão (CCs) e as funções gratificadas (FGs). No quesito remuneração, quanto maior for à intervenção do governante, menor será a incorporação das gratificações para o salário real. A disputa é pela alocação de recursos permanentes no orçamento. Se os prêmios não forem incorporados aos salários, aumenta o poder de barganha do Executivo. Aí surgem diferenças conceituais. Alguns defendem esta prática dizendo ser mais responsável. Eu entendo que esta política é a precarização do trabalho aplicada no serviço público.

Voltando ao Rio Grande, a luta pela máquina pública implica em destinação de recursos. O modelo do déficit zero tem de ser aplicado com mão pesada e prioridade nas ações do Estado como indutor e fiador do agente econômico. O plano de investimentos para 2009 reflete essa vontade política. O Tesouro vai investir R$ 1 bi e 250 milhões livres, equivalente a 7% da receita. Desse total, a maior beneficiada é a Secretaria da Infra-Estrutura, que vai receber (em milhões) R$ 411.557.154,00 a Segurança R$ 186.753.312,00 a Educação R$ 99.996.078,00 a Saúde R$ 74.881.290,00. Os números e a atitude do governo falam por si.

Este artigo foi originalmente publicado no blog de Ricardo Noblat



27/11/2008 10:56
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